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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCrase
Código
ce402625
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Na formulação de Foucault, o biopoder parece funcionar segregando as pessoas que devem morrer daqueles que devem viver. Dado que funciona com base numa divisão entre vivos e mortos, esse poder é definido em relação ao campo biológico, do qual assume o controle e em que você se inscreveu. Este controle pressupõe a distribuição da espécie humana em diferentes grupos, a subdivisão da população em subgrupos e o estabelecimento de uma ruptura biológica entre si. É o que Foucault rotula com o termo (aparentemente familiar) “racismo”.


O terror não está ligado à utópica crença no poder irrestrito da razão humana. Também está claramente relacionado com diferentes relatos de dominação e emancipação, que confiaram principalmente concepções de verdade e erro, do “real” e do simbólico, herdado do Iluminismo.


Achille Mbembe. Necropolítica (com adaptações).

Com base na obra Necropolítica, de Achille Mbembe, e no trecho precedente, dela extraído, julgue o item a seguir.

 

A supressão do acento indicativo de crase em “à utópica crença” (segundo parágrafo) prejudicaria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em “à utópica crença” — supressão e correção gramatical

Gabarito: C (Certo). A supressão do acento grave em “à utópica crença” prejudicaria a correção gramatical do texto, porque a crase é obrigatória nesse ponto: o verbo “ligado” rege a preposição “a” e o substantivo feminino “crença” admite o artigo “a”, gerando a fusão “a + a = à”. Como se lê no segundo parágrafo: “O terror não está ligado à utópica crença no poder irrestrito da razão humana”. Sem o acento, teríamos “ligado a utópica crença”, o que viola a regência do verbo “ligar-se” (quem se liga, liga-se a algo) e a determinação do substantivo.

O comando da questão

A banca pede um julgamento Certo/Errado sobre um efeito gramatical: se a remoção do acento indicativo de crase em “à utópica crença” quebraria a correção do texto. Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de aplicação da regra de crase a um trecho específico. O comando exige que você: (1) identifique se a crase é obrigatória, facultativa ou proibida no ponto; (2) conclua se a supressão gera erro gramatical. A resposta depende exclusivamente da análise sintática do trecho — não há inferência nem conhecimento de mundo envolvidos.

O texto e o ponto exato da crase

No segundo parágrafo, o autor escreve:

“O terror não está ligado à utópica crença no poder irrestrito da razão humana.”

A expressão “ligado a” exige preposição: quem está ligado, está ligado a alguma coisa. O termo seguinte, “utópica crença”, é um substantivo feminino singular precedido do artigo definido “a”. Temos, portanto, a fusão:

ligado (a) + (a) utópica crença = ligado à utópica crença

A crase é o fenômeno dessa fusão, e o acento grave a marca. Como o artigo é obrigatório diante de “crença” (trata-se de uma crença específica, determinada pelo adjetivo “utópica” e pelo complemento “no poder irrestrito da razão humana”), a crase é obrigatória. Suprimir o acento deixaria “ligado a utópica crença”, frase que soa incompleta e gramaticalmente incorreta, pois o substantivo ficaria sem o artigo que o determina e a preposição ficaria “solta”.

A técnica que decide: teste da troca por palavra masculina

O método clássico para verificar a crase é substituir o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, não há. Veja:

  • “O terror não está ligado ao poder irrestrito da razão humana.” (masculino)

  • “O terror não está ligado à utópica crença no poder irrestrito da razão humana.” (feminino)

Como no masculino surge “ao” (preposição a + artigo o), no feminino deve surgir “à” (preposição a + artigo a). A crase é, portanto, obrigatória, e sua supressão compromete a correção gramatical.

Por que a alternativa “Errado” falha

A opção “Errado” afirmaria que a supressão não prejudicaria a correção. Isso só seria verdade se a crase fosse facultativa (como antes de nomes próprios femininos ou de pronomes possessivos adjetivos) ou proibida (como antes de verbos, palavras masculinas ou em sentido genérico). Nenhum desses casos se aplica aqui: “crença” é um substantivo comum feminino, determinado, e o verbo “ligar-se” exige a preposição. Quem marcasse “Errado” estaria extrapolando uma regra de crase facultativa para um contexto em que ela é obrigatória — um erro clássico de generalização indevida.

  1. 1Trocar feminino por masculino
  2. 2Surgiu 'ao'?
  3. 3Sim → crase obrigatória
  4. 4Não → sem crase
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória e facultativa. O candidato que lembra que “há casos facultativos” pode achar que a supressão é inofensiva, mas esquece que, diante de substantivo feminino determinado com verbo que exige “a”, a crase é obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão perguntar se a supressão do acento grave prejudica a correção, aplique o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer “ao”, a crase é obrigatória e a supressão gera erro. Se aparecer apenas “o” ou nada, a crase é facultativa ou proibida.

Conclusão

A crase em “à utópica crença” é obrigatória porque há a fusão da preposição “a” (exigida por “ligado”) com o artigo feminino “a” (que determina “crença”). Suprimir o acento grave deixaria o trecho sem o artigo e com a preposição órfã, comprometendo a correção gramatical. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: C (Certo).

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