Questão de Biologia — Fitopatologia e Fitossanidade — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Fitopatologia e Fitossanidade
Código
ce406098
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Pesq ( )
Em relação à virologia vegetal, julgue o item a seguir.
Membros do gênero Potyvirus têm como vetores afídeos em uma relação não-persistente, não-circulativa. Nesse tipo de relação, o uso de inseticidas para proteção de plantas é eficaz, pois, como a relação é não-circulativa, o vírus é inativado juntamente com a eliminação do inseto vetor.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Virologia vegetal: transmissão não-persistente por afídeos e controle químico
Gabarito: ERRADO. A afirmação está incorreta porque, embora os Potyvirus sejam transmitidos por afídeos de forma não-persistente e não-circulativa, o uso de inseticidas NÃO é eficaz para proteger as plantas nesse tipo de relação. Isso ocorre porque o vírus é adquirido e inoculado em segundos, durante a picada de prova do afídeo, antes que o inseticida possa agir — o controle químico mata o vetor, mas não impede a transmissão imediata do vírus.
A transmissão de vírus de plantas por afídeos (pulgões) é um tema clássico de fitopatologia e virologia vegetal. Os vírus podem ser classificados quanto à relação com o vetor em três grandes grupos: não-persistentes, semipersistentes e persistentes (estes últimos subdivididos em circulativos e propagativos). Essa classificação depende do tempo de retenção do vírus no vetor e do local onde ele é carregado.
No caso dos vírus não-persistentes, como os do gênero Potyvirus, o vírus fica viável no vetor por apenas algumas horas e é transportado nas peças bucais do afídeo (estiletes). A aquisição e a inoculação ocorrem durante as picadas de prova — sondagens rápidas que o afídeo faz para testar a planta. Esse processo é extremamente rápido: o afídeo adquire o vírus em segundos ao se alimentar de uma planta infectada e o inocula em outra planta sadia também em segundos, na picada seguinte. Não há período latente, e o vírus não circula pelo corpo do inseto.
É exatamente essa rapidez que torna o controle químico ineficaz. O inseticida age matando o afídeo, mas a transmissão já ocorreu antes da morte do inseto. Além disso, os afídeos que chegam à lavoura já podem estar virulíferos (carregando o vírus) e transmiti-lo imediatamente ao picar. O controle químico pode até reduzir a população de afídeos a médio prazo, mas não impede a transmissão primária e secundária do vírus. Por isso, as estratégias recomendadas para o manejo de viroses não-persistentes incluem o uso de cultivares resistentes, barreiras físicas (como mulch de plástico refletivo), óleos minerais ou vegetais (que interferem na retenção do vírus nos estiletes) e a eliminação de plantas infectadas (roguing).
A confusão que a banca explora é justamente essa: o candidato pode pensar que, como a relação é não-circulativa (o vírus não entra no corpo do vetor), o inseticida seria eficaz. Mas a lógica é inversa — é justamente por ser não-persistente e transmitido de forma tão rápida que o controle químico falha. O inseticida não age rápido o suficiente para impedir a transmissão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a lógica: afirma que o controle químico é eficaz porque a relação é não-circulativa. Na verdade, é o oposto — a transmissão não-persistente é tão rápida que o inseticida não consegue impedi-la. O vírus é transmitido em segundos, antes que o produto faça efeito. Lembre-se: não-persistente = transmissão rápida = inseticida ineficaz.
Transmissão por afídeos
1Não-persistente (Potyvirus)
Vírus nos estiletes
Aquisição em segundos (picada de prova)
Inoculação em segundos
Inseticida ineficaz
Transmissão antes da morte do vetor
2Semipersistente
Retenção por horas/dias
3Persistente
Circulativo
Propagativo
LEVEL · soulevel.com.br
Item — ❌ ERRADO
A afirmação contém dois erros conceituais:
A relação não-persistente, não-circulativa está correta — os Potyvirus são transmitidos por afídeos de forma não-persistente e não-circulativa, com o vírus retido nos estiletes.
O uso de inseticidas NÃO é eficaz — a transmissão ocorre em segundos, durante a picada de prova, antes que o inseticida possa agir. O controle químico mata o vetor, mas não impede a transmissão imediata do vírus.
Portanto, a justificativa apresentada ("o vírus é inativado juntamente com a eliminação do inseto vetor") é falsa. O vírus não é inativado pelo inseticida; ele já foi transmitido antes da morte do afídeo.