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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402576
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

A aparição de Gonçalves Dias chamou a atenção das musas brasileiras para a história e os costumes indianos. Os Timbiras, I Juca Pirama, Tabira e outros poemas do egrégio poeta acenderam as imaginações; a vida das tribos, vencidas há muito pela civilização, foi estudada nas memórias que nos deixaram os cronistas, e interrogadas dos poetas, tirando-lhes todos alguma coisa, qual um idílio, qual um canto épico. As tribos indígenas (...) desapareceram, é certo, da região que por tanto tempo fora sua; mas a raça dominadora que as frequentou, colheu informações preciosas e no-las transmitiu como verdadeiros elementos poéticos. A piedade, a minguarem outros argumentos de maior valia, devera ao menos inclinar a imaginação dos poetas para os povos que primeiro beberam os ares destas regiões, consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou.

 

Machado de Assis. Notícia da atual literatura brasileira. Instinto de nacionalidade. In: Obra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994.

 

Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas do texto precedente de Machado de Assis, julgue o item que segue.

No texto, Machado de Assis sugere que é possível realizar, na literatura, o que poderia ter acontecido, mas não ocorreu, na realidade: reunir aqueles que a história separou.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência e pressuposição no texto de Machado de Assis

Gabarito: Certo (C). O item está correto porque o texto de Machado de Assis, ao afirmar que a literatura pode "consorciar" os povos que a história separou, sugere exatamente a possibilidade de reunir, no plano literário, o que não ocorreu na realidade. A passagem que ancora essa leitura é o trecho final: "consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou". A banca pede uma inferência — não uma informação literal — e a inferência é legítima porque se apoia em pistas textuais claras.

O comando: inferir, não localizar

O enunciado usa o verbo "sugere", o que indica que a questão é de interpretação/inferência, não de mera localização de informação explícita. Em questões de inferência, a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. Aqui, a pista é a expressão "consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou". O verbo "consorciando" (unir, reunir) e o adjetivo "divorciou" (separou) formam uma oposição: a história separou, a literatura pode unir. Essa é a sugestão do autor.

O texto: tema e movimento argumentativo

O texto trata da influência dos poemas de Gonçalves Dias sobre as musas brasileiras, que passaram a se interessar pela história e costumes indígenas. O autor observa que as tribos desapareceram, mas deixaram informações preciosas que podem ser usadas como "elementos poéticos". No final, ele defende que a piedade deveria inclinar a imaginação dos poetas para esses povos, "consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou". Ou seja: a história separou (os indígenas e os colonizadores), mas a literatura pode reuni-los simbolicamente. Essa é a tese central do trecho.

A técnica: inferência com pista textual

A alternativa correta é uma paráfrase inferencial do trecho final. O item diz: "é possível realizar, na literatura, o que poderia ter acontecido, mas não ocorreu, na realidade: reunir aqueles que a história separou". Isso corresponde exatamente à ideia de "consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou". A palavra "possível" é autorizada pelo verbo "devera" (deveria), que expressa uma possibilidade/necessidade moral, e pelo gerúndio "consorciando", que indica uma ação que pode ser realizada. Não há extrapolação: o texto não diz que isso já aconteceu, mas que é possível fazê-lo na literatura.

Por que o item é Certo

"consorciando na literatura os que a fatalidade da história divorciou"

Essa passagem prova que o autor sugere a união, na literatura, daqueles que a história separou. O verbo "consorciando" (unir) e "divorciou" (separar) formam a oposição central. O item apenas reescreve essa ideia com outras palavras, sem acrescentar nada que o texto não autorize. Portanto, a inferência é legítima.

Fechamento

A regra de ouro: em questões de inferência, pergunte-se sempre "o texto me obriga a concluir isso?" — se a resposta for sim, a alternativa está correta. Aqui, a pista é clara e a inferência é necessária. Gabarito: Certo (C).

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