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Questão de Matemática — Álgebra linear avançada (vetores, matrizes e espaços vetoriais) — CESPE / CEBRASPE 2024

MatemáticaÁlgebra linear avançada (vetores, matrizes e espaços vetoriais)
Código
ce402710
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ITAIPU
Ano
2024
Cargo
Prof NU Jr ( )
Uma membrana elástica no plano xOy tem sofrido uma deformação de modo que cada par (x,y) sobre ela tem sido mapeado em um novo ponto T(x,y)=(w,s) de acordo com a transformação T(x,y)=(5x+4y,5y+x).   Com base na situação apresentada, assinale a opção que apresenta as direções principais dessa deformação e os correspondentes fatores de contração e(ou) de extensão.
  1. Adireção principal x_1=(-2,1), associada ao fator λ_1=3; direção principal x_2=(2,1), associada ao fator λ_2=7
  2. Bdireção principal x_1=\left(-{\large{1 \over 2}},1\right), associada ao fator λ_1=3; direção principal x_2=\left({\large{1 \over 2}},1\right), associada ao fator λ_2=7
  3. Cdireção principal x_1=(1,-2), associada ao fator λ_1=-3; direção principal x_2=(1,-3), associada ao fator λ_2=-7
  4. Ddireção principal x_1=(2-2\sqrt6,5), associada ao fator λ_1=3-2\sqrt6; direção principal x_2=(2+2\sqrt6,5), associada ao fator λ_2=3+2\sqrt6
  5. Edireção principal x_1=(1,-8), associada ao fator λ_1=-3; direção principal x_2=(1,-12), associada ao fator λ_2=-7
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — direção principal x_1=(-2,1), associada ao fator λ_1=3; direção principal x_2=(2,1), associada ao fator λ_2=7

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Autovalores e autovetores: direções principais de uma deformação

Gabarito: letra A. A transformação linear T(x,y)=(5x+4y, 5y+x)T(x,y) = (5x+4y,\,5y+x) tem matriz canônica A=[5415]A = \begin{bmatrix} 5 & 4 \\ 1 & 5 \end{bmatrix}; as direções principais são os autovetores e os fatores de extensão/contração são os autovalores. Resolvendo o polinômio característico det⁡(A−λI)=0\det(A - \lambda I) = 0, obtêm-se λ1=3\lambda_1 = 3 e λ2=7\lambda_2 = 7, com autovetores associados (−2,1)(-2,1) e (2,1)(2,1), respectivamente — exatamente o que a alternativa A apresenta.

O problema pede que você encontre as direções principais de uma deformação e os fatores de contração/extensão associados. Em termos de álgebra linear, isso é o mesmo que encontrar os autovetores e autovalores da matriz que representa a transformação. A transformação T(x,y)=(5x+4y, 5y+x)T(x,y) = (5x+4y,\,5y+x) é linear, e sua matriz canônica (na base padrão) é obtida colocando nas colunas as imagens dos vetores da base: T(1,0)=(5,1)T(1,0) = (5,1) e T(0,1)=(4,5)T(0,1) = (4,5), logo A=[5415]A = \begin{bmatrix} 5 & 4 \\ 1 & 5 \end{bmatrix}.

Um autovetor de AA é um vetor não nulo vv tal que Av=λvAv = \lambda v, onde λ\lambda é o autovalor correspondente. Geometricamente, a transformação, ao ser aplicada a um autovetor, apenas o estica ou encolhe (ou inverte o sentido, se λ<0\lambda < 0), sem mudar sua direção. Por isso, os autovetores indicam as direções principais da deformação, e os autovalores indicam os fatores pelos quais os comprimentos nessas direções são multiplicados: se ∣λ∣>1|\lambda| > 1, há extensão; se 0<∣λ∣<10 < |\lambda| < 1, há contração; se λ<0\lambda < 0, há também inversão de sentido.

Para encontrar os autovalores, calculamos o polinômio característico:

det⁡(A−λI)=∣5−λ415−λ∣=(5−λ)2−4=λ2−10λ+21=(λ−3)(λ−7)\det(A - \lambda I) = \begin{vmatrix} 5-\lambda & 4 \\ 1 & 5-\lambda \end{vmatrix} = (5-\lambda)^2 - 4 = \lambda^2 - 10\lambda + 21 = (\lambda - 3)(\lambda - 7)

Portanto, os autovalores são λ1=3\lambda_1 = 3 e λ2=7\lambda_2 = 7. Para cada autovalor, encontramos o autovetor resolvendo (A−λI)v=0(A - \lambda I)v = 0:

  • Para λ1=3\lambda_1 = 3: [2412][xy]=[00]\begin{bmatrix} 2 & 4 \\ 1 & 2 \end{bmatrix} \begin{bmatrix} x \\ y \end{bmatrix} = \begin{bmatrix} 0 \\ 0 \end{bmatrix}, o que dá x+2y=0x + 2y = 0, ou seja, x=−2yx = -2y. Um autovetor é (−2,1)(-2, 1).

