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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
ce402606
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

ANTÍGONA — (...) Que vou morrer, eu bem sei; é inevitável; e morreria mesmo sem a tua proclamação. E, se morrer antes do meu tempo, isso será, para mim, uma vantagem, devo dizê-lo!

Quem vive, como eu, no meio de tão lutuosas desgraças, que perde com a morte? Assim, a sorte que me reservas é um mal que não se deve levar em conta; (...).

 

Sófocles. Antígona (com adaptações).

 

CHEIROSA: (...) Mas eu quero lhe avisar uma coisa: nesse seu Terceiro Ato tem Cristo?
CHEIROSO: Tem.
CHEIROSA: E ele se passa no céu, é?
CHEIROSO: É por ali perto!
CHEIROSA: Pois vão dizer que você não tem mais imaginação e que só sabe fazer, agora, o Auto da Compadecida!
CHEIROSO: Isso é fácil de resolver: na próxima peça, em vez de o personagem ser sabido, é besta e, no Terceiro Ato, em vez de tudo se passar no céu, se passa no inferno. Aí eu quero ver o que é que eles vão dizer!
(...)
CHEIROSA: É mesmo, é até fácil! Pois vamos à peça! O que é que você está comendo aí?
CHEIROSO: É um pedaço de pão e um resto de vinho que me deram: significa já a Ceia da Quinta-Feira Santa. Mas a peça se passa na Sexta, dia da morte de Cristo.
CHEIROSA — Que episódios você escolheu para evocar essa morte?
CHEIROSO — A negação de Pedro, o beijo do jardim, alguma coisa do julgamento e a morte. Acho que basta.
CHEIROSA — E a morte dos personagens?
CHEIROSO — Eu vou apagando esta luz aqui: cada vez que apago, é um morto. Agora me diga uma coisa: você acha que eu convenço como Cristo?
CHEIROSA — Era o que faltava! O Cristo veio como carpinteiro, que era uma coisa melhor, ninguém acreditou que ele era filho de Deus, quanto mais aparecendo como dono do mamulengo!

 

Ariano Suassuna. A Pena e a Lei (com adaptações).

Leia o texto.

 

Considerando os fragmentos de textos apresentados e a integralidade das obras das quais eles foram extraídos, assim como múltiplos aspectos a eles relacionados, julgue o item abaixo.

 

No fragmento da peça A Pena e a Lei, o emprego dos adjetivos “sabido” e “besta” na terceira fala de Cheiroso remete a um registro coloquial da língua portuguesa.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Registro coloquial dos adjetivos “sabido” e “besta”

Gabarito: Certo (C). No fragmento de A Pena e a Lei, os adjetivos “sabido” e “besta” são empregados em registro coloquial, pois remetem a usos informais e populares da língua: “sabido” no sentido de esperto, astuto e “besta” no sentido de tolo, bobo. A fala de Cheiroso — “em vez de o personagem ser sabido, é besta” — evidencia esse uso cotidiano, típico da linguagem oral, em contraste com o registro formal.

O comando pede que se julgue a afirmação sobre o emprego dos adjetivos no fragmento. Trata-se de uma questão de compreensão e análise linguística: é preciso reconhecer o registro (formal ou coloquial) das palavras no contexto. Não se exige inferência complexa, mas sim a identificação de um traço de variação linguística presente no diálogo teatral.

No texto, Cheiroso planeja mudar o personagem: “em vez de o personagem ser sabido, é besta”. Aqui, “sabido” e “besta” são usados em sentido conotativo e coloquial: “sabido” = esperto, que sabe das coisas; “besta” = tolo, sem inteligência. Esses sentidos são típicos da fala popular brasileira, especialmente no Nordeste, onde se passa a peça. O diálogo é marcado por informalidade — “É por ali perto!”, “Aí eu quero ver” — o que reforça o registro coloquial.

A banca explora a confusão entre sentido literal e uso coloquial. Muitos candidatos podem pensar que “sabido” e “besta” são usados em sentido formal ou denotativo, mas o contexto teatral e a fala dos personagens indicam claramente o uso informal. A alternativa “Errado” seria uma extrapolação: negaria o que o texto evidencia, pois não há qualquer indicação de registro formal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de registro, observe o contexto de fala: diálogos teatrais, personagens populares e expressões como “é por ali perto” indicam coloquialidade. Palavras como “sabido” e “besta” têm sentidos específicos no uso informal.

1Marcas de oralidade
Diálogo teatral
Personagens populares
Expressões informais ("é por ali perto")
2Adjetivos em sentido conotativo
"sabido" = esperto, astuto
"besta" = tolo, bobo
3Contraste com registro formal
Uso denotativo (literal)
Linguagem culta
Registro coloquial
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Registro coloquial: Marcas de oralidade (Diálogo teatral, Personagens populares, Expressões informais ("é por ali perto")); Adjetivos em sentido conotativo ("sabido" = esperto, astuto, "besta" = tolo, bobo); Contraste com registro formal (Uso denotativo (literal), Linguagem culta)

Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. No fragmento, os adjetivos “sabido” e “besta” são empregados em registro coloquial, como se vê na fala de Cheiroso: “em vez de o personagem ser sabido, é besta”. O sentido é o popular: “sabido” = esperto, “besta” = tolo. O diálogo é informal, com marcas de oralidade, o que confirma o uso coloquial.

Conclusão: A banca pede para julgar se o emprego dos adjetivos remete a registro coloquial. Como o texto mostra exatamente isso, o item é CERTO. A alternativa “Errado” seria uma extrapolação, pois contraria a evidência textual.

Gabarito: Certo (C).

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