Questão de Sistemas Operacionais — Linux — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce404137
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- BACEN
- Ano
- 2024
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. O comando dpkg é uma ferramenta de baixo nível do Debian/Ubuntu que instala pacotes .deb individuais, mas não resolve automaticamente as dependências — se um pacote exigir bibliotecas ou outros pacotes que não estejam instalados, o dpkg falhará ou exigirá intervenção manual. Quem gerencia dependências de forma automática são os gerenciadores de alto nível, como apt, apt-get e aptitude, que consultam os repositórios e instalam tudo o que for necessário.
O dpkg (abreviação de Debian Package) é o utilitário base do sistema de pacotes das distribuições derivadas do Debian, como Ubuntu e Linux Mint. Ele opera diretamente sobre arquivos .deb, permitindo instalar, remover, listar e verificar pacotes. Porém, sua atuação é isolada: ele não conhece os repositórios nem o estado completo das dependências do sistema. Quando você executa dpkg -i pacote.deb, o sistema tenta instalar apenas aquele arquivo; se houver dependências não satisfeitas, o comando retorna erro, informando quais pacotes estão faltando. Para contornar isso, o administrador pode usar dpkg --force-depends, mas isso é uma exceção perigosa, pois pode deixar o sistema em estado inconsistente.
Os gerenciadores de alto nível, como apt e apt-get, são construídos sobre o dpkg. Eles resolvem o problema das dependências de forma automática: ao instalar um pacote, o apt consulta os repositórios configurados, identifica todas as dependências, baixa e instala cada uma delas na ordem correta. O apt também lida com conflitos, recomendações e sugestões, oferecendo ao administrador a opção de confirmar ou não a instalação das dependências recomendadas. Essa é a diferença fundamental: o dpkg é uma ferramenta de manipulação de pacotes, enquanto o apt é um gerenciador de pacotes completo.
Na prática, um administrador raramente usa dpkg diretamente para instalar software — isso é feito com apt install nome-do-pacote. O dpkg é mais utilizado para inspecionar pacotes já instalados (dpkg -l, dpkg -L, dpkg -s), extrair arquivos de um .deb ou instalar um pacote local específico quando se sabe que as dependências já estão presentes. A confusão entre dpkg e apt é uma pegadinha clássica em provas de concursos, pois ambos lidam com pacotes, mas têm papéis bem distintos.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que "o Linux instala dependências automaticamente" pode marcar como certo, mas essa característica é do apt, não do dpkg. O dpkg é uma ferramenta de baixo nível que não resolve dependências por conta própria. Guarde essa distinção: dpkg = instala o pacote isolado; apt = instala o pacote e todas as suas dependências.
A afirmação diz que "ao se executar o comando dpkg, todas as dependências do pacote solicitado são instaladas, sem a necessidade de confirmação do administrador". Isso está incorreto por dois motivos: primeiro, o dpkg não instala dependências automaticamente — ele apenas instala o pacote .deb especificado, e se houver dependências faltantes, o comando falha; segundo, a instalação de dependências automática é função do apt/apt-get, que também solicita confirmação do administrador antes de prosseguir (a menos que se use a opção -y). Portanto, a afirmação atribui ao dpkg uma característica que pertence ao apt, e ainda erra ao dizer que não há confirmação.
Para diferenciar na prova, lembre-se: dpkg é o "martelo" que instala um pacote específico; apt é o "carrinho de compras" que busca o pacote e tudo que ele precisa nos repositórios. Se a questão falar em "dependências instaladas automaticamente", o comando é apt, apt-get ou aptitude — nunca dpkg.
Gabarito: ERRADO.
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