Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402438
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

Aprendemos desde cedo que a linguagem verbal serve para comunicar e frequentemente dizemos que o importante é a comunicação. Quando se fala em comunicação, muitas vezes, pensamos que se está falando na transmissão de informações. Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações. Realmente, há momentos em que desejamos apenas fornecer uma informação, mas, muito frequentemente, temos outros objetivos, como: dar uma ordem, expressar um sentimento, fazer um pedido, exercer algum tipo de influência, fazer o outro mudar de opinião...


O ser humano vive em sociedade, isto é, fazemos parte de grupos sociais e agimos em conjunto com nossos semelhantes; interagimos. Na verdade, é para interagir que nos comunicamos, falamos e escrevemos. Por isso, não podemos nos esquecer de que a comunicação, ou a interação, envolve mais do que simplesmente informação; envolve, sobretudo, alguma forma de ação sobre o outro.


Ana Lúcia Tinoco Cabral. A força das palavras. São Paulo: Editora Contexto, 2010, p. 10-11 (com adaptações).

Texto CB1A1-III

 

Considerando os aspectos textuais e linguísticos do texto CB1A1-III, bem como as ideias nele veiculadas, julgue o item seguinte.

 

No texto, rejeita-se a ideia comum de que o ato de comunicar, interagir, corresponde unicamente à transmissão pura e simples de informações.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A tese do texto: comunicar não é só transmitir informações

Gabarito: Certo (C). O item está correto porque o texto, logo no primeiro parágrafo, afirma explicitamente que "Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações", rejeitando a ideia de que a comunicação se restrinja à transmissão de informações. A passagem é a âncora direta da resposta.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede para "julgar o item" com base nas "ideias veiculadas" no texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, não exige dedução. Basta localizar a passagem que confirma ou contradiz a afirmação. O item afirma que o texto "rejeita a ideia comum de que o ato de comunicar, interagir, corresponde unicamente à transmissão pura e simples de informações". Para julgar, precisamos verificar se o autor realmente contesta essa visão.

O texto: a tese central

O texto de Ana Lúcia Tinoco Cabral desenvolve uma tese clara: a comunicação vai além da troca de informações. No primeiro parágrafo, a autora apresenta a visão comum ("Aprendemos desde cedo que a linguagem verbal serve para comunicar... pensamos que se está falando na transmissão de informações") e, em seguida, a refuta com o conectivo adversativo "entretanto":

"Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações."

Essa é a tese do texto, reforçada no segundo parágrafo:

"a comunicação, ou a interação, envolve mais do que simplesmente informação; envolve, sobretudo, alguma forma de ação sobre o outro."

O movimento argumentativo é: apresentar a concepção restrita (comunicar = informar) e negá-la, ampliando o conceito para incluir ordens, sentimentos, pedidos, influência e ação sobre o outro. Portanto, o texto rejeita a ideia de que comunicar seja apenas transmitir informações.

A técnica: paráfrase fiel

O item é uma paráfrase da tese. Veja a correspondência:

  • "rejeita-se a ideia comum" ↔ "Comunicar não se limita" (negação da visão comum)

  • "corresponde unicamente à transmissão pura e simples de informações" ↔ "a transmitir informações" (a visão restrita)

A palavra "unicamente" é crucial: o texto não diz que a comunicação não envolve informação, mas que não se limita a ela. O item capta exatamente esse sentido: rejeita a exclusividade da transmissão de informações, não a sua existência. Isso está perfeitamente alinhado com o texto.

Por que a alternativa "Errado" falharia

Se o item fosse "Errado", seria necessário que o texto defendesse a ideia de que comunicar é apenas transmitir informações. Mas o texto faz exatamente o oposto: usa "entretanto" para introduzir a ressalva e, no segundo parágrafo, afirma que a comunicação "envolve mais do que simplesmente informação". Não há nenhuma passagem que sustente a visão restrita como correta; ela é apresentada apenas para ser contestada.

Conclusão

O item está certo porque reproduz fielmente a tese do texto. A banca não armou pegadinha aqui: a resposta está na superfície textual, mas exige que o candidato identifique a tese (a ideia defendida) e não se deixe levar pela leitura superficial do primeiro período. Sempre que o item falar em "rejeita-se", "defende-se", "o autor critica", procure o verbo de opinião e o conectivo que marca a posição do autor — aqui, o "entretanto" é a chave.

Gabarito: Certo (C).

Link permanente: /questoes/ce402438