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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402557
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Um estudo realizado por pesquisadores descobriu que os saguis, macaquinhos nativos da Mata Atlântica brasileira, chamam uns aos outros por nomes. Os guinchos altos e agudos desses macacos são utilizados tanto para se comunicar com companheiros de espécie quanto para informar a própria localização ou alertar da presença de um perigo ou da existência de comida. Agora, os cientistas descobriram que as vocalizações dos saguis são muito mais complexas do que isso. Até então, esse tipo de comportamento complexo só era conhecido em humanos, golfinhos e elefantes. 


Funciona mais ou menos assim: há um trecho do guincho que informa quem chama e outro que informa quem é chamado. Esses nomes fazem sentido apenas entre as famílias, como um apelido carinhoso. Nas relações com um animal de uma família diferente, um sagui pode reconhecer o som que a outra família usa para falar dele ― como quando você tem um apelido em casa e outro com os amigos da escola.

 

Os pesquisadores acreditam que esses guinchos podem ter evoluído para ajudar os animais a se manterem conectados em seu hábitat de floresta tropical densa, onde nem sempre é possível enxergar os colegas. Ao usar esses chamados, eles podem preservar seus laços sociais e manter o grupo coeso.

 

Os saguis vivem em pequenos grupos familiares monogâmicos e cuidam de seus filhotes juntos, de forma semelhante aos humanos. Essas semelhanças sugerem que eles enfrentaram desafios sociais evolutivos comparáveis aos de nossos primeiros ancestrais, o que pode ter levado ao desenvolvimento de métodos de comunicação semelhantes.

 

Segundo os pesquisadores, a descoberta é um exemplo de convergência evolutiva, fenômeno que ocorre quando espécies distintas encontram a mesma solução evolutiva para um problema.


Os cientistas conseguiram comprovar também que os nomes não são herdados geneticamente, mas, sim, aprendidos. Mesmo em famílias que foram montadas pelos pesquisadores, sem vínculos consanguíneos, os saguis compartilhavam os mesmos nomes e um “dialeto” em comum.


O aspecto mais importante da descoberta é a mudança de perspectiva que ela lança sobre o entendimento da evolução dos primatas. Os saguis parecem ser os primatas mais distantes de nós na árvore evolutiva. Mas o fato de que eles têm uma estrutura social parecida com a nossa surpreendentemente faz com que sejam muito mais parecidos conosco do que outros primatas.


Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo à ideia e a aspecto linguístico do texto apresentado. Conclui-se do texto que o cientista acredita que o sagui tenha enfrentado desafio social evolutivo junto com o humano e que, por isso, tenha desenvolvido método de comunicação semelhante à língua humana.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a evolução da comunicação dos saguis

Gabarito: ERRADO. A afirmativa extrapola o texto ao dizer que o sagui enfrentou desafio social evolutivo junto com o humano e que, por isso, desenvolveu método de comunicação semelhante à língua humana. O texto afirma apenas que os saguis enfrentaram desafios comparáveis aos de nossos ancestrais, o que pode ter levado a métodos de comunicação semelhantes — não idênticos à língua humana, nem enfrentados em conjunto. Como se lê no 4º parágrafo: "Essas semelhanças sugerem que eles enfrentaram desafios sociais evolutivos comparáveis aos de nossos primeiros ancestrais, o que pode ter levado ao desenvolvimento de métodos de comunicação semelhantes."

O comando

A questão pede que se julgue uma afirmação que começa com "Conclui-se do texto". Isso indica que se trata de uma inferência: o candidato deve verificar se a conclusão apresentada é legitimamente sustentada pelas pistas do texto, ou se ultrapassa o que ele diz. Não basta a afirmação soar plausível; ela precisa ser obrigatoriamente decorrente do que está escrito.

O texto

O texto apresenta uma descoberta científica: os saguis usam vocalizações que funcionam como nomes próprios. No 4º parágrafo, o autor estabelece uma comparação entre saguis e humanos: ambos vivem em grupos familiares monogâmicos e cuidam dos filhotes juntos. A partir dessa semelhança, os pesquisadores sugerem que os saguis enfrentaram "desafios sociais evolutivos comparáveis" aos de nossos ancestrais, o que "pode ter levado ao desenvolvimento de métodos de comunicação semelhantes".

A técnica que decide

A palavra-chave é "comparáveis". O texto não diz que os desafios foram os mesmos ou enfrentados juntos; diz que foram comparáveis, ou seja, de natureza semelhante, mas não compartilhados. Além disso, o texto fala em métodos de comunicação "semelhantes", não "à língua humana" — a semelhança é com os métodos de comunicação dos próprios ancestrais humanos, não com a língua humana em si. A afirmativa, ao trocar "comparáveis" por "junto com" e "semelhantes" por "à língua humana", extrapola o que o texto autoriza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — pega uma ideia verdadeira do texto (semelhança evolutiva) e a intensifica até um ponto que o texto não sustenta (desafio conjunto e comunicação idêntica à língua humana).

Análise da assertiva

Assertiva — ❌ Errada

A afirmativa contém três desvios em relação ao texto:

  1. "junto com o humano" — o texto diz "desafios sociais evolutivos comparáveis aos de nossos primeiros ancestrais". Comparável não é o mesmo que conjunto; são desafios análogos, não compartilhados.

  1. "por isso" — o texto usa "o que pode ter levado", expressão de possibilidade, não de certeza. A relação de causa e consequência é hipotética, não afirmada como fato.

  1. "semelhante à língua humana" — o texto fala em "métodos de comunicação semelhantes", referindo-se aos métodos dos ancestrais humanos, não à língua humana. A língua humana é um sistema complexo que o texto não menciona como equivalente.

Portanto, a conclusão apresentada não é autorizada pelo texto. Ela extrapola as pistas, acrescentando informações que não estão lá.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar inferências, pergunte-se: "o texto obriga a essa conclusão, ou ela é apenas possível?" Se a conclusão for apenas possível, mas não necessária, a afirmativa está errada.

Conclusão: a afirmativa está ERRADA, pois transforma uma comparação hipotética em uma relação de causa e consequência conjunta e absoluta, o que o texto não sustenta.

Gabarito: ERRADO.

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