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Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsQuestões Mescladas sobre Pronomes
Código
ce402565
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Um estudo realizado por pesquisadores descobriu que os saguis, macaquinhos nativos da Mata Atlântica brasileira, chamam uns aos outros por nomes. Os guinchos altos e agudos desses macacos são utilizados tanto para se comunicar com companheiros de espécie quanto para informar a própria localização ou alertar da presença de um perigo ou da existência de comida. Agora, os cientistas descobriram que as vocalizações dos saguis são muito mais complexas do que isso. Até então, esse tipo de comportamento complexo só era conhecido em humanos, golfinhos e elefantes. 


Funciona mais ou menos assim: há um trecho do guincho que informa quem chama e outro que informa quem é chamado. Esses nomes fazem sentido apenas entre as famílias, como um apelido carinhoso. Nas relações com um animal de uma família diferente, um sagui pode reconhecer o som que a outra família usa para falar dele ― como quando você tem um apelido em casa e outro com os amigos da escola.

 

Os pesquisadores acreditam que esses guinchos podem ter evoluído para ajudar os animais a se manterem conectados em seu hábitat de floresta tropical densa, onde nem sempre é possível enxergar os colegas. Ao usar esses chamados, eles podem preservar seus laços sociais e manter o grupo coeso.

 

Os saguis vivem em pequenos grupos familiares monogâmicos e cuidam de seus filhotes juntos, de forma semelhante aos humanos. Essas semelhanças sugerem que eles enfrentaram desafios sociais evolutivos comparáveis aos de nossos primeiros ancestrais, o que pode ter levado ao desenvolvimento de métodos de comunicação semelhantes.

 

Segundo os pesquisadores, a descoberta é um exemplo de convergência evolutiva, fenômeno que ocorre quando espécies distintas encontram a mesma solução evolutiva para um problema.


Os cientistas conseguiram comprovar também que os nomes não são herdados geneticamente, mas, sim, aprendidos. Mesmo em famílias que foram montadas pelos pesquisadores, sem vínculos consanguíneos, os saguis compartilhavam os mesmos nomes e um “dialeto” em comum.


O aspecto mais importante da descoberta é a mudança de perspectiva que ela lança sobre o entendimento da evolução dos primatas. Os saguis parecem ser os primatas mais distantes de nós na árvore evolutiva. Mas o fato de que eles têm uma estrutura social parecida com a nossa surpreendentemente faz com que sejam muito mais parecidos conosco do que outros primatas.


Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo à ideia e a aspecto linguístico do texto apresentado. Ao empregar a forma pronominal nós, nossa e conosco no último parágrafo, o autor faz referência ao ser humano em geral, incluindo ele próprio e o leitor.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor de “nós”, “nossa” e “conosco” no último parágrafo

Gabarito: C (Certo). Ao empregar as formas pronominais de 1ª pessoa do plural, o autor se refere ao ser humano em geral, incluindo a si mesmo e ao leitor — e isso se prova no próprio texto, quando ele diz que os saguis “são muito mais parecidos conosco do que outros primatas”. O pronome “conosco” retoma a ideia de “nós, humanos”, construída ao longo do parágrafo com “nossa árvore evolutiva” e “nossa estrutura social”.

O comando: o que a banca pede

A questão é de interpretação de texto com apoio gramatical: não se pergunta a classe do pronome (isso é dado), mas o valor referencial que ele assume no contexto. O verbo “faz referência” indica que você deve identificar o antecedente lógico — a quem o pronome aponta. Não é uma questão de regra decorada, e sim de coesão referencial: descobrir o referente a partir das pistas do texto.

O texto: onde mora a resposta

O último parágrafo é o coração da questão. Leia com atenção:

“O aspecto mais importante da descoberta é a mudança de perspectiva que ela lança sobre o entendimento da evolução dos primatas. Os saguis parecem ser os primatas mais distantes de nós na árvore evolutiva. Mas o fato de que eles têm uma estrutura social parecida com a nossa surpreendentemente faz com que sejam muito mais parecidos conosco do que outros primatas.”

Repare: o parágrafo fala da evolução dos primatas e compara os saguis com nós — ou seja, com os humanos. O pronome “nós” aparece em “distantes de nós”, “a nossa” (estrutura social) e “conosco”. Todos esses pronomes apontam para o mesmo referente: a espécie humana. O autor, ao escrever, se inclui nesse “nós” (ele é humano) e inclui o leitor (que também é humano). Não há nenhuma pista no texto que restrinja o “nós” a um grupo específico (como “os pesquisadores” ou “os brasileiros”).

A técnica: como provar a referência

Para confirmar o referente de um pronome, pergunte: a que termo anterior ele se liga? No parágrafo, o termo que antecede e sustenta o “nós” é a ideia de humanos — construída pela oposição “saguis × nós”. O texto diz que os saguis são “os primatas mais distantes de nós”, ou seja, distantes dos humanos. E quando afirma que eles têm “estrutura social parecida com a nossa”, o possessivo “nossa” retoma “estrutura social dos humanos”. Por fim, “parecidos conosco” fecha a cadeia: “conosco” = “com nós, humanos”.

A banca não pede que você saiba se “nós” é inclusivo ou exclusivo em gramática (embora isso ajude); pede que você leia o contexto. E o contexto é inequívoco: o parágrafo inteiro trata da relação entre saguis e humanos.

Por que a afirmativa está certa

A afirmativa diz: “Ao empregar a forma pronominal nós, nossa e conosco no último parágrafo, o autor faz referência ao ser humano em geral, incluindo ele próprio e o leitor.”

Isso é exatamente o que o texto autoriza. O autor, ao escrever “nós”, fala da espécie humana — e, como ele é humano, inclui a si mesmo; como o leitor também é humano, inclui o leitor. Não há restrição a um grupo menor. A palavra “geral” é a chave: o pronome não se limita a “os cientistas” ou “os brasileiros”, mas abrange toda a humanidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. O texto comprova:

“Os saguis parecem ser os primatas mais distantes de nós na árvore evolutiva.”

Aqui, “nós” só pode ser os humanos — não faria sentido dizer que os saguis são distantes dos pesquisadores ou dos leitores como grupo restrito. E o trecho seguinte reforça:

“eles têm uma estrutura social parecida com a nossa”

“a nossa” = “a nossa estrutura social”, ou seja, a dos humanos. O autor se coloca no mesmo grupo do leitor, ambos pertencentes à espécie humana. Portanto, a referência é ao ser humano em geral, incluindo autor e leitor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está errada porque contradiz o texto. Se o pronome “nós” se referisse apenas a um grupo específico (por exemplo, “os pesquisadores”), o texto diria algo como “distantes de nós, pesquisadores” — mas não diz. O contexto é claro: a comparação é entre saguis e humanos. A banca tenta fazer você acreditar que o pronome poderia ter outro referente, mas não há pista para isso. O erro aqui é de extrapolação: a alternativa nega uma referência que o texto sustenta explicitamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor gramatical do pronome (que pode ser inclusivo ou exclusivo) e o contexto específico. No texto, o “nós” é claramente inclusivo e abrange a espécie humana — não há ambiguidade.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de referência pronominal, sublinhe o pronome e pergunte: “a que termo anterior ele se liga?”. Se o texto não der outra pista, o referente é o mais próximo e lógico — aqui, “humanos”.

Conclusão: a afirmativa está certa, pois o pronome “nós” (e suas variações) no último parágrafo refere-se ao ser humano em geral, incluindo autor e leitor. Gabarito: C.

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