Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402443
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ
O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.
Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.
Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.
A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.
Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).
Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?
Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024. Internet: <www.metropoles.com> (com adaptações).
Texto CB1A1-I
Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.
Seria mantida a correção gramatical e a coesão do último período do texto, caso a forma verbal “houver” fosse substituída por houvesse.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Substituição de "houver" por "houvesse" — correlação verbal e coesão
Gabarito: ERRADO (letra E). A troca de "houver" por "houvesse" não preserva a correção gramatical nem a coesão do período, porque altera a correlação temporal exigida pela estrutura condicional. No trecho "Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?", o verbo "houver" está no futuro do subjuntivo, correlacionando-se com o presente do indicativo "é possível" para expressar uma condição futura. "Houvesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) deslocaria a condição para um plano hipotético/passado, rompendo a relação de sentido com o verbo principal.
O comando da questão
O enunciado pede que se julgue se a substituição de "houver" por "houvesse" manteria a correção gramatical e a coesão do último período. Isso é uma questão de reescritura de frases — não se trata de interpretação de sentido, mas de análise da estrutura sintática e da correlação verbal. O foco está em verificar se a troca de tempo verbal é compatível com a estrutura da oração condicional.
O trecho em análise
O último período do texto é:
"Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?"
Aqui, temos uma oração condicional introduzida por "se". O verbo "houver" está no futuro do subjuntivo, e o verbo da oração principal, "é possível", está no presente do indicativo. Essa combinação expressa uma condição futura — algo que, se ocorrer (a falta de consciência), tornará impossível exigir respeito.
A regra que decide: correlação verbal
A correlação verbal é o princípio que exige que os tempos e modos verbais de um período sejam compatíveis entre si para manter a coerência temporal e lógica. Na estrutura condicional, há combinações típicas:
Estrutura
Oração subordinada (se)
Oração principal
Efeito de sentido
Condição futura
Futuro do subjuntivo (houver)
Presente do indicativo (é possível)
Condição possível de ocorrer no futuro
Condição hipotética/passada
Pretérito imperfeito do subjuntivo (houvesse)
Futuro do pretérito (seria possível)
Condição contrafactual ou improvável
No texto, a combinação "se não houver ... é possível" expressa uma condição real e futura: a falta de consciência é algo que pode ou não ocorrer, e, se ocorrer, a consequência (não conseguir exigir respeito) se concretiza. Essa é a leitura que o autor pretende: ele argumenta que, sem uma consciência mínima, não há como exigir respeito.
Se substituíssemos por "houvesse", a leitura passaria a ser: "se não houvesse uma consciência mínima, seria possível exigir respeito?" — uma condição hipotética, contrafactual, que não corresponde à intenção do autor. Para manter a correlação, seria necessário também alterar o verbo principal para "seria possível", o que mudaria o sentido e a estrutura do período.
Por que a coesão também se rompe
A coesão não se limita a conectivos e pronomes; ela também depende da harmonia temporal entre as orações. Quando a correlação verbal é quebrada, o leitor percebe uma descontinuidade lógica: a condição deixa de ser uma possibilidade futura e passa a ser uma hipótese irreal, o que conflita com o contexto argumentativo do texto, que discute uma situação concreta e atual (a importância de conhecer os direitos).
Análise das alternativas
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa de que a substituição manteria a correção gramatical e a coesão é falsa. Como demonstrado, a troca de "houver" (futuro do subjuntivo) por "houvesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) quebra a correlação verbal com o verbo "é possível" (presente do indicativo). Para que a frase ficasse gramaticalmente correta com "houvesse", seria preciso alterar também o verbo principal para "seria possível" — o que não ocorre na proposta. Além disso, a mudança alteraria o sentido de condição futura para condição hipotética/passada, comprometendo a coesão semântica do período.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa de que a substituição não manteria a correção gramatical e a coesão é verdadeira. O texto original apresenta:
"Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?"
A forma "houver" está no futuro do subjuntivo, correlacionando-se com o presente do indicativo "é possível". Essa combinação expressa uma condição futura real. A troca por "houvesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) exigiria a correlação com o futuro do pretérito ("seria possível"), o que não ocorre. Portanto, a substituição quebraria a correlação verbal e alteraria o sentido do período, comprometendo tanto a correção gramatical quanto a coesão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tempos do subjuntivo. O candidato pode pensar que "houver" e "houvesse" são intercambiáveis por serem ambos do subjuntivo, mas a correlação verbal com o verbo principal é o que decide. Sempre verifique qual tempo o verbo da oração principal exige.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, teste a substituição no período completo, não isoladamente. Pergunte: "o verbo da oração principal continua compatível com o novo tempo?" Se a resposta for não, a correlação está quebrada.
Conclusão: A substituição de "houver" por "houvesse" não mantém a correção gramatical nem a coesão, pois rompe a correlação verbal com o presente do indicativo "é possível". A resposta correta é a letra E.