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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
ce402627
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Mulamba
Mulamba


Agora o meu papo vai ser só com a mulherada
“Nós não é” saco de bosta pra levar tanta porrada
Todo dia umas 10 morrem, umas 15 são estupradas
Fora as que ficaram em casa e por nada são espancadas


Qual que é o teu problema? É fé pequena ou mente ruim?
Quem foi que te ensinou a tratar as muié assim?
Agora fica esperto porque a coisa vai mudar
Se for tirar farinha com as mulher, pode apanhar!


Você vai lembrar quando eu te olhar lá de cima
Vai reconhecer e vai respeitar minhas cinzas

Julgue o próximo item, com base no texto precedente e considerando os múltiplos aspectos a ele relacionados.   No texto apresentado, predominam palavras e construções sintáticas características do registro informal do português brasileiro.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Registro informal no texto "Mulamba"

Gabarito: Certo (C). O texto apresenta predomínio de palavras e construções sintáticas do registro informal do português brasileiro, como se comprova pela concordância não padrão em "Nós não é" e pela forma popular "muié". A banca pede um julgamento sobre o nível de formalidade, e a resposta está ancorada em marcas linguísticas explícitas do texto.

O comando

A questão é de julgamento (Certo/Errado) e pede que se avalie se "predominam palavras e construções sintáticas características do registro informal". Isso exige reconhecer marcas de informalidade — tanto no vocabulário quanto na sintaxe — e verificar se elas são predominantes. Não se trata de interpretar sentido figurado nem de inferir intenções: é uma análise objetiva de variação linguística.

O texto

O texto é uma letra de rap/poema com tom de protesto e linguagem direta. O eu lírico se dirige à "mulherada" e critica a violência contra a mulher. A informalidade aparece desde o primeiro verso: "Agora o meu papo vai ser só com a mulherada". A palavra "papo" (conversa) e "mulherada" (coletivo popular) já sinalizam coloquialidade. Mas o que mais evidencia o registro informal são as construções sintáticas:

"Nós não é saco de bosta pra levar tanta porrada"

Aqui, o verbo "ser" está na 3ª pessoa do singular com o sujeito "Nós" — o padrão culto exigiria "Nós não somos". Essa é uma marca clássica de fala popular/coloquial.

Outro exemplo:

"Quem foi que te ensinou a tratar as muié assim?"

A forma "muié" (em vez de "mulher") é uma redução fonética típica da fala informal. Além disso, o uso do pronome "te" como objeto direto (em vez de "lhe" ou "a você") também é coloquial.

A técnica

Para resolver, basta identificar marcas de informalidade e verificar se elas predominam. O registro informal caracteriza-se por:

  • Despreocupação com a norma culta (ex.: concordância não padrão);

  • Vocabulário simples, gírias, expressões populares (ex.: "papo", "saco de bosta", "muié");

  • Construções sintáticas típicas da fala (ex.: "Nós não é").

No texto, essas marcas aparecem em quase todos os versos. Não há períodos longos e rebuscados, nem vocabulário técnico. Portanto, a afirmação está correta.

Análise da assertiva

Registro informal
  • 1Marcas sintáticas
    • Concordância não padrão ("Nós não é")
    • Pronome "te" como objeto direto
  • 2Marcas lexicais
    • Gírias ("papo")
    • Expressões chulas ("saco de bosta")
    • Reduções fonéticas ("muié")
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Assertiva — ✅ Certo

A assertiva afirma que "predominam palavras e construções sintáticas características do registro informal". Isso é verdadeiro.

Prova no texto:

"Nós não é saco de bosta pra levar tanta porrada"

A concordância "Nós não é" é um desvio da norma culta (o correto seria "Nós não somos"), marca inequívoca de informalidade sintática. Além disso, "saco de bosta" é expressão chula, típica da linguagem coloquial.

"Quem foi que te ensinou a tratar as muié assim?"

A forma "muié" (redução de "mulher") e o uso do pronome "te" em função de objeto direto reforçam o registro informal.

"Agora o meu papo vai ser só com a mulherada"

"Papo" (conversa) e "mulherada" (coletivo popular) são vocábulos coloquiais.

Esses exemplos mostram que não há apenas uma ou outra palavra informal, mas uma predominância de marcas de coloquialidade, tanto no léxico quanto na sintaxe. Logo, a assertiva está correta.

Conclusão

A questão é resolvida pelo reconhecimento de marcas de informalidade: concordância não padrão ("Nós não é"), formas reduzidas ("muié") e vocabulário popular ("papo", "saco de bosta"). Como essas marcas predominam, o item é Certo.

Gabarito: C (Certo).

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