Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — CESPE / CEBRASPE 2024
Raciocínio Lógico›Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
ce403496
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC PE
Ano
2024
Cargo
Ag Pol ( )
Pablo, estudante de direito aprovado em concurso público, foi preso por suspeita de tentativa de roubo, à mão armada, de um celular avaliado em R$ 800,00. Seu nome, o de sua mãe, sua idade e seu local de nascimento coincidiam com as informações apuradas na investigação. Além disso, dados de localização do celular de Pablo, um aparelho de última geração avaliado em mais de R$ 5 mil, indicaram que ele estava na cidade na época do crime.
Em sua defesa, ele alegou o que se segue.
P1: “Eu estava na cidade porque fui fazer concurso público.”
P2: “Meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar.”
P3: “Se meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar, não preciso tentar roubá-lo.”
P4: “Se não preciso tentar roubá-lo, não cometi esse crime.”
C: “Logo, não cometi esse crime.”
A partir dos dados da situação hipotética acima e do argumento construído por Pablo em sua defesa, assinale a opção correta.
ASob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, o que evidencia que Pablo é culpado.
BSob o ponto de vista lógico, o argumento é válido, o que isenta Pablo de culpa.
CSob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, mas isso não evidencia a culpa de Pablo.
DO argumento é válido, mas isso não isenta nem evidencia a culpa de Pablo.
ESob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, o que indica que Pablo precisará juntar novos elementos para provar sua inocência.
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GabaritoD — O argumento é válido, mas isso não isenta nem evidencia a culpa de Pablo.
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Lógica de Argumentação: Validade do Argumento de Pablo
Gabarito: letra D. O argumento construído por Pablo é válido do ponto de vista lógico, pois a conclusão decorre necessariamente das premissas, mas isso não isenta nem evidencia sua culpa — a validade lógica apenas garante a correção formal do raciocínio, não a veracidade dos fatos. A estrutura do argumento é um modus ponens encadeado: P2 → P3 → P4 → C, e a validade é verificada pelo método da tabela-verdade ou pela regra da conclusão falsa.
O que está em jogo aqui é o conceito de validade de um argumento, que é uma propriedade puramente formal. Um argumento é válido quando, se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão necessariamente também será verdadeira. Isso não significa que as premissas sejam verdadeiras no mundo real — apenas que a estrutura lógica é correta. No caso, as premissas de Pablo são: P2 ("Meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar"), P3 ("Se meu celular vale muito mais, não preciso tentar roubá-lo") e P4 ("Se não preciso tentar roubá-lo, não cometi esse crime"). Simbolicamente, temos: P2 → P3, P3 → P4, e a conclusão C é P4. Isso é um silogismo hipotético puro, que é uma forma válida de argumento.
Para verificar a validade, podemos usar o método da tabela-verdade ou o método da conclusão falsa. No método da conclusão falsa, assumimos que a conclusão é falsa e verificamos se isso é compatível com todas as premissas verdadeiras. Se for compatível, o argumento é inválido; se não for, é válido. No caso, se a conclusão "não cometi esse crime" for falsa, então "cometi esse crime" é verdadeiro. Mas isso contradiz a premissa P4, que afirma que se não preciso tentar roubá-lo, então não cometi o crime. Como a premissa P4 é considerada verdadeira, a conclusão não pode ser falsa. Portanto, o argumento é válido.
A pegadinha da questão está em confundir validade lógica com verdade factual. A validade lógica não prova que Pablo é inocente; apenas mostra que, se as premissas que ele apresentou forem verdadeiras, a conclusão segue logicamente. Mas as premissas podem ser falsas — por exemplo, a premissa P2 pode ser falsa se o celular que ele tentou roubar valer mais que o dele, ou a premissa P3 pode ser falsa se ele precisasse roubar por outros motivos. Portanto, o argumento válido não isenta Pablo de culpa, nem o evidencia como culpado. A culpa ou inocência depende da veracidade das premissas, que é uma questão de fato, não de lógica.
A distinção crucial é entre validade (forma) e verdade (conteúdo). Um argumento pode ser válido com premissas falsas, e inválido com premissas verdadeiras. A validade é uma propriedade da estrutura, enquanto a verdade é uma propriedade das proposições. No contexto jurídico, a validade do argumento de defesa não é suficiente para absolver o réu; é necessário que as premissas sejam comprovadas como verdadeiras. É exatamente essa distinção que a alternativa D captura: o argumento é válido, mas isso não resolve a questão da culpa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre validade lógica e verdade factual. O candidato pode pensar que, se o argumento é válido, então Pablo é inocente (alternativa B), ou que, se é inválido, então ele é culpado (alternativa A). Mas a validade lógica não diz nada sobre a veracidade das premissas. O argumento pode ser válido e ainda assim as premissas serem falsas, o que não prova a inocência. A alternativa D é a única que separa corretamente a forma do conteúdo.
Caso
Premissas (P2, P3, P4)
Conclusão (C)
Resultado
1
P2 = V, P3 = V, P4 = V
C = V
Consistente
2
P2 = V, P3 = V, P4 = V
C = F
Contradição
3
P2 = F, P3 = V, P4 = V
C = V
Consistente
4
P2 = F, P3 = F, P4 = V
C = V
Consistente
1P2: celular vale mais
2P3: não precisa roubar
3P4: não cometeu crime
4C: conclusão válida
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o argumento não é válido e que isso evidencia a culpa de Pablo. Há dois erros: primeiro, o argumento é válido (é um silogismo hipotético); segundo, mesmo que fosse inválido, isso não evidenciaria a culpa — a invalidade lógica apenas indicaria que a conclusão não decorre das premissas, mas não prova que a conclusão é falsa. A culpa é uma questão de fato, não de lógica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o argumento é válido e que isso isenta Pablo de culpa. O primeiro ponto está correto (o argumento é válido), mas o segundo está errado: a validade lógica não isenta ninguém de culpa. A validade apenas garante que, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é verdadeira. Mas as premissas podem ser falsas, e a culpa depende da veracidade delas, não da forma do argumento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o argumento não é válido, mas que isso não evidencia a culpa. O erro está na primeira parte: o argumento é válido. A segunda parte está correta (a invalidade não evidenciaria culpa), mas como a premissa inicial está errada, a alternativa como um todo é incorreta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o argumento é válido, mas que isso não isenta nem evidencia a culpa de Pablo. Esta é a resposta correta. O argumento é formalmente válido (a conclusão segue das premissas), mas a validade lógica não tem relação com a verdade factual das premissas. A culpa ou inocência de Pablo depende de as premissas serem verdadeiras, o que não é estabelecido pela lógica. A alternativa separa corretamente a forma (validade) do conteúdo (verdade).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o argumento não é válido e que Pablo precisará juntar novos elementos para provar sua inocência. O erro está na primeira parte: o argumento é válido. A segunda parte é uma conclusão prática que não decorre da premissa errada. Além disso, mesmo que o argumento fosse inválido, isso não significaria que ele precisaria juntar novos elementos — a invalidade lógica não implica necessidade de novas provas, apenas indica que a conclusão não segue das premissas.