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Questão de Raciocínio Lógico — Outras Questões de Lógica de Argumentação — CESPE / CEBRASPE 2024

Raciocínio LógicoOutras Questões de Lógica de Argumentação
Código
ce403501
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Cach Itapemirim
Ano
2024
Cargo
PEB ( )
Durante o reinado da imperatriz russa Catarina II, o famoso matemático Leonhard Euler foi convidado pela própria rainha para confrontar o grande filósofo francês Denis Diderot, que, com sua habilidade de argumentação, estava convencendo muitos russos ao ateísmo. Em um debate teológico no palácio, que reuniu grandes nomes da aristocracia russa, os dois se apresentaram. Euler iniciou o debate argumentando assim: “Senhor, { \large a + b^n \over n} = xportanto Deus existe; refute!” Conta-se que não entendo a afirmação de Euler, Diderot deixou São Petersburgo. A afirmação de Euler, que não está associada necessariamente à existência de Deus, serviu aos propósitos de Catarina e Euler, devido à pouca habilidade de Diderot com a lógica matemática. À luz do texto acima, julgue o próximo item. O argumento usado por Euler no caso em questão foi introduzido por Aristóteles e é denominado silogismo.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lógica de Argumentação: Silogismo e a Falácia de Euler

Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento de Euler não é um silogismo, pois não possui a estrutura formal de duas premissas e uma conclusão que caracteriza o silogismo aristotélico. A afirmação de Euler é uma falácia de autoridade ou um argumento ad ignorantiam, que usa uma fórmula matemática aparentemente complexa para impressionar e silenciar o interlocutor, sem estabelecer uma relação lógica válida entre a premissa e a conclusão.

O silogismo é uma forma de raciocínio dedutivo formalizado por Aristóteles, que consiste em um argumento composto por duas premissas (uma maior e uma menor) e uma conclusão que delas decorre necessariamente. A estrutura clássica é: "Todo homem é mortal (premissa maior); Sócrates é homem (premissa menor); logo, Sócrates é mortal (conclusão)". A validade do silogismo depende da forma lógica, não do conteúdo das proposições.

No caso de Euler, a "premissa" é uma equação matemática sem relação lógica com a conclusão "Deus existe". Não há uma conexão formal entre a fórmula e a existência divina; a intenção é usar a autoridade da matemática para impressionar Diderot, que não dominava essa linguagem. Isso configura uma falácia de autoridade (argumentum ad verecundiam) ou uma falácia de ignorância (argumentum ad ignorantiam), pois a conclusão não é derivada das premissas, mas da incapacidade do interlocutor de refutar a afirmação.

A banca explora a confusão entre "argumento" e "silogismo". Todo silogismo é um argumento, mas nem todo argumento é um silogismo. O silogismo é um tipo específico de argumento dedutivo com estrutura rígida (duas premissas categóricas e uma conclusão). O argumento de Euler é um argumento inválido, pois a conclusão não decorre das premissas, mas é apresentado como se fosse uma prova lógica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que qualquer argumento com premissas e conclusão é um silogismo. O silogismo exige uma estrutura formal específica (duas premissas categóricas e uma conclusão), e o argumento de Euler não a possui — é uma falácia de autoridade, não um silogismo.

Caso

Estrutura do argumento

Relação premissa-conclusão

Classificação

Silogismo aristotélico

Duas premissas categóricas + conclusão

Conclusão decorre necessariamente das premissas

Válido (dedutivo)

Argumento de Euler

Uma fórmula matemática + conclusão "Deus existe"

Sem conexão lógica entre premissa e conclusão

Inválido (falácia de autoridade)

1Não é silogismo
Sem 2 premissas + conclusão
Sem relação lógica premissa-conclusão
2É falácia
Argumentum ad verecundiam (autoridade)
Argumentum ad ignorantiam (ignorância)
3Silogismo (Aristóteles)
Premissa maior
Premissa menor
Conclusão necessária
Argumento de Euler
LEVELsoulevel.com.br
Argumento de Euler: Não é silogismo (Sem 2 premissas + conclusão, Sem relação lógica premissa-conclusão); É falácia (Argumentum ad verecundiam (autoridade), Argumentum ad ignorantiam (ignorância)); Silogismo (Aristóteles) (Premissa maior, Premissa menor, Conclusão necessária)

Item — ❌ Errado

O item afirma que o argumento de Euler "foi introduzido por Aristóteles e é denominado silogismo". Isso está errado por dois motivos:

  1. Não é um silogismo: O silogismo aristotélico é um argumento dedutivo com exatamente duas premissas e uma conclusão, onde a conclusão decorre necessariamente das premissas. O argumento de Euler é uma equação matemática sem relação lógica com a conclusão "Deus existe". Não há uma estrutura silogística.

  1. Não foi introduzido por Aristóteles: O silogismo foi formalizado por Aristóteles, mas o argumento de Euler não é um silogismo. A fórmula matemática usada por Euler é uma falácia de autoridade (argumentum ad verecundiam), pois apela à autoridade da matemática para impressionar Diderot, sem estabelecer uma conexão lógica válida.

O que Euler fez foi usar uma premissa aparentemente científica (a fórmula) para concluir algo que não tem relação lógica com ela (a existência de Deus). Isso é uma falácia, não um silogismo.

Gabarito: letra E (ERRADO)

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