Questão de Matemática — Função de Segundo Grau — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce402759
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Pref Cach Itapemirim
- Ano
- 2024
- Cargo
- PEB ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A função está na forma fatorada, que já entrega as raízes diretamente: e . Como é um número real não nulo, ele apenas multiplica a expressão e não altera os pontos onde — portanto, para qualquer valor de , a função terá exatamente duas raízes reais e distintas.
A forma fatorada de uma função quadrática é uma das representações mais poderosas para identificar raízes sem calcular Bhaskara. Ela vem da fatoração do trinômio em , onde e são as raízes da equação. No caso da questão, a função já está escrita nesse formato: . Para encontrar as raízes, basta igualar a função a zero e aplicar a propriedade do produto nulo: se um produto é zero, pelo menos um dos fatores é zero. Assim, temos e .
O coeficiente (que na forma geral é o coeficiente ) tem duas funções principais: ele determina a concavidade da parábola (se , concavidade para cima; se , para baixo) e o alongamento/achatamento do gráfico (quanto maior o módulo de , mais "fechada" a parábola). Mas ele não desloca as raízes — multiplicar a função por uma constante não muda os valores de que a anulam. Por isso, a condição do enunciado de que é não nulo é crucial: se , a função seria identicamente nula, e o conceito de "raízes" perderia o sentido (todo número real seria raiz).
Vamos verificar com um exemplo concreto. Se , temos , cujas raízes são e . Se , temos , e as raízes continuam sendo e — basta substituir: e . O valor de apenas "esticou" a parábola e inverteu sua concavidade, mas os pontos de interseção com o eixo permaneceram intactos.
A pegadinha que a banca explora aqui é justamente a confusão entre o coeficiente (que controla concavidade e abertura) e as raízes (que dependem apenas dos fatores e ). Muitos candidatos, ao verem um parâmetro multiplicando a expressão, imaginam que ele pode alterar as raízes — o que é falso. A distinção que importa é: o coeficiente multiplicativo não muda as raízes; ele só muda o formato do gráfico. É exatamente esse critério que decide a questão: como é não nulo, as duas raízes e são sempre reais e distintas, independentemente do valor de .
Caso | Valor de (k) | Raízes de (f(x) = k(x-2)(x+3)) | Resultado |
|---|---|---|---|
1 | (k = 1) | (x = 2) e (x = -3) | Duas raízes reais e distintas |
2 | (k = -5) | (x = 2) e (x = -3) | Duas raízes reais e distintas |
3 | (k \neq 0) (qualquer) | (x = 2) e (x = -3) | Duas raízes reais e distintas |
A afirmação está correta. A função está na forma fatorada , o que permite identificar imediatamente as raízes: e . Como é um número real não nulo, ele não interfere na equação — dividir ambos os lados por (permitido, pois ) resulta em , cujas soluções são exatamente e . Essas raízes são reais e distintas (uma é positiva, outra negativa), e isso vale para qualquer valor de não nulo. O discriminante da forma expandida também confirma: expandindo, , temos , que é sempre positivo para , garantindo duas raízes reais e distintas.
Quando a função já vem na forma fatorada , as raízes são lidas diretamente: basta inverter o sinal dos números dentro dos parênteses. Em , a raiz é ; em , a raiz é . O coeficiente (aqui, ) só influencia concavidade e abertura — nunca as raízes. Essa leitura rápida resolve a questão em segundos, sem precisar de Bhaskara.
Gabarito: letra C (CERTO).
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