Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402542
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Três em cada quatro professores concordam com o uso da tecnologia digital e da inteligência artificial (IA) como ferramentas de ensino. Os docentes também dizem que a tecnologia impacta a educação tanto positivamente, com acesso mais rápido à informação, quanto negativamente, fazendo com que os estudantes fiquem mais dispersos.


Os dados são da pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil. Embora considerem importante o uso dessas ferramentas, os professores também relatam problemas estruturais e pedagógicos que impedem ou dificultam o uso da tecnologia nas escolas. Entre esses problemas estão a falta de Internet na escola, a falta de formação dos próprios professores para o uso da tecnologia digital no ensino e também maior dificuldade para prender a atenção dos alunos.


“Percebo que os alunos ficaram mais dependentes deferramentas de pesquisa e respostas imediatas e têm dificuldade de ter resiliência, paciência e atuar solucionando problemas”, diz um dos professores que participou da pesquisa e que não foi identificado.


Os professores relatam que, com a presença de tecnologias digitais, os estudantes estão mais dispersos. “A escola não consegue acompanhar o uso das novas tecnologias na velocidade que os estudantes conseguem, o que gera descompasso entre a aula ministrada e a aula que os estudantes querem. Com o uso desenfreado de redes sociais e a alta exposição dos jovens, as redes estão prejudicando o contato do professor com o aluno”, diz docente que participou do estudo.


Mariana Tokarnia. Inteligência artificial

pode ser ferramenta de ensino, mostra estudo. Internet: <agenciabrasil.ebc.com.br> (com adaptações).

Considerando as informações e a organização do texto precedente, bem como seus aspectos gramaticais e estruturais,julgue o item a seguir.   Pela organização das ideias do texto, deduz-se que a opinião da autora quanto ao uso de tecnologias na educação diverge da percepção apresentada pelos docentes na pesquisa citada.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a posição da autora

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa de que a opinião da autora diverge da percepção dos docentes é uma extrapolação: o texto é uma reportagem que apenas relata os dados da pesquisa e as falas dos professores, sem apresentar qualquer juízo de valor da autora sobre o tema. Como se lê no 1º parágrafo, o texto se limita a expor que "Três em cada quatro professores concordam com o uso da tecnologia digital e da inteligência artificial (IA) como ferramentas de ensino" — e, nos parágrafos seguintes, reproduz as percepções dos docentes, sem que a autora tome partido ou contraponha sua visão à deles.

O comando: o que a banca pede

O enunciado usa o verbo "deduz-se", ou seja, pede uma inferência — uma conclusão que deve estar ancorada em pistas do texto. A armadilha está em confundir inferência legítima (aquela que o texto obriga a fazer) com extrapolação (aquela que acrescenta informação de fora). Aqui, a "dedução" proposta não tem nenhuma pista que a sustente: o texto não traz nenhuma opinião da autora sobre o uso de tecnologias na educação.

O texto: reportagem, não artigo de opinião

O texto é uma reportagem (gênero jornalístico informativo). Sua função é expor dados e relatar falas, não defender uma tese. Observe a estrutura:

  • 1º parágrafo: apresenta o dado da pesquisa ("Três em cada quatro professores concordam...").

  • 2º parágrafo: relata os problemas apontados pelos docentes ("falta de Internet", "falta de formação").

  • 3º e 4º parágrafos: citam diretamente as falas de professores não identificados.

Em nenhum momento a autora emite opinião — ela não diz se concorda ou discorda, não faz elogios nem críticas. A voz que aparece é a dos docentes, sempre introduzida por verbos como "dizem", "relatam", "diz". A autora é apenas a mediadora dessas vozes.

A técnica: separar as vozes do discurso

Em textos jornalísticos, é essencial distinguir quem fala. Aqui, há duas vozes:

Voz

O que diz

Docentes (citados)

Concordam com o uso da tecnologia, mas apontam problemas (dispersão, falta de formação etc.)

Autora (narradora)

Não emite opinião — apenas relata os dados e as falas

A afirmativa do item atribui à autora uma opinião divergente, mas essa opinião não existe no texto. Para que a afirmativa fosse correta, seria necessário que o texto trouxesse, por exemplo, uma frase como "Na minha opinião, a tecnologia é prejudicial" ou "A autora discorda dos professores". Nada disso aparece.

Análise da alternativa

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a opinião da autora diverge da percepção dos docentes é falsa porque o texto não apresenta a opinião da autora. Ela não concorda nem discorda — ela apenas relata. A banca tenta fazer o candidato inventar uma posição autoral que não está no texto, confundindo a voz da autora com a voz dos docentes. Isso é um caso clássico de extrapolação: a alternativa acrescenta uma informação (a divergência) que o texto não autoriza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre relatar e opinar. Em reportagens, o autor não precisa ter opinião; ele apenas transmite informações. Não confunda a voz do texto com a voz dos entrevistados.

Conclusão

A resposta correta é ERRADO, pois a afirmativa extrapola o conteúdo do texto. Para resolver questões de inferência, pergunte sempre: o texto me obriga a concluir isso, ou estou acrescentando algo de fora? Aqui, a "divergência" é uma invenção do candidato — o texto não a sustenta.

Gabarito: letra E (ERRADO).

Link permanente: /questoes/ce402542