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Questão de Raciocínio Lógico — Equivalências Lógicas (Inclui Negação de Proposições Compostas) — CESPE / CEBRASPE 2024

Raciocínio LógicoEquivalências Lógicas (Inclui Negação de Proposições Compostas)
Código
ce403495
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC PE
Ano
2024
Cargo
Ag Pol ( )

Pablo, estudante de direito aprovado em concurso público, foi preso por suspeita de tentativa de roubo, à mão armada, de um celular avaliado em R$ 800,00. Seu nome, o de sua mãe, sua idade e seu local de nascimento coincidiam com as informações apuradas na investigação. Além disso, dados de localização do celular de Pablo, um aparelho de última geração avaliado em mais de R$ 5 mil, indicaram que ele estava na cidade na época do crime.

 

Em sua defesa, ele alegou o que se segue.

 

P1: “Eu estava na cidade porque fui fazer concurso público.”

 

P2: “Meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar.”

 

P3: “Se meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar, não preciso tentar roubá-lo.”

 

P4: “Se não preciso tentar roubá-lo, não cometi esse crime.”

 

C: “Logo, não cometi esse crime.”

 

Assinale a opção em que está apresentada uma proposição equivalente à P4 da situação hipotética acima.

  1. A“Preciso tentar roubá-lo ou não cometi esse crime.”
  2. B“Se preciso tentar roubá-lo, cometi esse crime.”
  3. C“Preciso tentar roubá-lo, mas não cometi esse crime.”
  4. D“Se não cometi esse crime, não preciso tentar roubá-lo.”
  5. E“Precisava tentar roubá-lo e cometi esse crime.”
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GabaritoA — “Preciso tentar roubá-lo ou não cometi esse crime.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Equivalências Lógicas: Condicional e suas Transformações

Gabarito: letra A. A proposição P4, "Se não preciso tentar roubá-lo, não cometi esse crime", é uma condicional da forma ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q. A equivalência lógica clássica da condicional é p→q≡∼p∨qp \rightarrow q \equiv \sim p \lor q (a chamada "equivalência material" ou "regra do ou"). Aplicando essa regra a P4, obtemos "Preciso tentar roubá-lo ou não cometi esse crime", que é exatamente a alternativa A. As demais alternativas ou invertem a ordem dos termos, ou trocam o conectivo, ou negam incorretamente as proposições.

A questão cobra um dos tópicos mais recorrentes em Raciocínio Lógico de concursos: as equivalências lógicas da condicional. O candidato precisa dominar duas transformações fundamentais:

  1. A regra do "ou" (equivalência material): p→q≡∼p∨qp \rightarrow q \equiv \sim p \lor q. Essa é a transformação mais importante e a que resolve esta questão. Ela diz que uma condicional "se p, então q" é logicamente equivalente a "não p ou q".

  1. A contrapositiva: p→q≡∼q→∼pp \rightarrow q \equiv \sim q \rightarrow \sim p. Essa transformação inverte e nega os dois termos da condicional. É uma equivalência válida, mas não é a que se aplica diretamente a P4 para chegar à alternativa A.

Vamos aplicar a regra do "ou" à proposição P4. Primeiro, identificamos as proposições simples:

  • pp: "Preciso tentar roubá-lo"

  • qq: "Cometi esse crime"

P4 é "Se não preciso tentar roubá-lo, não cometi esse crime", que em símbolos é ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q. Aplicando a regra do "ou": ∼p→∼q≡p∨∼q\sim p \rightarrow \sim q \equiv p \lor \sim q. Isso se lê como "Preciso tentar roubá-lo ou não cometi esse crime", exatamente a alternativa A.

