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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce402428
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.


Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.


Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.


A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.


Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).


Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?


Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024. Internet: <www.metropoles.com> (com adaptações).

Texto CB1A1-I

 

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.

 

No início do quinto parágrafo, a vírgula empregada após o verbo “ilustrar” é facultativa e sua supressão preservaria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após o verbo “ilustrar” — uso facultativo?

Gabarito: letra E (ERRADO). A vírgula empregada após o verbo “ilustrar”, no início do quinto parágrafo, não é facultativa: sua supressão comprometeria a correção gramatical do período, pois ela é obrigatória para isolar a oração intercalada “cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa...”. A passagem que decide é:

“Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto...”

A vírgula após “ilustrar” separa a oração principal (“cite-se o exemplo...”) da oração reduzida de infinitivo que a antecede (“Para ilustrar”), funcionando como um adjunto adverbial deslocado — e, nesse caso, a vírgula é obrigatória, não facultativa.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre aspectos linguísticos — especificamente, sobre a pontuação do texto. A tarefa é verificar se a vírgula após “ilustrar” é facultativa e se sua supressão preservaria a correção gramatical. Isso exige analisar a função sintática da vírgula no trecho, não apenas “sentir” se há pausa na leitura. A banca testa se o candidato sabe distinguir vírgula obrigatória de vírgula facultativa.

A estrutura do trecho e a função da vírgula

No período “Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa...”, temos:

  • “Para ilustrar” — oração reduzida de infinitivo, que funciona como adjunto adverbial de finalidade anteposto à oração principal.

  • “cite-se o exemplo...” — oração principal.

Quando um adjunto adverbial (ou a oração que o representa) é deslocado para o início da frase, a vírgula que o separa da oração principal é obrigatória. Essa é uma das regras centrais do uso da vírgula: ela marca o deslocamento sintático. Retirá-la criaria um período sem a devida separação entre o adjunto e o núcleo da oração, o que viola a norma padrão.

Compare com a ordem direta: “Cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa... para ilustrar.” — aqui, sem deslocamento, a vírgula após “ilustrar” não existiria. Mas, no texto, a ordem está invertida, e a vírgula é exigida.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre vírgula facultativa e vírgula obrigatória. Muitos candidatos pensam que “toda vírgula que pode ser retirada sem erro é facultativa”, mas isso é falso: a vírgula que isola um adjunto adverbial deslocado é obrigatória, e sua retirada gera incorreção. A banca também pode tentar confundir com o caso do adjunto adverbial curto (ex.: “Amanhã, irei à praia”), em que a vírgula é facultativa — mas aqui o adjunto é uma oração inteira, e a vírgula é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca generaliza o caso do adjunto adverbial curto (facultativo) para o caso de oração deslocada (obrigatório). A vírgula após “ilustrar” não é um enfeite; ela marca a anteposição de uma oração de finalidade.

Análise da alternativa

Vírgula após "ilustrar"
  • 1Obrigatória
    • Separa oração reduzida deslocada
    • Adjunto adverbial de finalidade anteposto
    • Supressão gera incorreção
  • 2Facultativa (não é o caso)
    • Adjunto adverbial curto
    • Ordem direta
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada. A vírgula após “ilustrar” é obrigatória, pois separa a oração reduzida de infinitivo “Para ilustrar” (adjunto adverbial de finalidade deslocado) da oração principal “cite-se o exemplo...”. Sua supressão tornaria o período gramaticalmente incorreto, pois o adjunto deslocado ficaria “colado” ao verbo principal sem a devida marcação sintática. A norma padrão exige a vírgula nesse contexto de anteposição.

Conclusão

A questão ensina uma distinção essencial: vírgula facultativa só existe quando a retirada não altera a correção nem o sentido — como no adjunto adverbial curto anteposto. Já a vírgula obrigatória marca uma estrutura sintática que não pode ser suprimida, como a oração deslocada. Ao julgar itens de pontuação, pergunte sempre: qual é a função sintática da vírgula? Se ela isola um termo deslocado, uma oração intercalada ou um aposto, é obrigatória. Se apenas separa um adjunto curto em posição natural, é facultativa.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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