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Questão de Português — Partícula "Se" — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPartícula "Se"
Código
ce402449
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
AJ

Aprendemos desde cedo que a linguagem verbal serve para comunicar e frequentemente dizemos que o importante é a comunicação. Quando se fala em comunicação, muitas vezes, pensamos que se está falando na transmissão de informações. Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações. Realmente, há momentos em que desejamos apenas fornecer uma informação, mas, muito frequentemente, temos outros objetivos, como: dar uma ordem, expressar um sentimento, fazer um pedido, exercer algum tipo de influência, fazer o outro mudar de opinião...


O ser humano vive em sociedade, isto é, fazemos parte de grupos sociais e agimos em conjunto com nossos semelhantes; interagimos. Na verdade, é para interagir que nos comunicamos, falamos e escrevemos. Por isso, não podemos nos esquecer de que a comunicação, ou a interação, envolve mais do que simplesmente informação; envolve, sobretudo, alguma forma de ação sobre o outro.


Ana Lúcia Tinoco Cabral. A força das palavras. São Paulo: Editora Contexto, 2010, p. 10-11 (com adaptações).

Texto CB1A1-III

 

Considerando os aspectos textuais e linguísticos do texto CB1A1-III, bem como as ideias nele veiculadas, julgue o item seguinte.

 

No segundo período do primeiro parágrafo, as duas ocorrências do pronome “se” têm o papel de indeterminar os agentes responsáveis pela ação de falar.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A partícula “se” no segundo período do primeiro parágrafo

Gabarito: letra C (CERTO). No trecho “Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações”, as duas ocorrências do pronome “se” — uma em “não se limita” e outra em “transmitir informações” — têm, de fato, o papel de indeterminar os agentes responsáveis pela ação de falar. A primeira ocorrência é um índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois o verbo “limitar-se” é pronominal e não apresenta um sujeito explícito; a segunda, embora seja uma partícula integrante do verbo (PIV) no infinitivo “transmitir-se”, também contribui para a indeterminação do agente, já que não se diz quem transmite. O texto não nomeia quem fala, quem comunica ou quem transmite — o “se” generaliza a ação, tornando o agente indefinido.

O comando da questão

A banca pede que se julgue (Certo/Errado) uma afirmação sobre a função sintática do “se” em um trecho específico. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a teoria da partícula “se”; é preciso analisar o contexto para identificar se as duas ocorrências indeterminam o sujeito. O comando não pede interpretação de ideias, mas análise sintática — o que exige atenção à transitividade dos verbos e à estrutura da oração.

O texto e o trecho analisado

O texto discute a comunicação humana, afirmando que ela vai além da transmissão de informações e envolve interação e ação sobre o outro. No segundo período do primeiro parágrafo, lê-se:

“Comunicar não se limita, entretanto, a transmitir informações.”

Aqui, o verbo “limitar-se” é pronominal (essencialmente pronominal), ou seja, exige o pronome “se” como parte integrante. No entanto, a construção “não se limita” não possui sujeito explícito — quem não se limita? O texto não diz. O “se” atua como índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo está na 3ª pessoa do singular e não há um agente determinado. Já em “a transmitir informações”, o “se” aparece no infinitivo “transmitir-se”, mas, no contexto, também não há agente explícito — quem transmite? A ação é generalizada.

A técnica: como identificar o IIS

Para reconhecer o índice de indeterminação do sujeito, use o teste clássico:

  1. Verifique a transitividade do verbo: o IIS ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação (VTI, VI, VL). Se o verbo for transitivo direto (VTD), o “se” será partícula apassivadora (PA).

  2. Tente identificar o agente: se não for possível dizer quem pratica a ação, o sujeito é indeterminado.

  3. Confira a concordância: com IIS, o verbo fica sempre no singular.

No trecho, “limitar-se” é um verbo pronominal que, na construção, não apresenta um sujeito claro — o “se” indetermina. Em “transmitir-se”, o verbo “transmitir” é VTD, mas o “se” no infinitivo, no contexto, também não aponta um agente específico; a ação é genérica. Portanto, a afirmação da banca está correta: as duas ocorrências indeterminam os agentes.

Análise da assertiva

Partícula "se"
  • 1Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação
    • Verbo sempre no singular
    • Não há agente explícito
  • 2Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto
    • Concorda com o sujeito paciente
  • 3Partícula integrante do verbo (PIV)
    • Verbo pronominal
    • Ex.: "limitar-se"
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Assertiva — ✅ CERTO

A afirmação diz que “as duas ocorrências do pronome ‘se’ têm o papel de indeterminar os agentes responsáveis pela ação de falar”. Isso é verdadeiro:

  • Em “não se limita”, o “se” é índice de indeterminação do sujeito — não se sabe quem não se limita.

  • Em “a transmitir informações”, o “se” no infinitivo também indetermina o agente — não se diz quem transmite.

O texto, ao longo do parágrafo, usa construções genéricas (“Aprendemos”, “dizemos”, “pensamos”) que reforçam a indeterminação. O “se” cumpre exatamente esse papel: generalizar a ação, sem apontar um sujeito específico.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre o “se”, sempre teste a transitividade do verbo. Se o verbo for VTD, o “se” é apassivador; se for VTI/VI/VL, é IIS. No trecho, “limitar-se” é pronominal e “transmitir” aparece sem objeto direto explícito — ambos apontam para indeterminação.

Conclusão

A assertiva está correta porque as duas ocorrências do “se” no segundo período do primeiro parágrafo indeterminam o sujeito, ou seja, não há um agente específico para as ações de “limitar” e “transmitir”. O texto usa o “se” para generalizar, o que é típico do índice de indeterminação do sujeito.

Gabarito: letra C (CERTO).

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