Questão de Raciocínio Lógico — Outras Questões de Lógica de Argumentação — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce403501
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Pref Cach Itapemirim
- Ano
- 2024
- Cargo
- PEB ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento de Euler não é um silogismo, pois não possui a estrutura formal de duas premissas e uma conclusão que caracteriza o silogismo aristotélico. A afirmação de Euler é uma falácia de autoridade ou um argumento ad ignorantiam, que usa uma fórmula matemática aparentemente complexa para impressionar e silenciar o interlocutor, sem estabelecer uma relação lógica válida entre a premissa e a conclusão.
O silogismo é uma forma de raciocínio dedutivo formalizado por Aristóteles, que consiste em um argumento composto por duas premissas (uma maior e uma menor) e uma conclusão que delas decorre necessariamente. A estrutura clássica é: "Todo homem é mortal (premissa maior); Sócrates é homem (premissa menor); logo, Sócrates é mortal (conclusão)". A validade do silogismo depende da forma lógica, não do conteúdo das proposições.
No caso de Euler, a "premissa" é uma equação matemática sem relação lógica com a conclusão "Deus existe". Não há uma conexão formal entre a fórmula e a existência divina; a intenção é usar a autoridade da matemática para impressionar Diderot, que não dominava essa linguagem. Isso configura uma falácia de autoridade (argumentum ad verecundiam) ou uma falácia de ignorância (argumentum ad ignorantiam), pois a conclusão não é derivada das premissas, mas da incapacidade do interlocutor de refutar a afirmação.
A banca explora a confusão entre "argumento" e "silogismo". Todo silogismo é um argumento, mas nem todo argumento é um silogismo. O silogismo é um tipo específico de argumento dedutivo com estrutura rígida (duas premissas categóricas e uma conclusão). O argumento de Euler é um argumento inválido, pois a conclusão não decorre das premissas, mas é apresentado como se fosse uma prova lógica.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que qualquer argumento com premissas e conclusão é um silogismo. O silogismo exige uma estrutura formal específica (duas premissas categóricas e uma conclusão), e o argumento de Euler não a possui — é uma falácia de autoridade, não um silogismo.
Caso | Estrutura do argumento | Relação premissa-conclusão | Classificação |
|---|---|---|---|
Silogismo aristotélico | Duas premissas categóricas + conclusão | Conclusão decorre necessariamente das premissas | Válido (dedutivo) |
Argumento de Euler | Uma fórmula matemática + conclusão "Deus existe" | Sem conexão lógica entre premissa e conclusão | Inválido (falácia de autoridade) |
O item afirma que o argumento de Euler "foi introduzido por Aristóteles e é denominado silogismo". Isso está errado por dois motivos:
Não é um silogismo: O silogismo aristotélico é um argumento dedutivo com exatamente duas premissas e uma conclusão, onde a conclusão decorre necessariamente das premissas. O argumento de Euler é uma equação matemática sem relação lógica com a conclusão "Deus existe". Não há uma estrutura silogística.
Não foi introduzido por Aristóteles: O silogismo foi formalizado por Aristóteles, mas o argumento de Euler não é um silogismo. A fórmula matemática usada por Euler é uma falácia de autoridade (argumentum ad verecundiam), pois apela à autoridade da matemática para impressionar Diderot, sem estabelecer uma conexão lógica válida.
O que Euler fez foi usar uma premissa aparentemente científica (a fórmula) para concluir algo que não tem relação lógica com ela (a existência de Deus). Isso é uma falácia, não um silogismo.
Gabarito: letra E (ERRADO)
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