Questão de Português — Polissemia — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Polissemia
Código
ce402622
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )
Ilustração: Fí - Richard Bittencourt.
Instagram: @fervuranoclima.
Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, que se caracteriza como um cartum, gênero jornalístico em que se utiliza do humor como forma de criticar problemas sociais, políticos e ambientais, entre outros, assinale a opção correta no item abaixo.
Nesse cartum, constitui recurso da linguagem verbal indispensável para garantir ao texto o seu tom humorístico
Ao emprego do atributo “tóxico” com sentido não literal.
Ba atribuição de qualidades humanas a “agronegócio”.
Co emprego dos artigos “O” e “um”, que denotam definição e indefinição, respectivamente.
Do emprego de termo que intensifica o atributo “tóxico”.
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GabaritoA — o emprego do atributo “tóxico” com sentido não literal.
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Polissemia e sentido figurado no cartum
Gabarito: letra A. O recurso verbal indispensável ao tom humorístico do cartum é o emprego do atributo “tóxico” com sentido não literal (conotativo), pois a palavra é deslocada de seu uso denotativo — associado a substâncias químicas — para qualificar metaforicamente o “agronegócio”. A alternativa B, embora descreva uma figura de linguagem presente no texto, não é o recurso que sustenta o humor; as demais alternativas tratam de aspectos gramaticais que não são decisivos para o efeito cômico.
O comando pede que se identifique o recurso da linguagem verbal que garante o tom humorístico do cartum. Isso exige distinguir o que é essencial ao efeito de sentido do que é apenas um traço linguístico periférico. A questão não pergunta “o que o texto diz”, mas “qual elemento verbal é indispensável para o humor” — ou seja, é uma questão de interpretação ancorada no efeito de sentido produzido pela linguagem.
No cartum, a fala atribuída ao agronegócio — “O agronegócio é tóxico” — só produz humor porque a palavra “tóxico” é empregada em sentido figurado. No sentido literal, “tóxico” designa o que é venenoso ou nocivo à saúde; no contexto, ela é transferida para o campo das relações sociais e ambientais, sugerindo que o agronegócio é nocivo ao meio ambiente e à sociedade. Essa transferência de sentido é a metáfora que sustenta a crítica e o humor.
A alternativa B menciona a personificação (atribuição de qualidades humanas a “agronegócio”), que também é uma figura de linguagem presente no texto — o agronegócio “fala”. No entanto, a personificação é um recurso comum em cartuns e não é, por si só, o que gera o humor; o humor decorre especificamente do deslocamento semântico de “tóxico”. A alternativa C trata dos artigos “O” e “um”, que têm função gramatical de definição e indefinição, mas não carregam o efeito cômico. A alternativa D menciona um termo que intensifica “tóxico”, mas não há no texto um advérbio de intensidade como “muito” ou “extremamente” — o humor não depende de intensificação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o recurso que cria o humor (a conotação de “tóxico”) e outros recursos que existem no texto (a personificação), mas que não são a causa do efeito cômico. A alternativa B é a mais sedutora porque descreve uma figura real, mas não a decisiva.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre humor em cartuns, pergunte-se: “qual palavra, se trocada pelo sentido literal, destruiria o efeito?”. A resposta é o recurso indispensável.
Humor no cartum
1Recurso indispensável
Sentido conotativo de "tóxico"
Metáfora
Quebra de expectativa
2Recursos existentes, não decisivos
Personificação (agronegócio fala)
Artigos definido/indefinido
Intensificador (inexistente)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O atributo “tóxico” é empregado em sentido conotativo (figurado). No texto, o agronegócio não é literalmente tóxico — não é uma substância química —, mas é qualificado como tal para criticar seus impactos. Essa metáfora é o núcleo do humor: a quebra de expectativa entre o que se espera de um setor econômico e a acusação de “toxicidade”. Sem esse deslocamento de sentido, a frase seria uma afirmação literal e absurda, sem graça.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A personificação existe — o agronegócio “fala” no cartum —, mas ela é um recurso estrutural do gênero, não o elemento que gera o humor. O efeito cômico está na palavra “tóxico”, não no fato de o agronegócio ser personificado. A alternativa tangencia o texto: descreve um traço real, mas não responde ao que o comando pede.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os artigos “O” (definido) e “um” (indefinido) têm função gramatical de determinar o substantivo, mas não produzem humor. A alternativa extrapola ao atribuir a um mecanismo gramatical um efeito que ele não tem no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há no texto um termo que intensifique “tóxico” (como “muito”, “extremamente”, “bastante”). A alternativa contradiz o texto ao afirmar a existência de um intensificador que não aparece. O humor não depende de intensidade, mas de sentido figurado.
Gabarito: letra A. A regra de ouro: em questões de humor, identifique o deslocamento de sentido — a palavra que, fora do contexto, teria outro significado. É ela que sustenta o efeito cômico.