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Questão de Português — Preposição — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPreposição
Código
ce402613
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

O impacto devastador de doenças trazidas pelos europeus ao Brasil entre os índios é largamente conhecido. Além da baixa imunidade, os hábitos coletivos e a falta de tratamentos tornavam a população nativa especialmente vulnerável a doenças trazidas por estrangeiros, como conta o professor de antropologia da Universidade Estadual de Santa Cruz Carlos José Santos. “Povos inteiros foram massacrados pelos contágios de doenças infecciosas. Aliás, muitos foram considerados extintos por elas, como é o caso dos goitacás”, diz Santos, que é indígena e conhecido pelo nome Casé Angatu. Doenças como varíola, sarampo, febre amarela ou mesmo a gripe estão entre as razões para o declínio das populações indígenas no território nacional, passando de 3 milhões de índios em 1500, segundo estimativa da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), para cerca de 750 mil, hoje, de acordo com dados do governo. As causas dessas epidemias são comumente tratadas pela história como involuntárias. Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital de tribos indígenas no país. Segundo a antropóloga Helena Palmquist, que pesquisa genocídio indígena no Brasil, o método de infecção era comum. “É uma estratégia muito difícil de provar, e os casos aconteciam em rincões, no Brasil profundo, lugares em que ninguém queria entrar.” Feito em 1967 e só divulgado ao público 45 anos depois, o Relatório Figueiredo, produzido pelo procurador Jader Figueiredo a pedido do governo militar, relata o uso de vários tipos de violência contra os indígenas por membros do órgão que deveria resguardá-los, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Entre os assassinatos, abusos sexuais, casos de tortura e corrupção denunciados, o relatório ressalta as acusações de que uma tribo de índios pataxó do sul da Bahia teria sido levada à extinção por uma infecção proposital.

 

Leonardo Neiva. Como colonizadores infectaram milhares de índios no Brasil com presentes e promessas falsas. BBC NEWS BRASIL. São Paulo, jul./2020 (com adaptações).

Leia o texto.   Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos e textuais do texto precedente e a múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item abaixo.   Nos segmentos “divulgado ao público” (décimo período) e “levada à extinção” (último período), identifica-se a presença da preposição ‘a’ e de artigo definido.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão de preposição e artigo definido

Gabarito: Certo (C). Nos dois segmentos citados, há a presença simultânea de preposição e artigo definido: em “divulgado ao público”, a preposição a (exigida pelo verbo divulgar) funde-se com o artigo o (masculino), formando ao; em “levada à extinção”, a preposição a (exigida pelo verbo levar) funde-se com o artigo a (feminino), formando à. A crase é exatamente essa fusão, e o acento grave a marca. A afirmação está correta.

O comando

A questão pede que se julgue (Certo/Errado) uma afirmação sobre a presença de preposição e de artigo definido nos dois segmentos. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise morfossintática de palavras específicas. O foco é reconhecer que a crase é a fusão dessas duas classes: preposição a + artigo definido a (ou as).

O texto

No texto, os trechos são:

“Feito em 1967 e só divulgado ao público 45 anos depois”

“uma tribo de índios pataxó do sul da Bahia teria sido levada à extinção por uma infecção proposital.”

Em ambos, o a (com ou sem acento grave) é a preposição exigida pela regência verbal, e o termo seguinte é um substantivo determinado por artigo definido. A crase marca essa fusão.

A técnica que decide

A crase é a contração da preposição a com o artigo definido a/as (ou com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo). Para saber se há crase, o método é:

  1. Troque o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer ao (preposição a + artigo o), há crase; se aparecer apenas o (artigo) ou apenas a (preposição), não há.

  2. Verifique a regência: quem divulga, divulga algo a alguém; quem leva, leva algo a algum lugar/estado. A preposição é exigida pelo verbo.

  3. Confirme o artigo: o substantivo seguinte deve aceitar artigo definido feminino (a, as).

Aplicando ao texto:

  • “divulgado ao público”: divulgar exige preposição a; público é masculino e aceita artigo o. Fusão: a + o = ao. Há preposição e artigo.

  • “levada à extinção”: levar exige preposição a; extinção é feminino e aceita artigo a. Fusão: a + a = à. Há preposição e artigo.

Análise da assertiva

1Método do troca pelo masculino
Aparece "ao" → há crase
Aparece só "o" ou "a" → não há
2Verificar regência
Divulgar exige preposição a
Levar exige preposição a
3Confirmar artigo
Substantivo aceita artigo definido
4Exemplos
"ao público" (a + o)
"à extinção" (a + a)
Crase (fusão a + a)
LEVELsoulevel.com.br
Crase (fusão a + a): Método do troca pelo masculino (Aparece "ao" → há crase, Aparece só "o" ou "a" → não há); Verificar regência (Divulgar exige preposição a, Levar exige preposição a); Confirmar artigo (Substantivo aceita artigo definido); Exemplos ("ao público" (a + o), "à extinção" (a + a))

Assertiva — ✅ Certo

A afirmação é verdadeira. Nos dois segmentos, identifica-se a presença da preposição a e do artigo definido:

  • Em “divulgado ao público”, o ao é a contração de a (preposição) + o (artigo definido masculino).

  • Em “levada à extinção”, o à é a contração de a (preposição) + a (artigo definido feminino).

A crase é justamente essa fusão, e o acento grave indica que houve a contração. Portanto, o item está Certo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o a preposição e o a artigo. Muitos candidatos acham que “ao público” não tem artigo (por ser masculino) ou que “à extinção” é apenas preposição, sem perceber a fusão. O método do troca pelo masculino resolve: se aparecer “ao”, há preposição + artigo.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão falar em “preposição e artigo”, pense em crase. Teste: substitua o termo feminino por um masculino. Se surgir “ao”, há crase; se surgir “o” ou “a” isolados, não há.

Conclusão: a assertiva está Certa, pois nos dois segmentos há a fusão de preposição a com artigo definido, formando ao e à. O gabarito é Certo (C).

Gabarito: C

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