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Questão de Biologia — Fitopatologia e Fitossanidade — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaFitopatologia e Fitossanidade
Código
ce406084
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Pesq ( )
Em relação a interações entre vírus e plantas, julgue o item a seguir.   A obtenção de plantas resistentes à infecção viral é tarefa complexa em razão da rápida evolução de viroses e da natureza de parasita obrigatório dos vírus.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interações entre vírus e plantas: resistência e evolução viral

Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque a obtenção de plantas resistentes a vírus é, de fato, uma tarefa complexa, e isso se deve a dois fatores interligados: a rápida evolução das viroses (que gera novas variantes capazes de quebrar a resistência) e a natureza de parasita intracelular obrigatório dos vírus (que os torna intrinsecamente ligados ao metabolismo da célula hospedeira, dificultando a criação de barreiras sem prejudicar a planta). Essa é uma característica fundamental da fitopatologia e da biologia dos vírus.

Para entender por que essa afirmação é verdadeira, é preciso compreender o que torna os vírus tão desafiadores no contexto agrícola. Primeiro, os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios: eles não possuem maquinaria metabólica própria e dependem completamente da célula hospedeira para se replicar. Isso significa que, para uma planta ser resistente, ela precisa bloquear a entrada, a replicação ou a disseminação do vírus em nível celular, sem que isso comprometa suas próprias funções vitais. É um equilíbrio delicado, pois o vírus "sequestra" processos celulares essenciais.

Em segundo lugar, a rápida evolução viral é um obstáculo enorme. Os vírus de RNA, por exemplo, têm altas taxas de mutação porque suas polimerases não possuem atividade de revisão (proofreading). Isso gera uma enorme variabilidade genética, permitindo que novas variantes surjam constantemente. Uma planta que desenvolve resistência a uma cepa específica pode, em pouco tempo, ser infectada por uma nova variante que escapa dessa resistência. É uma verdadeira "corrida armamentista" coevolutiva: a planta desenvolve uma defesa, e o vírus evolui para superá-la.

Na prática, isso se manifesta na quebra de resistência. Um exemplo clássico é o do vírus do mosaico do tabaco (TMV), que possui o gene N de resistência em algumas variedades de fumo. Esse gene confere resistência à maioria das cepas do TMV, mas já foram identificadas cepas que conseguem superar essa resistência. Isso demonstra que a resistência não é permanente e que a evolução viral é um desafio contínuo para os melhoristas de plantas.

A distinção crucial aqui é entre a resistência a um patógeno específico e a resistência a um grupo de patógenos. A resistência a vírus é frequentemente específica para uma cepa ou espécie viral, e essa especificidade, combinada com a alta taxa de mutação, torna a resistência durável uma meta difícil de alcançar. Diferente de bactérias ou fungos, onde a resistência pode ser baseada em barreiras físicas ou químicas mais amplas, a resistência a vírus geralmente envolve mecanismos moleculares altamente específicos, como o silenciamento gênico pós-transcricional (PTGS), que pode ser suprimido por proteínas virais.

A pegadinha que a banca explora aqui é a tentação de achar que a afirmação é errada porque "nem todos os vírus evoluem rápido" ou porque "existem plantas resistentes". No entanto, a afirmação não diz que é impossível obter resistência, apenas que é uma tarefa complexa devido a esses dois fatores. A palavra-chave é "complexa", e os dois motivos citados são precisamente os que tornam essa tarefa difícil. O candidato que conhece a biologia dos vírus e a dinâmica da coevolução reconhece a veracidade da afirmação.

Guarde este critério: a complexidade da resistência a vírus em plantas é diretamente proporcional à taxa de evolução viral e à dependência obrigatória do parasita em relação ao hospedeiro. É exatamente essa relação que a questão testa.

Resistência a vírus em plantas
  • 1Por que é complexa
    • Parasita intracelular obrigatório
      • Depende do metabolismo da célula
      • Bloqueio sem prejudicar a planta
    • Rápida evolução viral
      • Altas taxas de mutação (RNA)
      • Novas variantes quebram resistência
  • 2Mecanismo de defesa
    • Silenciamento gênico (PTGS)
    • Específico por cepa
    • Pode ser suprimido por proteínas virais
  • 3Consequência
    • Resistência não é permanente
    • Corrida armamentista coevolutiva
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Item — ✅ CERTO

A afirmação está correta. A obtenção de plantas resistentes à infecção viral é uma tarefa complexa, e os dois motivos apresentados são tecnicamente precisos:

  1. Rápida evolução das viroses: Os vírus, especialmente os de RNA, possuem altas taxas de mutação, o que gera grande variabilidade genética. Isso permite que novas variantes virais surjam rapidamente, podendo superar a resistência desenvolvida pelas plantas. Esse é um exemplo clássico de coevolução antagonista, onde o hospedeiro pressiona a evolução do parasito e vice-versa, em uma "corrida armamentista" coevolutiva.

  1. Natureza de parasita obrigatório: Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, dependem completamente do maquinário bioquímico da célula hospedeira para se reproduzir. Isso significa que a resistência da planta precisa atuar em nível celular, bloqueando a replicação viral sem comprometer as funções celulares essenciais. Essa interdependência torna o desenvolvimento de resistência um desafio, pois qualquer mecanismo de defesa precisa ser altamente específico para não afetar a própria planta.

A combinação desses dois fatores — a capacidade de mutação rápida e a dependência obrigatória do hospedeiro — é o que torna a obtenção de resistência durável uma tarefa complexa na fitopatologia.

Gabarito: CERTO

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