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Questão de Português — Adjunto adnominal x Complemento Nominal — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsAdjunto adnominal x Complemento Nominal
Código
ce402432
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

A palavra ficção nos remete a histórias inventadas (total ou parcialmente). Pode ser uma fantasia, que envolva monstros, heróis ou fantasmas, pode ser uma ficção científica, que envolva tecnologias que vão muito além daquelas que existem hoje, etambém pode ser um romance comum, totalmente realista, mas com enredo, personagens ou ambientes inventados.


Dessa forma, uma matéria jornalística jamais poderia ser considerada ficcional, já que um dos pilares do jornalismo é a busca pela verdade e a publicização das informações com precisão e veracidade. Um jornal que noticiasse ficções estaria ferindo um de seus princípios mais fundamentais.


Apesar de essa definição de ficção ser bem popular, os críticos e teóricos de cinema franceses Jacques Aumont e Michel Marie afirmam que a ficção é uma forma de discurso que faz referência a personagens ou a ações que só existem na imaginação daquele que a escreve ou lê. Segundo eles, a ficção não é uma mentira, mas um simulacro da realidade, uma das possíveis maneiras de se representar o real.


Assim, podemos dizer que todo relato é uma tentativa de representar a realidade por meio de palavras. Um relato de um acontecimento não é o próprio acontecimento em si. Os fatos ficam no passado, depois que acontecem. Qualquer tentativa de retomá-los no presente, por meio de uma história, será uma representação, será uma construção da mente de uma pessoa. Logo, será uma ficção.


Lucia Mascarenhas de Miranda. A fronteira entre

fato e ficção. In: Ciência Hoje, outubro de 2024. Internet: <cienciahoje.org.br> (com adaptações).

Texto CB1A1-II

 

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item que se segue.


Dada sua função na oração, o termo “da mente” (quarto período do quarto parágrafo) pode ser substituído pelo adjetivo mental, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido original do trecho.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "da mente" por "mental" — Adjunto Adnominal × Complemento Nominal

Gabarito: letra E (ERRADO). O termo "da mente" exerce função de complemento nominal, pois tem valor passivo (a mente é o alvo da construção), e não pode ser substituído por "mental" sem prejuízo do sentido, porque "mental" teria valor ativo (qualidade da mente). A substituição alteraria a relação semântica do trecho, como se lê no quarto parágrafo: "será uma construção da mente de uma pessoa".

O comando

A questão pede um julgamento sobre a substituição de um termo por um adjetivo, verificando se há prejuízo da correção gramatical e do sentido original. Isso exige analisar a função sintática do termo "da mente" e o valor semântico que ele carrega no contexto. Não basta saber que "mental" é adjetivo; é preciso ver se a troca preserva a relação de sentido que o texto estabelece.

O texto e o trecho relevante

No quarto parágrafo, o autor argumenta que todo relato é uma representação da realidade, uma construção da mente de quem escreve ou lê. O trecho decisivo é:

"Qualquer tentativa de retomá-los no presente, por meio de uma história, será uma representação, será uma construção da mente de uma pessoa."

Aqui, "da mente" se liga ao substantivo abstrato "construção" e indica sobre quem/sobre o quê recai a ação de construir — ou seja, a mente é o paciente, o alvo da construção. Esse é o valor típico do complemento nominal.

A técnica que decide: valor ativo × valor passivo

A distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal, quando o termo é preposicionado e ligado a substantivo abstrato, depende do valor semântico:

  • Adjunto adnominal tem valor ativo (o termo pratica a ação ou indica posse/qualidade). Ex.: "construção do engenheiro" — o engenheiro constrói.

  • Complemento nominal tem valor passivo (o termo recebe a ação). Ex.: "construção da ponte" — a ponte é construída.

No trecho, "construção da mente" significa que a mente é construída (é o alvo da construção), não que a mente constrói. Por isso, é complemento nominal.

O adjetivo "mental", por sua vez, tem valor ativo: "construção mental" = construção que é da mente, que a mente realiza ou que a caracteriza. A troca inverteria a relação: de "construção que recai sobre a mente" para "construção que é própria da mente".

Por que a substituição falha

  1. Correção gramatical: "construção mental" é gramaticalmente correta, mas isso não basta.

  2. Sentido original: o sentido muda. "Construção da mente" (complemento nominal, valor passivo) ≠ "construção mental" (adjunto adnominal, valor ativo). A substituição não é perfeitamente equivalente, como exige a regra para caracterizar adjunto adnominal.

Critério

“da mente” (original)

“mental” (substituição)

Função sintática

Complemento nominal

Adjunto adnominal

Valor semântico

Passivo (a mente é o alvo da construção)

Ativo (a mente é a qualidade/agente da construção)

Relação com “construção”

A construção recai sobre a mente

A construção é caracterizada como mental

Efeito da troca

Mantém o sentido original

Altera o sentido original

"da mente" × "mental"
  • 1"da mente" = complemento nominal
    • valor passivo (mente é alvo)
    • construção da mente
  • 2"mental" = adjunto adnominal
    • valor ativo (qualidade da mente)
    • construção mental
  • 3Substituição
    • altera o sentido
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PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituição de locução preposicionada por adjetivo, pergunte: o termo tem valor ativo (quem pratica a ação) ou passivo (quem recebe a ação)? Se for passivo, é complemento nominal e a troca por adjetivo altera o sentido.

Conclusão

O item está ERRADO porque a substituição de "da mente" por "mental" não preserva o sentido original: muda o valor semântico de passivo (complemento nominal) para ativo (adjunto adnominal). A banca explora exatamente a confusão entre essas duas funções sintáticas.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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