Quasispécies virais e resistência a antivirais
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque a resistência a tratamentos antivirais pode, de fato, ser consequência de mutações gênicas nos vírus. O texto-base descreve as quasispécies virais como populações dinâmicas de genomas mutantes submetidas à seleção natural, e é exatamente essa alta taxa de mutação que pode gerar variantes resistentes aos medicamentos.
O conceito de quasispécies é central para entender a afirmação. Quasispécies são populações virais compostas por um conjunto de genomas mutantes, não idênticos entre si, que competem e são selecionados continuamente. Essa dinâmica é resultado de altas taxas de mutação, que ocorrem principalmente em vírus de RNA, cujas polimerases não possuem atividade de revisão (proofreading), ao contrário das DNA polimerases. Cada ciclo de replicação gera erros, produzindo uma nuvem de variantes genéticas em torno de uma sequência consenso.
A seleção natural atua sobre essa nuvem de variantes: quando um antiviral é administrado, a pressão seletiva favorece as variantes que possuem mutações que conferem resistência. Essas variantes, mesmo que inicialmente minoritárias, podem se tornar predominantes na população, tornando o tratamento ineficaz. Esse é o mesmo princípio da resistência bacteriana a antibióticos, mas nos vírus o processo é acelerado pela alta taxa de mutação.
A resistência viral a antivirais é um problema clínico relevante. Por exemplo, no tratamento da AIDS, o HIV pode desenvolver resistência a inibidores de protease ou transcriptase reversa devido a mutações pontuais em seus genes. Da mesma forma, o vírus da gripe pode se tornar resistente ao oseltamivir. A compreensão da dinâmica de quasispécies é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas, como a terapia combinada, que visa reduzir a probabilidade de surgimento de resistência.
A pegadinha desta questão é sutil: o texto fala de "mutagênese" e "quasispécies", termos que podem parecer distantes da prática clínica. No entanto, a conexão é direta — a mutagênese é a fonte da variabilidade genética que, sob pressão seletiva de antivirais, gera resistência. O candidato que não estabelece essa ponte pode marcar "errado" por achar que a afirmação é genérica demais, mas ela é uma consequência lógica e bem documentada da biologia viral.
Item — ✅ CERTO
A afirmação "A resistência a tratamentos antivirais pode ser consequência de mutações gênicas nos vírus" está correta. As mutações gênicas são a fonte primária de variabilidade genética nos vírus, e quando essas mutações ocorrem em genes que codificam proteínas-alvo dos antivirais, podem conferir resistência. O texto-base reforça essa ideia ao descrever as quasispécies como populações de genomas mutantes submetidas à seleção natural — a seleção, no contexto de tratamento antiviral, favorece justamente as variantes resistentes.
Gabarito: CERTO