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Questão de Matemática — Geometria Analítica — CESPE / CEBRASPE 2024

MatemáticaGeometria Analítica
Código
ce402708
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ITAIPU
Ano
2024
Cargo
Prof NU Jr ( )
Um poste possui altura a e formato do paraboloide dado pela equação   z=a-{\large{a \over ρ^2}}(x^2+y^2),   com raio da base ρ, e 0 \le z \le a. A densidade do poste é dada pela função δ (x,y,z)=2a-z.   A partir dessas informações, conclui-se que o centro de massa c_m do poste está no ponto
  1. A\left(0,0, {\large{1 \over 2}}a^2 \right)
  2. B(0,0,14πa3ρ2)\left(0,0, {\large{1 \over 4}} \pi a^3 ρ^2 \right)
  3. C(0,0,12πaρ2)\left(0,0, {\large{1 \over 2}} \pi a ρ^2 \right)
  4. D\left(0,0, {\large{5 \over 3}} a\right)
  5. E\left(0,0,{\large{3 \over 10}} a\right)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — \left(0,0,{\large{3 \over 10}} a\right)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Centro de massa de um sólido com densidade variável

Gabarito: letra E — o centro de massa do poste está em (0,0,310a)(0,0,\frac{3}{10}a). Isso porque, por simetria, as coordenadas xx e yy do centro de massa são nulas, e o cálculo da coordenada zz envolve a razão entre o momento de massa em relação ao plano xyxy e a massa total, resultando em 310a\frac{3}{10}a.

O problema pede o centro de massa de um sólido com densidade não uniforme. O centro de massa é o ponto que concentraria toda a massa do corpo se ela fosse puntiforme, e sua posição é a média ponderada das posições de cada elemento de massa, ponderada pela própria massa. Para um sólido contínuo, isso se traduz nas integrais triplas:

xˉ=1M∭Vx δ dV,yˉ=1M∭Vy δ dV,zˉ=1M∭Vz δ dV\bar{x} = \frac{1}{M}\iiint_V x\,\delta\,dV, \quad \bar{y} = \frac{1}{M}\iiint_V y\,\delta\,dV, \quad \bar{z} = \frac{1}{M}\iiint_V z\,\delta\,dV

onde M=∭Vδ dVM = \iiint_V \delta\,dV é a massa total. A densidade δ(x,y,z)=2a−z\delta(x,y,z) = 2a - z varia linearmente com a altura: na base (z=0z=0) vale 2a2a, e no topo (z=az=a) vale aa. Ou seja, o poste é mais denso embaixo do que em cima.

A superfície do poste é dada por z=a−aρ2(x2+y2)z = a - \frac{a}{\rho^2}(x^2+y^2), que é um paraboloide de revolução com vértice em (0,0,a)(0,0,a) e base circular de raio ρ\rho no plano z=0z=0. Por ser um sólido de revolução em torno do eixo zz, e como a densidade depende apenas de zz (não de xx ou yy), há simetria cilíndrica: o centro de massa deve estar sobre o eixo zz, ou seja, xˉ=yˉ=0\bar{x} = \bar{y} = 0. Isso já elimina qualquer alternativa que não tenha as duas primeiras coordenadas nulas — todas têm, então a análise se concentra em zˉ\bar{z}.

Para calcular zˉ\bar{z}, o caminho mais eficiente é usar coordenadas cilíndricas (r,θ,z)(r, \theta, z), onde x=rcos⁡θx = r\cos\theta, y=rsin⁡θy = r\sin\theta e o elemento de volume é dV=r dr dθ dzdV = r\,dr\,d\theta\,dz. A equação do paraboloide fica z=a−aρ2r2z = a - \frac{a}{\rho^2}r^2, o que permite isolar o raio em função da altura: r=ρ1−zar = \rho\sqrt{1 - \frac{z}{a}}. Assim, para uma altura zz fixa, o raio da seção transversal é ρ1−za\rho\sqrt{1 - \frac{z}{a}}, e a área dessa seção é πρ2(1−za)\pi \rho^2 (1 - \frac{z}{a}).

A massa total pode ser calculada integrando a densidade sobre o volume. Usando a técnica de "cascas" (ou discos), integramos em zz de 00 a aa, multiplicando a densidade pela área da seção:

M=∫0aδ(z)⋅A(z) dz=∫0a(2a−z)⋅πρ2(1−za)dzM = \int_0^a \delta(z) \cdot A(z)\,dz = \int_0^a (2a - z) \cdot \pi\rho^2\left(1 - \frac{z}{a}\right) dz

Expandindo o integrando: (2a−z)(1−za)=2a−2z−z+z2a=2a−3z+z2a(2a - z)(1 - \frac{z}{a}) = 2a - 2z - z + \frac{z^2}{a} = 2a - 3z + \frac{z^2}{a}. Integrando de 00 a aa:

M=πρ2[2az−3z22+z33a]0a=πρ2(2a2−3a22+a23)=πρ2(12a2−9a2+2a26)=πρ2⋅5a26M = \pi\rho^2 \left[ 2az - \frac{3z^2}{2} + \frac{z^3}{3a} \right]_0^a = \pi\rho^2 \left( 2a^2 - \frac{3a^2}{2} + \frac{a^2}{3} \right) = \pi\rho^2 \left( \frac{12a^2 - 9a^2 + 2a^2}{6} \right) = \pi\rho^2 \cdot \frac{5a^2}{6}

