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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCrase
Código
ce402427
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.


Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.


Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.


A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.


Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).


Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?


Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024. Internet: <www.metropoles.com> (com adaptações).

Texto CB1A1-I

 

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.

 

Prejudicaria a correção gramatical do texto a substituição do trecho “a marcas e a lojas” (segundo período do primeiro parágrafo) por à marcas e à lojas.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "a marcas e a lojas" — paralelismo sintático

Gabarito: C (Certo). A substituição de "a marcas e a lojas" por "à marcas e à lojas" prejudicaria a correção gramatical do texto, porque a crase é proibida diante de palavra feminina em sentido genérico (sem artigo definido) e, além disso, a forma "à lojas" é duplamente incorreta: o acento grave exige o artigo "a" no singular, que não pode preceder o plural "lojas". A regra que decide é a da crase proibida antes de palavra em sentido indefinido/genérico, somada à regra do paralelismo sintático — como se lê no trecho original: "Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas".

O comando

A questão pede um julgamento de correção gramatical (Certo/Errado) sobre uma reescritura de trecho do texto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação da regra de crase a um caso concreto. O comando "prejudicaria a correção gramatical" exige que você teste a gramaticalidade da versão proposta, não a fidelidade ao sentido original.

O texto e o trecho em análise

O trecho original é:

"Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas"

Aqui, "a" é preposição exigida pelo nome "fidelidade" (quem tem fidelidade, tem fidelidade a algo). As palavras "marcas" e "lojas" estão em sentido genérico, indefinido — não se fala de marcas ou lojas específicas, mas de marcas e lojas em geral. Por isso, não há artigo definido "as" antes delas, e a crase é proibida.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Para haver crase, é preciso que o termo seguinte admita o artigo feminino. Diante de palavra feminina em sentido genérico (sem artigo), a crase é proibida:

  • "Fidelidade a marcas" → não se diz "fidelidade às marcas" se "marcas" está em sentido genérico (a menos que se refira a marcas específicas, determinadas).

  • "Fidelidade a lojas" → idem.

Além disso, a forma proposta "à lojas" é gramaticalmente impossível: o acento grave indica a fusão "a + a" (preposição + artigo singular), e "lojas" está no plural. Para o plural, seria "às lojas" — mas mesmo "às lojas" seria inadequado aqui, pois o sentido é genérico.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre preposição e crase. O candidato desatento vê "a marcas e a lojas" e acha que falta o acento grave, por serem palavras femininas. Mas o acento grave não é obrigatório diante de feminino: ele só ocorre quando há preposição + artigo. Como "marcas" e "lojas" estão em sentido genérico, não há artigo, logo não há crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a regra do sentido genérico: o candidato acha que todo feminino exige crase, mas a crase exige o artigo definido — e palavra em sentido indefinido não o admite. Some-se a isso o erro grosseiro de "à lojas" (singular com plural), que torna a substituição duplamente incorreta.

Análise da assertiva

Crase diante de feminino
  • 1Exige artigo definido
    • "a + as" → às
    • Sem artigo (sentido genérico) → proibida
  • 2Caso do trecho
    • "a marcas" → genérico, sem artigo → [-] crase proibida
    • "a lojas" → genérico, sem artigo → [-] crase proibida
    • "à lojas" → [-] erro de concordância
      • singular + plural
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Assertiva — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa diz que "prejudicaria a correção gramatical do texto a substituição do trecho 'a marcas e a lojas' por 'à marcas e à lojas'". Isso é verdadeiro:

  1. "à marcas" — incorreto, pois "marcas" está em sentido genérico, sem artigo definido; a crase é proibida. O correto seria manter "a marcas" (só preposição).

  2. "à lojas" — duplamente incorreto: além do sentido genérico, há erro de concordância (o artigo "a" não pode preceder o plural "lojas"; seria "às lojas", se houvesse artigo).

Portanto, a substituição prejudica a correção gramatical — a assertiva está Certa.

Conclusão

A questão cobra a regra da crase proibida diante de palavra em sentido genérico e o paralelismo sintático. A correta é a C, pois a substituição introduz crase onde ela é proibida e ainda cria uma forma inexistente ("à lojas").

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescrituras com crase, pergunte: o termo seguinte admite o artigo definido feminino? Se a palavra está em sentido genérico (sem artigo), a crase é proibida. E desconfie sempre de "à" + plural: só existe "às".

Gabarito: letra C (Certo).

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