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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402479
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Cargo
TJ

Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.


A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.


Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:


“No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em fac-símile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”


Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.


Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.


O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”.


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História.

v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).

Texto CB4A1

 

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB4A1, julgue o item seguinte.

 

O trecho “far-se-ia” (segundo parágrafo) poderia ser substituído, mantendo-se a coerência e a correção gramatical do texto, por seria feita.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de "far-se-ia" por "seria feita"

Gabarito: Certo. A substituição de "far-se-ia" por "seria feita" mantém a coerência e a correção gramatical do texto, pois ambas as formas expressam a voz passiva do verbo fazer no futuro do pretérito, com o mesmo valor semântico. A primeira é a voz passiva sintética (ou pronominal), e a segunda, a voz passiva analítica (locução verbal). A troca é perfeitamente válida, como se vê no trecho original: "A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral".

O comando

A questão pede que você julgue se a substituição de "far-se-ia" por "seria feita" preserva a coerência (o sentido lógico) e a correção gramatical (a norma padrão). Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de reescritura de frases — você deve avaliar se as duas construções são equivalentes do ponto de vista sintático e semântico.

O texto

O trecho em questão está no segundo parágrafo, que trata das regras para a eleição dos membros das Assembleias Provinciais. A frase "A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral" descreve um procedimento hipotético (no futuro do pretérito, indicando possibilidade ou condição). O sujeito é "A eleição", e o verbo "fazer" está na voz passiva: a eleição é feita, não faz a si mesma.

A técnica

A chave é reconhecer as duas formas de voz passiva:

  • Voz passiva sintética (ou pronominal): verbo na 3ª pessoa + pronome apassivador "se". Ex.: "far-se-ia" = "seria feita".

  • Voz passiva analítica: verbo ser + particípio do verbo principal. Ex.: "seria feita".

Ambas têm o mesmo valor: o sujeito paciente (a eleição) sofre a ação. A substituição não altera o tempo verbal (futuro do pretérito), nem o modo, nem a concordância (singular, pois "eleição" é singular). Portanto, a reescrita é correta e coerente.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições, verifique sempre: (1) o tempo e o modo verbal; (2) a voz (ativa/passiva); (3) a concordância; (4) o sentido. Se todos forem preservados, a troca é válida.

Análise da assertiva

1Sintética (pronominal)
Verbo + se
far-se-ia
2Analítica (locução)
Ser + particípio
seria feita
3Equivalência
Mesmo tempo (futuro do pretérito)
Mesmo modo
Mesma concordância
Mesmo sentido
Voz passiva
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Voz passiva: Sintética (pronominal) (Verbo + se, far-se-ia); Analítica (locução) (Ser + particípio, seria feita); Equivalência (Mesmo tempo (futuro do pretérito), Mesmo modo, Mesma concordância, Mesmo sentido)

Assertiva — ✅ Certo

A afirmativa está correta. A substituição de "far-se-ia" por "seria feita" é plenamente adequada, pois:

  • Correção gramatical: "far-se-ia" é a forma sintética da voz passiva (verbo fazer + pronome "se" + desinência de futuro do pretérito). "Seria feita" é a forma analítica (verbo ser no futuro do pretérito + particípio "feita"). Ambas estão na norma padrão.

  • Coerência: o sentido permanece idêntico — a eleição seria realizada da mesma forma. Não há mudança de tempo, modo, pessoa ou número.

"A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral"

A reescrita "A eleição dos membros das Assembleias Provinciais seria feita da mesma maneira..." mantém exatamente o mesmo conteúdo proposicional.

Conclusão

A banca testa o reconhecimento da equivalência entre as duas formas de voz passiva. Como a substituição preserva o sentido e a gramática, o item é Certo.

Gabarito: Certo.

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