Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402528
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )
No que diz respeito ao caráter satírico do texto As academias de Sião, de Machado de Assis, assinale a opção correta.
AO objeto central da sátira pode ser sintetizado no trecho “como é que catorze varões reunidos em academia eram a claridade do mundo, e separadamente uma multidão de camelos” (final do último parágrafo).
BA superioridade dos seres irracionais sobre os racionais é a moral da sátira a que Machado de Assis, nesse conto, submete os grandes progressos da sociedade humana no século XIX.
CO elemento satírico confere à narrativa uma forma humorística expressa artisticamente na descrição fisicamente deformadora da personagem Kinnara como “um búfalo com penas de cisne”.
DO emprego da sátira nesse conto revela o pressuposto do escritor de que as formas estéticas independem das formas históricas e sociais, por essa razão ele é livre para satirizar instituições, mesmo as culturais ou as religiosas.
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GabaritoA — O objeto central da sátira pode ser sintetizado no trecho “como é que catorze varões reunidos em academia eram a claridade do mundo, e separadamente uma multidão de camelos” (final do último parágrafo).
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Sátira em "As academias de Sião" — o objeto central
Gabarito: letra A. A alternativa correta identifica o objeto central da sátira no trecho final do conto: a contradição entre a pretensão de claridade da academia e a realidade de camelos de seus membros. Como se lê no último parágrafo, a ironia de Machado de Assis atinge a instituição acadêmica, que se julga "a claridade do mundo", mas é, na verdade, um ajuntamento de indivíduos medíocres — "uma multidão de camelos".
O comando pede que você identifique o objeto central da sátira — ou seja, o alvo principal da crítica irônica do autor. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, ainda que parafraseada. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de reconhecer qual elemento o narrador ridiculariza de forma mais contundente.
No conto, Machado satiriza a instituição acadêmica — a "academia" de Sião —, mostrando que seus membros, apesar de se reunirem em nome do saber, são individualmente tolos e vaidosos. A passagem final sintetiza essa crítica:
"como é que catorze varões reunidos em academia eram a claridade do mundo, e separadamente uma multidão de camelos"
A ironia está na oposição entre o coletivo ("reunidos em academia") e o individual ("separadamente"): juntos, eles se imaginam iluminados; sozinhos, são apenas camelos — animais estúpidos e pesados. É exatamente essa contradição que a alternativa A captura, ao afirmar que o objeto central da sátira é essa síntese.
A técnica para resolver: grife o trecho que condensa a crítica principal. Em textos satíricos, o autor costuma reservar a passagem final para o golpe mais forte. Aqui, a frase citada é a chave de ouro do conto — ela resume o alvo (a academia) e o tom (a ironia). As demais alternativas ou extrapolam (B, D), ou tangenciam (C), ou contradizem o texto (D).
Sátira em "As academias de Sião"
1Objeto central
Instituição acadêmica
Contradição: coletivo × individual
Reunidos = "claridade do mundo"
Separados = "multidão de camelos"
2Técnica
Ironia na conclusão
Metáfora depreciativa
3Alvos periféricos
Descrição de Kinnara (exemplo pontual)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque aponta exatamente o trecho que sintetiza o objeto da sátira. A passagem citada é a conclusão irônica do conto: a academia, que se julga "a claridade do mundo", é desmascarada como "uma multidão de camelos". O contraste entre a pretensão coletiva e a mediocridade individual é o núcleo da crítica de Machado. Nenhuma outra alternativa apresenta um trecho tão central e tão diretamente ligado ao alvo da sátira.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B extrapola o texto. Ela afirma que a moral da sátira é a "superioridade dos seres irracionais sobre os racionais" — mas o conto não defende isso. A comparação com camelos é uma metáfora depreciativa para ridicularizar os acadêmicos, não uma tese sobre a superioridade dos animais. O texto não diz que os irracionais são superiores; diz que os "racionais" (os acadêmicos) se comportam como camelos. A alternativa inverte o sentido da ironia: não é uma defesa dos animais, é um ataque aos homens.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C tangencia o tema. Ela menciona a descrição de Kinnara como "um búfalo com penas de cisne" — que é, de fato, uma imagem satírica —, mas não é o objeto central da sátira. A descrição de Kinnara é um exemplo pontual de deformação física, mas o alvo principal é a instituição acadêmica como um todo, não um personagem específico. Além disso, a alternativa fala em "descrição fisicamente deformadora" como se fosse o elemento central, quando o texto usa essa descrição como parte de um ataque mais amplo à vaidade e à falsa erudição. A alternativa restringe o alcance da sátira a um detalhe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D contradiz o texto e extrapola com uma tese filosófica. Ela afirma que Machado "revela o pressuposto de que as formas estéticas independem das formas históricas e sociais" — mas o conto não discute isso. A sátira de Machado é, na verdade, profundamente social: ela critica instituições concretas (a academia, a igreja, o Estado) e seus vícios. A alternativa inventa uma posição estética que não está no texto. Além disso, a ideia de que o escritor é "livre para satirizar instituições" é uma opinião externa, não uma conclusão que o texto autorize. A alternativa acrescenta informação de fora.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora oferecer alternativas que extrapolam com fatos verdadeiros sobre Machado de Assis (como sua crítica social) ou que tangenciam com detalhes do texto (como a descrição de Kinnara). A correta é sempre a que sintetiza o alvo principal, não a que descreve um aspecto periférico.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre sátira, pergunte-se: "qual é o alvo da crítica?" O alvo é sempre uma instituição, um grupo ou uma ideia — não um personagem isolado. O trecho que condensa essa crítica costuma estar na conclusão do texto.
Gabarito: letra A. A resposta está no trecho final, que opõe a pretensão coletiva ("claridade do mundo") à realidade individual ("multidão de camelos"). As demais alternativas ou extrapolam (B, D), ou tangenciam (C), ou contradizem (D) o texto. Lembre-se: a sátira de Machado ataca a instituição acadêmica — e é isso que a alternativa A captura com precisão.