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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce402614
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

O impacto devastador de doenças trazidas pelos europeus ao Brasil entre os índios é largamente conhecido. Além da baixa imunidade, os hábitos coletivos e a falta de tratamentos tornavam a população nativa especialmente vulnerável a doenças trazidas por estrangeiros, como conta o professor de antropologia da Universidade Estadual de Santa Cruz Carlos José Santos. “Povos inteiros foram massacrados pelos contágios de doenças infecciosas. Aliás, muitos foram considerados extintos por elas, como é o caso dos goitacás”, diz Santos, que é indígena e conhecido pelo nome Casé Angatu. Doenças como varíola, sarampo, febre amarela ou mesmo a gripe estão entre as razões para o declínio das populações indígenas no território nacional, passando de 3 milhões de índios em 1500, segundo estimativa da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), para cerca de 750 mil, hoje, de acordo com dados do governo. As causas dessas epidemias são comumente tratadas pela história como involuntárias. Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital de tribos indígenas no país. Segundo a antropóloga Helena Palmquist, que pesquisa genocídio indígena no Brasil, o método de infecção era comum. “É uma estratégia muito difícil de provar, e os casos aconteciam em rincões, no Brasil profundo, lugares em que ninguém queria entrar.” Feito em 1967 e só divulgado ao público 45 anos depois, o Relatório Figueiredo, produzido pelo procurador Jader Figueiredo a pedido do governo militar, relata o uso de vários tipos de violência contra os indígenas por membros do órgão que deveria resguardá-los, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Entre os assassinatos, abusos sexuais, casos de tortura e corrupção denunciados, o relatório ressalta as acusações de que uma tribo de índios pataxó do sul da Bahia teria sido levada à extinção por uma infecção proposital.

 

Leonardo Neiva. Como colonizadores infectaram milhares de índios no Brasil com presentes e promessas falsas. BBC NEWS BRASIL. São Paulo, jul./2020 (com adaptações).

Leia o texto.   Em relação aos sentidos e aspectos linguísticos e textuais do texto precedente e a múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item abaixo.   Os termos “diversos”, em “diversos relatos” (sétimo período), “muito”, em “muito difícil” (nono período), e “vários”, em “vários tipos de violência” (décimo período) estão sujeitos às regras de concordância de gênero e número.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância nominal: pronomes indefinidos × advérbios

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque os três termos citados não estão sujeitos às mesmas regras de concordância: “diversos” e “vários” são pronomes indefinidos e variam em gênero e número, mas “muito”, em “muito difícil”, é advérbio de intensidade e, portanto, invariável — não flexiona nem em gênero nem em número. A banca mistura classes de palavras diferentes para testar se o candidato sabe distinguir o que é pronome (variável) do que é advérbio (invariável).

O comando

A questão pede que se julgue a afirmação sobre os aspectos linguísticos dos termos destacados. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise gramatical — especificamente de concordância nominal. O comando exige que você verifique se os termos “diversos”, “muito” e “vários” estão sujeitos às regras de concordância de gênero e número. Para isso, é preciso identificar a classe gramatical de cada um e saber se ela admite flexão.

O texto

O texto-base fala sobre o impacto das doenças trazidas pelos europeus aos indígenas brasileiros. Os trechos relevantes são:

“Há, no entanto, diversos relatos de infecção proposital de tribos indígenas no país.”

“É uma estratégia muito difícil de provar...”

“...o Relatório Figueiredo... relata o uso de vários tipos de violência contra os indígenas...”

Nesses trechos, “diversos” e “vários” acompanham substantivos (“relatos”, “tipos”) e concordam com eles em gênero e número. Já “muito” modifica o adjetivo “difícil”, funcionando como advérbio de intensidade — e advérbio é invariável.

A técnica que decide

A concordância nominal é a relação de flexão entre o substantivo e seus determinantes (artigos, adjetivos, pronomes, numerais). Os pronomes indefinidos (como “diversos”, “vários”, “muitos”) variam em gênero e número para concordar com o substantivo a que se referem. Já os advérbios (como “muito”, “bastante”, “demais”) são invariáveis: não flexionam, pois modificam verbos, adjetivos ou outros advérbios, e não se ligam a um substantivo.

No trecho, “muito” intensifica o adjetivo “difícil” — é um advérbio de intensidade. Por isso, não pode ser flexionado: não existe “muita difícil”. Se fosse pronome indefinido, como em “muitas dificuldades”, aí sim variaria. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não distingue as classes erra ao achar que “muito” também concorda.

Análise da alternativa

Concordância nominal
  • 1Pronomes indefinidos (variáveis)
    • "diversos" → concorda com "relatos"
    • "vários" → concorda com "tipos"
  • 2Advérbios (invariáveis)
    • "muito" → intensifica "difícil"
    • Não flexiona em gênero/número
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que os termos estão sujeitos às regras de concordância de gênero e número. Isso é parcialmente verdadeiro, mas não para todos os termos. “Diversos” e “vários” são pronomes indefinidos e variam; “muito”, porém, é advérbio e é invariável. A afirmação generaliza indevidamente, tratando todos como se fossem da mesma classe. Portanto, a alternativa está errada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E nega a afirmação, e é isso que o texto e a gramática sustentam. Como vimos, “muito” é advérbio de intensidade e não flexiona. Logo, a afirmação do item é falsa. A banca pede para julgar o item, e o item está errado.

Conclusão

A questão testa a distinção entre pronomes indefinidos (variáveis) e advérbios (invariáveis). Sempre que a banca citar termos como “muito”, “bastante”, “meio”, verifique se estão modificando um substantivo (pronome) ou um verbo/adjetivo/advérbio (advérbio). Essa é a chave para não cair na pegadinha.

Gabarito: letra E

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