Questão de Biologia — Mutações, Agentes Mutagênicos e Sistemas de Reparo — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Mutações, Agentes Mutagênicos e Sistemas de Reparo
Código
ce405902
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Cargo
Tecno P-2 ( )
Quais espécies virais são distribuições dinâmicas de genomas virais mutantes não idênticos, submetidos a um processo contínuo de seleção natural. São resultado de altas taxas de mutação causadas por erros na replicação. Evidências experimentais revelaram que as populações virais consistem em muitos genomas mutantes, cuja frequência varia com o tempo de replicação. A dinâmica das quasi espécies revelou complexidades no comportamento das populações virais, com consequências para os mecanismos de doenças e estratégias de controle.
Historical Perspective on the Discovery of the Quasispecies Concept. 2021,
Considerando inicialmente as informações do texto apresentado, julgue o item que se segue, relativo a mutagênese.
Agentes que promovem a mutagênese letal viral aumentam a taxa de erro das polimerases presentes no contexto da infecção.
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GabaritoE — Errado
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Quasiespécies virais e mutagênese letal
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque os agentes que promovem a mutagênese letal viral não aumentam a taxa de erro das polimerases "presentes no contexto da infecção" — eles atuam como análogos de nucleosídeos, incorporando-se ao RNA viral durante a replicação e causando mutações letais. O erro está em atribuir o mecanismo de ação ao aumento da taxa de erro das polimerases, quando na verdade a mutagênese letal se dá pela incorporação de bases modificadas que geram mutações catastróficas no genoma viral.
O conceito de quasiespécies virais, descrito no texto, refere-se a populações virais compostas por um conjunto de genomas mutantes não idênticos, que coexistem e são submetidos à seleção natural. Essa diversidade genética é consequência das altas taxas de mutação dos vírus de RNA, que ocorrem devido à ausência de atividade de revisão (proofreading) em suas polimerases. A RNA polimerase dependente de RNA (RdRp) dos vírus de RNA tem uma taxa de erro muito maior que a das DNA polimerases, gerando uma nuvem de mutantes em torno de uma sequência consenso.
A mutagênese letal é uma estratégia antiviral que explora justamente essa alta taxa de mutação. Ao introduzir análogos de nucleosídeos no meio de replicação, esses compostos são incorporados ao RNA viral em vez dos nucleotídeos normais. Quando isso ocorre, a polimerase viral incorpora o análogo, mas a base modificada não pareia corretamente com a base complementar, gerando mutações. Se a taxa de mutação ultrapassa um limiar crítico, chamado de limiar de erro, a população viral não consegue manter a integridade do genoma e entra em colapso — é a chamada "catástrofe de erro" ou "mutagênese letal".
O ponto central da questão é o mecanismo de ação. A mutagênese letal não aumenta a taxa de erro da polimerase em si — a polimerase continua com a mesma taxa de erro intrínseca. O que acontece é que os análogos de nucleosídeos são incorporados ao RNA, e quando a polimerase tenta copiar essa base modificada, ela não consegue parear corretamente, introduzindo mutações. Ou seja, o aumento da taxa de mutação observado não se deve a uma alteração na fidelidade da polimerase, mas sim à incorporação de bases análogas que são mutagênicas por natureza.
Um exemplo clássico é a ribavirina, um análogo de nucleosídeo usado no tratamento de infecções por vírus de RNA. A ribavirina é incorporada pela RdRp viral e pode parear com uracila ou citosina, gerando mutações de transição. Em altas concentrações, a ribavirina induz mutagênese letal no vírus da hepatite C e em outros vírus de RNA. Outro exemplo é a 5-fluorouracila, que também é incorporada ao RNA e causa mutações.
A pegadinha da questão está em atribuir o efeito mutagênico a um aumento da taxa de erro da polimerase. A banca quer que o candidato entenda que a mutagênese letal é um processo que envolve a incorporação de análogos de nucleosídeos, e não uma alteração na fidelidade da enzima. A polimerase viral continua com sua taxa de erro natural — o que muda é que os substratos disponíveis para a replicação são mutagênicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o mecanismo de ação: a mutagênese letal não aumenta a taxa de erro da polimerase, mas sim introduz análogos de nucleosídeos que são incorporados ao RNA viral, gerando mutações. O candidato que confunde o mecanismo cai na armadilha e marca "Certo".
Item — ❌ ERRADO
A afirmação está incorreta porque os agentes que promovem a mutagênese letal viral não aumentam a taxa de erro das polimerases presentes no contexto da infecção. O mecanismo correto é a incorporação de análogos de nucleosídeos ao RNA viral durante a replicação, o que gera mutações letais. A polimerase viral mantém sua taxa de erro intrínseca — o que muda é que os substratos disponíveis são mutagênicos, levando a uma taxa de mutação acima do limiar de erro e ao colapso da população viral.