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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
ce402603
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores.

 

Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo.

 

Uma companheira disse: vamos continuar pensando que, com pomadas e analgésicos, os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda?

 

Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora!

 

Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza.

 

Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo.

 

Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis.

 

É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que a nossa utopia seja um futuro na Terra.

 

Obrigada!

   

Txai Suruí. Discurso COP 26.
Canal Parlaíndio: Parlamento Indígena do Brasil

Leia o texto.   Com base no texto precedente, julgue o item abaixo.   O sétimo parágrafo do texto se constrói com frases
  1. Aargumentativas.
  2. Bexpositivas.
  3. Cinjuntivas.
  4. Dnarrativas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — injuntivas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o sétimo parágrafo e as frases injuntivas

Gabarito: letra C. O sétimo parágrafo do texto se constrói com frases injuntivas, pois apresenta ordens, recomendações e apelos diretos ao interlocutor, materializados pelo uso do verbo no modo imperativo ("Vamos frear", "vamos acabar", "vamos lutar"). A passagem que ancora essa leitura é o próprio parágrafo, que convoca o leitor a uma ação imediata, e não a descrever, narrar ou simplesmente informar.

O comando da questão

A questão pede que se classifique a tipologia textual predominante no sétimo parágrafo. Isso não é uma questão de compreensão literal (o que o texto diz), mas de identificação do modo de organização do discurso — ou seja, qual é a intenção comunicativa predominante naquele trecho: narrar (contar uma história), descrever (caracterizar), expor (informar) ou injuntar (orientar, ordenar, aconselhar). A chave está em perceber que o parágrafo não relata fatos nem apresenta informações neutras; ele convoca o leitor a agir.

O texto e o parágrafo em foco

O texto de Txai Suruí é um discurso de apelo, de convocação à ação. A oradora não está apenas informando sobre a crise climática; ela está exortando o público a mudar de postura. O sétimo parágrafo é o ápice desse apelo:

"Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis."

A repetição do verbo "vamos" (forma do imperativo para a 1ª pessoa do plural, com valor de convite/ordem coletiva) é a marca linguística decisiva. O texto instrui o interlocutor a fazer algo: frear, acabar, lutar. Essa é a essência da injunção: um texto que prescreve uma conduta, que diz o que deve ser feito.

A técnica que decide: o imperativo como marca da injunção

A tipologia textual se define pela intenção predominante e pelas marcas linguísticas que a realizam. O texto injuntivo tem como propósito orientar, ordenar, aconselhar ou instruir o leitor. Suas marcas típicas são:

  • Verbos no imperativo (faça, leia, vamos, acabe);

  • Infinitivos impessoais (misturar, adicionar);

  • Modais de dever/obrigação (deve, é necessário);

  • Tom direto e apelativo, dirigindo-se ao interlocutor.

No parágrafo, o uso do imperativo "vamos" (que, na 1ª pessoa do plural, funciona como um convite imperativo — "vamos fazer juntos") é a pista que obriga à classificação como injuntivo. Não há narração de eventos passados, nem descrição estática, nem exposição impessoal de informações: há ordem e convocação.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O texto é, no todo, argumentativo (defende uma tese: a urgência de ação climática). No entanto, o sétimo parágrafo especificamente não está argumentando (apresentando razões para convencer); ele está conclamando à ação. A argumentação está nos parágrafos anteriores (a crise, o assassinato do guardião, a linha de frente dos povos indígenas). O sétimo parágrafo é a conclusão apelativa que decorre da argumentação, mas sua estrutura frasal é de ordem/recomendação, não de tese + prova.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O texto expositivo (ou informativo) tem como objetivo veicular informação nova de forma impessoal e objetiva, sem apelo à ação. O sétimo parágrafo não informa nada; ele convoca. A frase "Vamos frear as emissões..." não está dizendo "as emissões estão altas" (informação); está dizendo "nós devemos frear as emissões" (ordem/apelo). A presença do imperativo afasta qualquer caráter meramente expositivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a única sustentada pelo texto. O parágrafo é construído com frases injuntivas, pois o verbo "vamos" (imperativo) expressa ordem, convite e recomendação dirigidos ao interlocutor. A função é instrucional/prescritiva: dizer o que deve ser feito (frear, acabar, lutar). Isso é a definição exata de texto injuntivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O texto narrativo conta uma história com personagens, tempo e espaço, com verbos no pretérito. O sétimo parágrafo não narra nenhum fato; ele exorta. Não há sequência de eventos, nem personagem agindo; há um apelo direto ao leitor. A narração, no texto, está apenas implícita em referências a fatos (o assassinato do guardião), mas não é a estrutura do parágrafo em questão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a tipologia do texto como um todo (argumentativo) e a estrutura de um parágrafo específico (injuntivo). O sétimo parágrafo não argumenta; ele convoca. A marca do imperativo "vamos" é a pista que resolve.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar a tipologia de um trecho, pergunte: "qual é a intenção aqui? informar, convencer, contar, descrever ou ordenar?" e procure a marca linguística (imperativo, pretérito, adjetivos, conectivos). O verbo no imperativo é a assinatura da injunção.

Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir a intenção comunicativa de um trecho específico. O sétimo parágrafo, com seus verbos no imperativo ("vamos frear", "vamos acabar", "vamos lutar"), é inequivocamente injuntivo, pois prescreve ações ao interlocutor. As demais alternativas descrevem tipologias que não se aplicam à estrutura frasal do parágrafo.

Gabarito: letra C

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