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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
ce402437
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

Aprendemos desde cedo que a linguagem verbal serve para comunicar e frequentemente dizemos que o importante é a comunicação. Quando se fala em comunicação, muitas vezes, pensamos que se está falando na transmissão de informações. Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações. Realmente, há momentos em que desejamos apenas fornecer uma informação, mas, muito frequentemente, temos outros objetivos, como: dar uma ordem, expressar um sentimento, fazer um pedido, exercer algum tipo de influência, fazer o outro mudar de opinião...


O ser humano vive em sociedade, isto é, fazemos parte de grupos sociais e agimos em conjunto com nossos semelhantes; interagimos. Na verdade, é para interagir que nos comunicamos, falamos e escrevemos. Por isso, não podemos nos esquecer de que a comunicação, ou a interação, envolve mais do que simplesmente informação; envolve, sobretudo, alguma forma de ação sobre o outro.


Ana Lúcia Tinoco Cabral. A força das palavras. São Paulo: Editora Contexto, 2010, p. 10-11 (com adaptações).

Texto CB1A1-III

 

Considerando os aspectos textuais e linguísticos do texto CB1A1-III, bem como as ideias nele veiculadas, julgue o item seguinte.


Seria mantida a correção gramatical do texto se o trecho “nos esquecer” (último período) fosse reescrito como esquecer.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de “nos esquecer” por “esquecer” — correção gramatical e sentido

Gabarito: letra E (ERRADO). A reescrita do trecho “nos esquecer” como “esquecer” não mantém a correção gramatical do texto, porque altera a regência do verbo esquecer e, consequentemente, o sentido da frase. No texto, o verbo é usado como pronominal (“esquecer-se de algo”), exigindo o pronome oblíquo “nos”; sem ele, o verbo passa a ser transitivo direto (“esquecer algo”), o que quebra a estrutura sintática e o sentido original. Como se lê no último período: “não podemos nos esquecer de que a comunicação...”.

O comando pede que se julgue se a reescrita manteria a correção gramatical. Isso não é uma questão de interpretação de ideias, mas de gramática aplicada ao texto: precisamos verificar se a troca preserva a regência, o sentido e a coesão. A banca não pergunta se a frase “esquecer” é gramatical em si — ela pergunta se a reescrita no contexto mantém a correção. E a resposta é não.

No trecho original, temos:

“não podemos nos esquecer de que a comunicação, ou a interação, envolve mais do que simplesmente informação”

O verbo esquecer está empregado na forma pronominal (“esquecer-se”), com o pronome oblíquo “nos” (1ª pessoa do plural) e regência indireta: “esquecer-se de que...”. Essa construção é clássica: esquecer-se de algo = “não lembrar de algo”. Ao retirar o pronome, o verbo muda de classe: esquecer algo (transitivo direto) = “não lembrar algo”, o que exigiria um objeto direto, não a preposição “de”. A frase “não podemos esquecer de que...” seria agramatical na norma culta — o correto seria “não podemos esquecer que...” (sem a preposição) ou “não podemos nos esquecer de que...”. Portanto, a simples supressão do pronome quebra a regência e, por tabela, a correção gramatical.

A pegadinha da banca está em fazer o candidato achar que “esquecer” sem pronome é sempre aceitável. De fato, existe a forma “esquecer algo” (transitiva direta), mas ela não se aplica aqui, porque o texto usa “esquecer-se de”. A banca explora a confusão entre as duas regências: esquecer algo (direto) e esquecer-se de algo (indireto com pronome). Trocar uma pela outra altera o sentido e a estrutura, o que invalida a reescrita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece uma reescrita que parece simples e inofensiva, mas que muda a regência do verbo. O candidato que não percebe a diferença entre “esquecer algo” e “esquecer-se de algo” marca “certo” — e erra.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, teste a regência: substitua o verbo por um sinônimo e veja se a preposição continua fazendo sentido. “Esquecer-se de” = “não lembrar de”; “esquecer” = “não lembrar”. A preposição “de” exige o pronome.

1Forma pronominal
"esquecer-se de algo"
Exige pronome oblíquo
Regência indireta (de)
2Forma transitiva direta
"esquecer algo"
Sem preposição
Sem pronome
3Reescrita no texto
"esquecer de que..." (agramatical)
Quebra a regência
Altera o sentido
Verbo "esquecer"
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "esquecer": Forma pronominal ("esquecer-se de algo", Exige pronome oblíquo, Regência indireta (de)); Forma transitiva direta ("esquecer algo", Sem preposição, Sem pronome); Reescrita no texto ("esquecer de que..." (agramatical), Quebra a regência, Altera o sentido)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que a reescrita manteria a correção gramatical. Isso é falso, pois, como demonstrado, a supressão do pronome “nos” altera a regência do verbo esquecer, tornando a frase “não podemos esquecer de que...” agramatical na norma culta. O texto original usa a forma pronominal “esquecer-se de”, que exige o pronome. A alternativa contradiz o texto e a regra gramatical.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta ao dizer que a reescrita não manteria a correção gramatical. O trecho original “nos esquecer” é uma forma pronominal com regência indireta (“esquecer-se de”). Ao retirar o pronome, o verbo passa a ser transitivo direto, e a preposição “de” fica órfã, gerando erro de regência. Portanto, a reescrita não é gramaticalmente correta no contexto.

Conclusão: a banca pede para julgar a reescrita; como ela altera a regência e o sentido, o item é ERRADO. A resposta é a letra E.

Gabarito: letra E

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