  • Para λ2=7\lambda_2 = 7: [−241−2][xy]=[00]\begin{bmatrix} -2 & 4 \\ 1 & -2 \end{bmatrix} \begin{bmatrix} x \\ y \end{bmatrix} = \begin{bmatrix} 0 \\ 0 \end{bmatrix}, o que dá −x+2y=0-x + 2y = 0, ou seja, x=2yx = 2y. Um autovetor é (2,1)(2, 1).

A pegadinha clássica neste tipo de questão é trocar os autovetores entre os autovalores (associar λ1\lambda_1 ao autovetor de λ2\lambda_2) ou usar autovetores que não são soluções do sistema. A alternativa A é a única que associa corretamente cada autovalor ao seu autovetor. Note que os autovetores podem ser multiplicados por qualquer escalar não nulo — por exemplo, (−2,1)(-2,1) é o mesmo que (−1,1/2)(-1, 1/2) — mas a alternativa B usa (−1/2,1)(-1/2, 1), que não é múltiplo de (−2,1)(-2,1) (a razão entre as coordenadas é diferente), então está incorreta.

Guarde o passo a passo: montar a matriz da transformação → calcular o polinômio característico → encontrar os autovalores → resolver o sistema homogêneo para cada autovalor. É exatamente esse fluxo que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Montar a matriz A
  2. 2Polinômio característico
  3. 3Encontrar autovalores
  4. 4Resolver (A - λI)v = 0
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Apresenta os autovalores λ1=3\lambda_1 = 3 e λ2=7\lambda_2 = 7 com os autovetores (−2,1)(-2,1) e (2,1)(2,1), respectivamente. Confere com o cálculo: para λ=3\lambda = 3, o sistema (A−3I)v=0(A - 3I)v = 0 tem solução x=−2yx = -2y, logo (−2,1)(-2,1) é autovetor; para λ=7\lambda = 7, o sistema (A−7I)v=0(A - 7I)v = 0 tem solução x=2yx = 2y, logo (2,1)(2,1) é autovetor. Os fatores λ1=3\lambda_1 = 3 e λ2=7\lambda_2 = 7 são ambos maiores que 1, indicando extensão nas duas direções principais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os autovalores estão corretos (λ1=3\lambda_1 = 3, λ2=7\lambda_2 = 7), mas os autovetores (−1/2,1)(-1/2, 1) e (1/2,1)(1/2, 1) não são múltiplos escalares dos autovetores corretos (−2,1)(-2,1) e (2,1)(2,1). Para ser autovetor, o vetor deve satisfazer Av=λvAv = \lambda v; testando (−1/2,1)(-1/2, 1) com λ=3\lambda = 3: A(−1/2,1)=(5(−1/2)+4(1), 1(−1/2)+5(1))=(3/2, 9/2)A(-1/2, 1) = (5(-1/2)+4(1),\,1(-1/2)+5(1)) = (3/2,\,9/2), que não é 3⋅(−1/2,1)=(−3/2,3)3 \cdot (-1/2, 1) = (-3/2, 3). Portanto, não é autovetor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Apresenta autovalores negativos (λ1=−3\lambda_1 = -3, λ2=−7\lambda_2 = -7), o que está errado: o polinômio característico é (λ−3)(λ−7)(\lambda-3)(\lambda-7), com raízes positivas 3 e 7. Além disso, os autovetores (1,−2)(1,-2) e (1,−3)(1,-3) não satisfazem os sistemas corretos. A banca aqui tenta confundir com a possibilidade de autovalores negativos (que indicariam inversão de sentido), mas isso não ocorre nesta transformação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os autovalores 3±263 \pm 2\sqrt{6} não são raízes do polinômio característico (λ−3)(λ−7)(\lambda-3)(\lambda-7). Eles seriam obtidos se o polinômio fosse λ2−6λ−15\lambda^2 - 6\lambda - 15, o que não é o caso. Os autovetores correspondentes também não resolvem os sistemas. Essa alternativa parece ter sido construída com uma fatoração incorreta do determinante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Assim como a C, apresenta autovalores negativos (λ1=−3\lambda_1 = -3, λ2=−7\lambda_2 = -7), que não são as raízes do polinômio característico. Os autovetores (1,−8)(1,-8) e (1,−12)(1,-12) também não satisfazem as equações (A−λI)v=0(A - \lambda I)v = 0 para nenhum autovalor real. É um distrator que mistura sinais trocados e vetores aleatórios.

A regra de ouro para questões de direções principais: os autovalores são as raízes do polinômio característico det⁡(A−λI)=0\det(A - \lambda I) = 0, e cada autovetor é uma solução não nula de (A−λI)v=0(A - \lambda I)v = 0. Confira sempre se o autovetor apresentado realmente satisfaz a equação Av=λvAv = \lambda v — esse teste rápido elimina a maioria dos distratores.

Gabarito: letra A

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