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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCrase
Código
ce402608
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Vamos, irmã, vamos dormir

Fernando Esquio

 

Vamos, irmã, vamos dormir

nas margens do lago, onde eu vi andar,

a caçar as aves o meu amigo.

 

Vamos, irmã, vamos descansar nas margens do lago, onde eu vi andar, a caçar as aves o meu amigo.

 

Nas margens do lago, onde eu vi andar com seu arco nas mãos as aves a ferir, a caçar as aves o meu amigo.

 

Nas margens do lago, onde eu vi andar com seu arco nas mãos a atirar, a caçar as aves o meu amigo.

 

Com seu arco nas mãos as aves a ferir, as que cantavam as deixava partir, a caçar as aves o meu amigo.

 

Com seu arco nas mãos às aves atirar, as que cantavam não as queria matar, a caçar as aves o meu amigo.

 

Imagem associada para resolução da questão

J. Borges. Sereias

Leia o texto.   Tendo como referência as obras de Fernando Esquio e de J. Borges, apresentadas anteriormente, julgue o item abaixo.   No segundo verso da última estrofe, é opcional o emprego do acento indicativo de crase no vocábulo “as” em ambas as suas ocorrências.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "às aves" — análise do segundo verso da última estrofe

Gabarito: letra E (Errado). A afirmativa está incorreta porque, no segundo verso da última estrofe, o emprego do acento indicativo de crase no vocábulo "as" é obrigatório em ambas as ocorrências, e não opcional. A crase ocorre pela fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "atirar", que é transitivo indireto) com o artigo feminino plural "as" (que determina o substantivo "aves"). Como se lê no verso: "Com seu arco nas mãos às aves atirar".

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação gramatical específica: se o acento grave em "as" é opcional nas duas ocorrências do segundo verso da última estrofe. A palavra-chave é "opcional" — a banca quer saber se o candidato conhece os casos de crase facultativa e consegue distingui-los dos casos obrigatórios. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regra gramatical a um trecho concreto.

O texto e o trecho analisado

O poema de Fernando Esquio é uma cantiga de amigo, com estrutura repetitiva. A última estrofe é:

"Com seu arco nas mãos às aves atirar, as que cantavam não as queria matar, a caçar as aves o meu amigo."

O segundo verso da última estrofe é: "as que cantavam não as queria matar". Nele, o vocábulo "as" aparece duas vezes:

  1. "as que cantavam" — aqui, "as" é um pronome demonstrativo (equivalente a "aquelas"), núcleo do sujeito da oração subordinada adjetiva "que cantavam".

  2. "não as queria matar" — aqui, "as" é um pronome pessoal oblíquo átono (equivalente a "elas"), objeto direto do verbo "matar".

A regra que decide a questão

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o pronome demonstrativo "a(s)". Para que haja crase, é necessário que o termo regente exija a preposição "a" e que o termo regido admita o artigo feminino.

No primeiro caso ("as que cantavam"), o "as" é pronome demonstrativo. A crase ocorreria se houvesse a preposição "a" antes dele. No entanto, o verbo "queria matar" é transitivo direto — quem quer, quer algo —, e o pronome "as" exerce a função de objeto direto, sem preposição. Portanto, não há crase e o acento grave é proibido.

No segundo caso ("não as queria matar"), o "as" é pronome pessoal oblíquo átono, também objeto direto. Novamente, não há preposição antes dele, pois o verbo "matar" é transitivo direto. Portanto, também não há crase e o acento grave é proibido.

A armadilha da banca

A banca explora a confusão entre os casos de crase facultativa (antes de pronome possessivo feminino, antes de nome próprio feminino, após "até") e os casos de crase proibida (antes de verbos, antes de pronomes pessoais, antes de palavras masculinas). O candidato desatento pode achar que, por serem pronomes, o uso do acento seria opcional — mas a regra é clara: crase só ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo ou pronome demonstrativo "a(s)". Em ambos os casos do verso, o "as" é objeto direto, sem preposição, logo, o acento grave é inadmissível.

Análise da alternativa

11ª ocorrência: "as que cantavam"
Pronome demonstrativo
Objeto direto (sem preposição)
Crase proibida
22ª ocorrência: "não as queria matar"
Pronome pessoal oblíquo
Objeto direto (sem preposição)
Crase proibida
3Regra geral
Crase = preposição "a" + artigo/demonstrativo
Sem preposição → sem crase
Crase em "as" (2º verso)
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Crase em "as" (2º verso): 1ª ocorrência: "as que cantavam" (Pronome demonstrativo, Objeto direto (sem preposição), Crase proibida); 2ª ocorrência: "não as queria matar" (Pronome pessoal oblíquo, Objeto direto (sem preposição), Crase proibida); Regra geral (Crase = preposição "a" + artigo/demonstrativo, Sem preposição → sem crase)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que o acento é opcional está errada. Como demonstrado, nos dois usos do "as" no segundo verso da última estrofe, o vocábulo exerce função de objeto direto (pronome demonstrativo no primeiro caso, pronome pessoal oblíquo no segundo), sem a presença da preposição "a". Sem a preposição, não há fusão, e a crase é proibida — não opcional. A banca tenta fazer o candidato acreditar que há uma escolha, mas a gramática não oferece essa possibilidade aqui.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada, e é exatamente isso que a banca pede. O emprego do acento grave em "as" é proibido nas duas ocorrências, pois não há a preposição "a" exigida por um termo regente. O verbo "queria matar" é transitivo direto, e o pronome "as" é seu objeto direto, sem preposição. Portanto, a crase não pode ser empregada, e a afirmação de que seria opcional é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase facultativa (que ocorre em situações específicas, como antes de pronome possessivo) e crase proibida (como antes de pronome pessoal do caso reto ou oblíquo). O candidato que não identifica a função sintática do "as" como objeto direto cai na armadilha de achar que há opcionalidade.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, sempre identifique a função sintática do termo. Pergunte: "quem?" ou "o quê?" após o verbo. Se a resposta for direta, sem preposição, não há crase. A crase exige a fusão de preposição + artigo/demonstrativo.

Gabarito: letra E (Errado).

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