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Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsConjunção
Código
ce402610
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

O impacto devastador de doenças trazidas pelos europeus ao Brasil entre os índios é largamente conhecido. Além da baixa imunidade, os hábitos coletivos e a falta de tratamentos tornavam a população nativa especialmente vulnerável a doenças trazidas por estrangeiros, como conta o professor de antropologia da Universidade Estadual de Santa Cruz Carlos José Santos. “Povos inteiros foram massacrados pelos contágios de doenças infecciosas. Aliás, muitos foram considerados extintos por elas, como é o caso dos goitacás”, diz Santos, que é indígena e conhecido pelo nome Casé Angatu. Doenças como varíola, sarampo, febre amarela ou mesmo a gripe estão entre as razões para o declínio das populações indígenas no território nacional, passando de 3 milhões de índios em 1500, segundo estimativa da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), para cerca de 750 mil, hoje, de acordo com dados do governo. As causas dessas epidemias são comumente tratadas pela história como involuntárias. Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital de tribos indígenas no país. Segundo a antropóloga Helena Palmquist, que pesquisa genocídio indígena no Brasil, o método de infecção era comum. “É uma estratégia muito difícil de provar, e os casos aconteciam em rincões, no Brasil profundo, lugares em que ninguém queria entrar.” Feito em 1967 e só divulgado ao público 45 anos depois, o Relatório Figueiredo, produzido pelo procurador Jader Figueiredo a pedido do governo militar, relata o uso de vários tipos de violência contra os indígenas por membros do órgão que deveria resguardá-los, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Entre os assassinatos, abusos sexuais, casos de tortura e corrupção denunciados, o relatório ressalta as acusações de que uma tribo de índios pataxó do sul da Bahia teria sido levada à extinção por uma infecção proposital.

 

Leonardo Neiva. Como colonizadores infectaram milhares de índios no Brasil com presentes e promessas falsas. BBC NEWS BRASIL. São Paulo, jul./2020 (com adaptações).

Leia o texto.   Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos e textuais do texto precedente e a múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item abaixo.   No quarto período, o termo “Aliás” tem a função textual de introduzir uma ideia complementar à afirmação feita no período anterior.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função textual de “Aliás” no 4º período

Gabarito: CERTO. O termo “Aliás” introduz uma ideia complementar à afirmação anterior, funcionando como um operador de acréscimo/explicação — e não de oposição ou retificação. No texto, após dizer que “as causas dessas epidemias são comumente tratadas pela história como involuntárias”, o autor acrescenta: “Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital de tribos indígenas no país”. O “Aliás” aparece logo depois, em: “Aliás, muitos foram considerados extintos por elas”, reforçando e ampliando a informação sobre o massacre por doenças.

O comando e o que ele pede

A questão é de compreensão textual com foco em coesão sequencial: pede-se para julgar se “Aliás” tem função de complementar a ideia anterior. Não se trata de classificar a palavra isoladamente (conjunção aditiva, por exemplo), mas de avaliar o efeito de sentido que ela produz no encadeamento do texto. O verbo “introduzir” indica que devemos observar a relação lógica entre o período que contém “Aliás” e o anterior.

O texto e o movimento argumentativo

O 4º período do texto é:

“Povos inteiros foram massacrados pelos contágios de doenças infecciosas. Aliás, muitos foram considerados extintos por elas, como é o caso dos goitacás.”

A primeira oração afirma que povos inteiros foram massacrados (mortos em massa) por doenças. A segunda, iniciada por “Aliás”, acrescenta um dado mais forte e específico: muitos foram considerados extintos — ou seja, não apenas dizimados, mas completamente eliminados enquanto povo. O “Aliás” sinaliza que o que vem a seguir é uma informação adicional que reforça e aprofunda a anterior, dando um exemplo concreto (os goitacás).

A técnica que decide

“Aliás” é um operador argumentativo de acréscimo (também chamado de aditivo-explicativo). Ele introduz uma ideia que soma à anterior, muitas vezes com valor de reforço ou esclarecimento. Diferente de conectivos como “mas”, “porém” (oposição) ou “portanto” (conclusão), “Aliás” não quebra a expectativa nem conclui — ele amplia o que foi dito.

No trecho, a relação é clara: se povos foram massacrados, é complementar dizer que muitos foram extintos. O “Aliás” funciona como “além disso”, “inclusive”, “mais ainda”. Portanto, a afirmação do item está correta.

  1. 1Período anterior: massacrados
  2. 2Aliás = acréscimo/reforço
  3. 3Complementa: extintos
  4. 4Exemplo: goitacás
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Análise do item

Item — ✅ CERTO

A afirmativa diz: “No quarto período, o termo ‘Aliás’ tem a função textual de introduzir uma ideia complementar à afirmação feita no período anterior.”

Isso é exatamente o que ocorre. O período anterior termina com “massacrados pelos contágios”; o período com “Aliás” complementa essa ideia, acrescentando que muitos foram extintos. A função é de adição/reforço, não de oposição ou retificação. O item está correto.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar a função de um conectivo, pergunte: “que relação ele estabelece entre as ideias?”. Se ele soma informação, é aditivo; se opõe, é adversativo; se conclui, é conclusivo. “Aliás” é tipicamente aditivo-explicativo.

Gabarito: CERTO.

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