Questão de Biologia — Biotecnologia Cinza (Biotecnologia Ambiental) — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce405897
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq A-I ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: a lignina é um biopolímero complexo e recalcitrante, formado por subunidades de fenilpropano (unidades aromáticas), e sua degradação no solo é mediada por enzimas oxidativas como lacases e peroxidases, produzidas principalmente por fungos da decomposição da serrapilheira.
A lignina é um dos polímeros mais abundantes da natureza, presente na parede celular de plantas vasculares, onde confere rigidez, impermeabilidade e resistência ao ataque microbiano. Essa resistência é justamente o que a torna "recalcitrante" — ou seja, de difícil degradação. Diferentemente de outros componentes vegetais como celulose, hemicelulose e pectina, que são polissacarídeos relativamente fáceis de quebrar, a lignina é um polímero aromático altamente ramificado e irregular, sem repetição regular de monômeros, o que dificulta a ação de enzimas hidrolíticas específicas.
A estrutura da lignina é composta por unidades de fenilpropano, derivadas principalmente de três álcoois: álcool coniferílico, álcool sinapílico e álcool p-cumarílico. Essas unidades se ligam por diferentes tipos de ligações (β-O-4, β-β, β-5, entre outras), formando uma rede tridimensional complexa. Por ser um polímero aromático, sua degradação não ocorre por hidrólise, mas sim por oxidação. As enzimas-chave nesse processo são as lacases (oxidação mediada por cobre) e as peroxidases (como a lignina peroxidase e a manganês peroxidase, que utilizam peróxido de hidrogênio), produzidas principalmente por fungos de podridão branca (Basidiomycota). Essas enzimas geram radicais livres que quebram as ligações da lignina, permitindo sua mineralização.
No contexto da decomposição de resíduos orgânicos no solo, a lignina é o componente mais resistente e, portanto, o que mais retarda o processo. Estudos de decomposição de serrapilheira mostram que, enquanto pectinas e hemiceluloses são decompostas rapidamente nos primeiros meses, a lignina é degradada apenas nas fases intermediária e final, quando fungos especializados (Basidiomycota) se tornam dominantes. A atividade de enzimas ligninolíticas, como a lacase, é um indicador direto dessa fase tardia da decomposição.
A pegadinha que a banca poderia explorar aqui seria inverter os conceitos: afirmar que a lignina é um polissacarídeo (como celulose) ou que é degradada por hidrolases (como celulases). A questão, no entanto, apresenta a descrição correta: biopolímero recalcitrante, subunidades aromáticas de fenilpropano, e degradação por lacases e peroxidases. Todos os elementos estão corretos e coerentes com o conhecimento científico estabelecido.
Para questões sobre decomposição, lembre-se da ordem de degradabilidade: açúcares simples e amido > proteínas > pectina e hemicelulose > celulose > lignina. A lignina é sempre o "gargalo" do processo, e sua quebra depende de enzimas oxidativas (lacases e peroxidases), não hidrolíticas. Se a alternativa citar hidrólise para lignina, está errada.
✅ CERTO — A afirmativa descreve com precisão a natureza química da lignina (biopolímero recalcitrante de unidades de fenilpropano) e as enzimas responsáveis por sua degradação (lacases e peroxidases), confirmando o gabarito.
Gabarito: CERTO
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