Questão de Biologia — Características dos Vírus — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Características dos Vírus
Código
ce405904
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Cargo
Tecno P-2 ( )
Quais espécies virais são distribuições dinâmicas de genomas virais mutantes não idênticos, submetidos a um processo contínuo de seleção natural. São resultado de altas taxas de mutação causadas por erros na replicação. Evidências experimentais revelaram que as populações virais consistem em muitos genomas mutantes, cuja frequência varia com o tempo de replicação. A dinâmica das quasi espécies revelou complexidades no comportamento das populações virais, com consequências para os mecanismos de doenças e estratégias de controle.
Historical Perspective on the Discovery of the Quasispecies Concept. 2021,
Considerando inicialmente as informações do texto apresentado, julgue o item que se segue, relativo a mutagênese.
A interação entre o vírus e os genes do hospedeiro pode tanto ter um efeito aditivo como não aditivo, a exemplo da epistasia.
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GabaritoC — Certo
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Quasiespécies virais e epistasia
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque a interação entre o vírus e os genes do hospedeiro pode, de fato, ter efeito aditivo ou não aditivo, sendo a epistasia um exemplo clássico de interação não aditiva entre genes. O texto introdutório, ao descrever a dinâmica de quasiespécies e a mutagênese, contextualiza a complexidade genética viral, e a assertiva explora corretamente um conceito de genética de populações aplicado a essa interação.
A questão aborda dois conceitos centrais da biologia molecular e evolutiva: quasiespécies virais e epistasia. As quasiespécies são populações de vírus que não possuem um genoma único e idêntico, mas sim uma distribuição dinâmica de genomas mutantes, gerados por altas taxas de erro durante a replicação. Essa nuvem de mutantes é submetida à seleção natural, e a frequência de cada variante varia ao longo do tempo de replicação. Esse conceito é fundamental para entender a alta capacidade de adaptação dos vírus, como o HIV e o vírus da gripe, e as dificuldades no desenvolvimento de vacinas e tratamentos eficazes.
A epistasia, por sua vez, é um fenômeno genético em que o efeito de um gene (ou mutação) é modificado pela presença de um ou mais genes em outros loci. Em outras palavras, o efeito de uma mutação não é independente do contexto genético em que ela ocorre. Quando o efeito combinado de dois genes é simplesmente a soma de seus efeitos individuais, dizemos que a interação é aditiva. Quando o efeito combinado difere dessa soma, a interação é não aditiva, e a epistasia é o principal mecanismo que gera essa não aditividade.
No contexto da interação vírus-hospedeiro, a epistasia pode ocorrer de diversas formas. Por exemplo, uma mutação no genoma viral pode ter um efeito diferente dependendo de qual variante do gene do hospedeiro está presente. Um vírus pode ser mais virulento em um hospedeiro com um determinado genótipo, mas menos virulento em outro. Da mesma forma, mutações no vírus podem interagir entre si, de modo que uma mutação que é deletéria sozinha pode se tornar benéfica na presença de outra mutação. Essa complexidade tem implicações diretas para a evolução viral e para o desenvolvimento de estratégias de controle, como o uso de antivirais, que podem selecionar mutações de escape que interagem de forma epistática.
A banca explora aqui a compreensão de que a genética de populações, incluindo conceitos como epistasia, se aplica não apenas a organismos multicelulares, mas também a vírus, que são sistemas biológicos com genomas que evoluem sob pressão seletiva. A assertiva está correta ao afirmar que a interação entre vírus e genes do hospedeiro pode ter efeito aditivo ou não aditivo, e a epistasia é um exemplo claro de interação não aditiva. Portanto, o item deve ser julgado como CERTO.