Questão de Biologia — Organelas Citoplasmáticas — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406042
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, embora os peroxissomos desempenhem funções na β-oxidação de ácidos graxos e na desintoxicação celular, eles não possuem DNA próprio nem ribossomos — portanto, não conseguem sintetizar suas próprias proteínas de forma autônoma. Essa capacidade é exclusiva de mitocôndrias e cloroplastos, organelas que contêm material genético próprio e ribossomos, conforme a teoria endossimbiótica.
Os peroxissomos são organelas membranosas presentes em praticamente todas as células eucarióticas, caracterizadas por conterem enzimas oxidases que utilizam oxigênio molecular para oxidar substratos orgânicos. Suas principais funções são a oxidação de ácidos graxos (β-oxidação) e a desintoxicação celular, especialmente a degradação do peróxido de hidrogênio (H₂O₂), uma substância tóxica produzida durante o metabolismo. No entanto, diferentemente das mitocôndrias e dos cloroplastos, os peroxissomos não possuem genoma próprio — todo o seu conteúdo proteico é codificado por genes nucleares, sintetizado por ribossomos citoplasmáticos livres e importado para a organela por mecanismos de importação pós-traducional.
A confusão entre peroxissomos e as organelas semiautônomas (mitocôndrias e cloroplastos) é um erro clássico. Mitocôndrias e cloroplastos possuem DNA circular próprio, ribossomos semelhantes aos bacterianos e capacidade de sintetizar parte de suas proteínas internamente — características herdadas de seus ancestrais procarióticos, conforme a teoria endossimbiótica. Os peroxissomos, por sua vez, embora também sejam organelas que se multiplicam por fissão, dependem inteiramente do núcleo para a produção de suas proteínas. Essa distinção é fundamental para entender a hierarquia de autonomia entre as organelas.
Na prática, a banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que sabe que peroxissomos fazem β-oxidação e desintoxicação pode ser levado a aceitar a premissa de que também são autônomos na síntese proteica. Mas a autonomia genética é um privilégio de poucas organelas — apenas mitocôndrias e plastos (cloroplastos) —, e os peroxissomos não estão nesse grupo. Guarde essa distinção: autonomia proteica (DNA + ribossomos próprios) é exclusiva de mitocôndrias e cloroplastos; peroxissomos são dependentes do núcleo.
A assertiva comete um erro duplo: atribui aos peroxissomos a capacidade de sintetizar suas próprias proteínas, o que é falso, pois eles não possuem DNA nem ribossomos. Embora as funções mencionadas (β-oxidação de ácidos graxos e desintoxicação celular) estejam corretas, a premissa da autonomia proteica é incorreta. Mitocôndrias e cloroplastos, sim, possuem DNA próprio e ribossomos, sendo capazes de sintetizar parte de suas proteínas — mas os peroxissomos não compartilham dessa característica.
A banca mistura características de organelas diferentes: atribui aos peroxissomos a autonomia genética que é exclusiva de mitocôndrias e cloroplastos. O candidato que conhece as funções dos peroxissomos (β-oxidação e desintoxicação) pode aceitar a premissa falsa sem perceber a troca. Fique atento: a presença de DNA e ribossomos próprios é o critério que separa as organelas semiautônomas das demais.
Para não errar, memorize o grupo das organelas com autonomia genética: mitocôndrias e cloroplastos (e, em alguns contextos, plastos em geral). Todas as outras organelas — peroxissomos, lisossomos, retículo endoplasmático, complexo de Golgi — dependem do núcleo para suas proteínas. Quando a questão falar em "síntese autônoma de proteínas", pergunte-se: essa organela tem DNA e ribossomos próprios? Se não, a afirmação é falsa.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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