A pegadinha clássica da banca é confundir a regra do "ou" com a contrapositiva. A contrapositiva de P4 seria "Se cometi esse crime, preciso tentar roubá-lo" (q→pq \rightarrow p), que não aparece nas alternativas. Outra pegadinha é inverter a ordem dos termos ou negar incorretamente, como fazem as alternativas B, C, D e E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar a regra do "ou" pela contrapositiva ou pela negação incorreta. Aqui, a alternativa D parece tentadora porque inverte e nega, mas ela representa a recíproca da contrapositiva, não uma equivalência. A alternativa B também parece lógica, mas troca o conectivo "ou" por "se... então...", o que não é equivalente. Fique atento: a regra do "ou" é a transformação mais cobrada e a mais fácil de confundir.

p

q

~p

~q

~p → ~q (P4)

p ∨ ~q (Alternativa A)

V

V

F

F

V

V

V

F

F

V

V

V

F

V

V

F

F

F

F

F

V

V

V

V

1Regra do "ou" (p → q ≡ ~p ∨ q)
P4: ~p → ~q
Equivale a: p ∨ ~q
2Contrapositiva (p → q ≡ ~q → ~p)
Inverte e nega
Não é a resposta aqui
3Pegadinhas
Recíproca (inverte sem negar)
Conjunção (troca "ou" por "e")
Equivalência da condicional
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Equivalência da condicional: Regra do "ou" (p → q ≡ ~p ∨ q) (P4: ~p → ~q, Equivale a: p ∨ ~q); Contrapositiva (p → q ≡ ~q → ~p) (Inverte e nega, Não é a resposta aqui); Pegadinhas (Recíproca (inverte sem negar), Conjunção (troca "ou" por "e"))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a aplicação direta da regra do "ou" (equivalência material) sobre P4. Se pp = "Preciso tentar roubá-lo" e qq = "Cometi esse crime", então P4 é ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q. Pela equivalência p→q≡∼p∨qp \rightarrow q \equiv \sim p \lor q, temos ∼p→∼q≡p∨∼q\sim p \rightarrow \sim q \equiv p \lor \sim q, que é "Preciso tentar roubá-lo ou não cometi esse crime". A alternativa A reproduz exatamente essa expressão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B, "Se preciso tentar roubá-lo, cometi esse crime", é a recíproca da contrapositiva de P4. A contrapositiva de P4 seria "Se cometi esse crime, preciso tentar roubá-lo" (q→pq \rightarrow p). A alternativa B inverte essa contrapositiva, resultando em p→qp \rightarrow q, que não é logicamente equivalente a ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q. A banca troca o conectivo "ou" por "se... então..." e inverte a ordem, criando uma armadilha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C, "Preciso tentar roubá-lo, mas não cometi esse crime", é uma conjunção (p∧∼qp \land \sim q), não uma disjunção. A regra do "ou" exige o conectivo "ou" (∨\lor), não o "e" (∧\land). Além disso, a conjunção p∧∼qp \land \sim q é a negação da condicional original ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q (pois ∼(∼p→∼q)≡∼p∧q\sim(\sim p \rightarrow \sim q) \equiv \sim p \land q), o que a torna exatamente o oposto lógico da proposição correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D, "Se não cometi esse crime, não preciso tentar roubá-lo", é a recíproca de P4. P4 é ∼p→∼q\sim p \rightarrow \sim q; a recíproca seria ∼q→∼p\sim q \rightarrow \sim p, que é exatamente o que a alternativa D apresenta. A recíproca de uma condicional não é logicamente equivalente a ela. A banca inverte a ordem dos termos sem negar, criando uma armadilha clássica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E, "Precisava tentar roubá-lo e cometi esse crime", é uma conjunção (p∧qp \land q), não uma disjunção. Além disso, ela afirma que ambas as proposições são verdadeiras, o que não tem relação com a equivalência lógica da condicional. A regra do "ou" exige o conectivo "ou" (∨\lor), não o "e" (∧\land). A banca troca o conectivo e nega incorretamente, criando uma alternativa que não corresponde a nenhuma transformação válida.

Gabarito: letra A

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