O momento de massa em relação ao plano xyxy é:

Mxy=∫0az⋅δ(z)⋅A(z) dz=∫0az(2a−z)⋅πρ2(1−za)dzM_{xy} = \int_0^a z \cdot \delta(z) \cdot A(z)\,dz = \int_0^a z(2a - z) \cdot \pi\rho^2\left(1 - \frac{z}{a}\right) dz

O integrando é z(2a−z)(1−za)=z(2a−3z+z2a)=2az−3z2+z3az(2a - z)(1 - \frac{z}{a}) = z(2a - 3z + \frac{z^2}{a}) = 2az - 3z^2 + \frac{z^3}{a}. Integrando:

Mxy=πρ2[az2−z3+z44a]0a=πρ2(a3−a3+a34)=πρ2⋅a34M_{xy} = \pi\rho^2 \left[ az^2 - z^3 + \frac{z^4}{4a} \right]_0^a = \pi\rho^2 \left( a^3 - a^3 + \frac{a^3}{4} \right) = \pi\rho^2 \cdot \frac{a^3}{4}

Finalmente, a coordenada zz do centro de massa é:

zˉ=MxyM=πρ2⋅a34πρ2⋅5a26=a34⋅65a2=6a20=3a10\bar{z} = \frac{M_{xy}}{M} = \frac{\pi\rho^2 \cdot \frac{a^3}{4}}{\pi\rho^2 \cdot \frac{5a^2}{6}} = \frac{a^3}{4} \cdot \frac{6}{5a^2} = \frac{6a}{20} = \frac{3a}{10}

Portanto, cm=(0,0,310a)c_m = (0,0,\frac{3}{10}a), que corresponde à alternativa E.

A pegadinha central desta questão é que a densidade não é constante. Se o candidato assumisse densidade uniforme, o centro de massa de um paraboloide sólido (sólido de revolução) estaria a 23a\frac{2}{3}a da base (ou 13a\frac{1}{3}a do topo), o que não corresponde a nenhuma alternativa. A densidade δ=2a−z\delta = 2a - z "puxa" o centro de massa para baixo, pois há mais massa na região inferior. O valor 310a\frac{3}{10}a reflete exatamente esse deslocamento: é menor que 13a\frac{1}{3}a (que seria o caso de densidade constante), indicando que o centro de massa está mais próximo da base.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta 12a2\frac{1}{2}a^2 como coordenada zz. Esse valor tem dimensão de comprimento ao quadrado, não de comprimento — um erro dimensional grosseiro. Além disso, não corresponde a nenhum cálculo intermediário relevante do problema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Apresenta 14πa3ρ2\frac{1}{4}\pi a^3 \rho^2. Esse valor tem dimensão de massa vezes comprimento ao quadrado (ou algo similar), não de comprimento. Na verdade, 14πa3ρ2\frac{1}{4}\pi a^3 \rho^2 é exatamente o momento de massa MxyM_{xy} calculado acima — o numerador da fração, não o resultado final. O candidato que esqueceu de dividir pelo momento de massa total MM cairia nessa alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Apresenta 12πaρ2\frac{1}{2}\pi a \rho^2. Esse valor tem dimensão de volume (comprimento ao cubo), não de comprimento. Não corresponde a nenhuma grandeza relevante do problema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apresenta 53a\frac{5}{3}a. Esse valor é maior que a altura total aa do poste, o que é fisicamente impossível para o centro de massa de um corpo — o centro de massa deve estar dentro do corpo. Além disso, 53a\frac{5}{3}a não tem relação com os cálculos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Apresenta 310a\frac{3}{10}a, que é exatamente o resultado obtido pela razão entre o momento de massa Mxy=14πa3ρ2M_{xy} = \frac{1}{4}\pi a^3 \rho^2 e a massa total M=56πa2ρ2M = \frac{5}{6}\pi a^2 \rho^2. O valor é menor que 13a\frac{1}{3}a (centro de massa de um paraboloide de densidade constante), coerente com o fato de a densidade ser maior na base (δ=2a\delta = 2a em z=0z=0) do que no topo (δ=a\delta = a em z=az=a).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) esquecer que a densidade é variável e usar o centro de massa de um sólido homogêneo; (2) confundir o momento de massa (numerador) com o resultado final. A alternativa B contém exatamente o valor do momento MxyM_{xy}, e a alternativa D contém um valor maior que a altura — impossível fisicamente. Ao calcular, sempre divida o momento pela massa total e confira se o resultado está dentro do corpo.

PEGA ESSA DICA!

Em problemas de centro de massa com simetria cilíndrica, use coordenadas cilíndricas e integre por "cascas" (ou discos): M=∫δ(z)A(z)dzM = \int \delta(z) A(z) dz e Mxy=∫z δ(z)A(z)dzM_{xy} = \int z\,\delta(z) A(z) dz. A razão Mxy/MM_{xy}/M dá a coordenada zz do centro de massa. Sempre verifique a dimensão do resultado (deve ser comprimento) e se ele está dentro do corpo.

Gabarito: letra E

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