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Questão de Biologia — Fitopatologia e Fitossanidade — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaFitopatologia e Fitossanidade
Código
ce406103
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Pesq ( )

Ainda em relação à virologia vegetal, julgue o item a seguir.

 

A descoberta de que os Tospovirus replicam-se no vetor, ou seja, que a Frankliniella não é apenas um vetor do vírus para as plantas, mas também seu hospedeiro, indica que eles podem ter evoluído a partir de parasitas, inicialmente apenas do inseto, para espécies que infectam tanto o inseto como as plantas.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tospovirus: replicação no vetor e evolução de parasitas de insetos para patógenos de plantas

Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque os Tospovirus, ao se replicarem no vetor (tripes do gênero Frankliniella), fazem dele um hospedeiro verdadeiro, e não apenas um transportador mecânico. Esse padrão de replicação em ambos os organismos (inseto e planta) é consistente com a hipótese de que esses vírus evoluíram de parasitas que inicialmente infectavam apenas o inseto e, posteriormente, adquiriram a capacidade de infectar também as plantas.

O enunciado aborda um conceito central da virologia vegetal e da evolução de patógenos: a relação entre vírus, seus vetores e seus hospedeiros. Para entender por que a afirmação está correta, é preciso compreender a diferença entre os tipos de transmissão de vírus de plantas por insetos vetores e o que isso significa para a biologia evolutiva do vírus.

Existem três categorias principais de transmissão de vírus de plantas por vetores, que se distinguem pela relação do vírus com o vetor:

  1. Não persistentes (estiletar): O vírus é adquirido e transmitido em minutos, aderindo apenas às peças bucais do inseto. Não há replicação no vetor, e a capacidade de transmissão se perde rapidamente (ex.: vírus do mosaico da couve-flor).

  2. Circulantes: O vírus é ingerido, atravessa a parede intestinal, circula pela hemolinfa e chega às glândulas salivares, de onde é inoculado. Há um período de latência, mas não há replicação no vetor (ex.: vírus da necrose amarela da alface).

  3. Propagativos: O vírus se replica no interior do vetor, além de circular. O vetor torna-se um hospedeiro verdadeiro do vírus, e a transmissão pode ocorrer por longos períodos, frequentemente por toda a vida do inseto (ex.: vírus do enrolamento da folha da batata).

Os Tospovirus (gênero que inclui o vírus da vira-cabeça do tomateiro, TSWV) são um exemplo clássico de vírus propagativos. Eles se replicam tanto nas células da planta hospedeira quanto nas células do seu vetor, os tripes da espécie Frankliniella occidentalis e outras. Essa capacidade de replicação no vetor é um pré-requisito para que o inseto seja considerado um hospedeiro, e não apenas um vetor mecânico.

A afirmação do enunciado vai além da descrição do fenômeno e propõe uma hipótese evolutiva: a de que esses vírus teriam evoluído de parasitas que, inicialmente, infectavam apenas o inseto. Essa é uma hipótese aceita na literatura científica. A lógica é a seguinte: um vírus ancestral que parasitasse insetos, ao ser transmitido para plantas (talvez por um erro na alimentação do inseto), poderia, por mutação e seleção natural, adquirir a capacidade de infectar e se replicar nesse novo hospedeiro. A capacidade de replicação no vetor seria, portanto, uma característica ancestral, e a capacidade de infectar plantas, uma aquisição evolutiva posterior. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que os Tospovirus são os únicos membros da família Bunyaviridae que infectam plantas — todos os outros gêneros dessa família infectam apenas animais (incluindo insetos) —, o que sugere que a capacidade de infectar plantas foi uma inovação evolutiva dentro de um grupo de vírus originalmente adaptado a animais.

A distinção crucial aqui é entre vetor mecânico e hospedeiro. Um vetor mecânico apenas transporta o vírus de uma planta para outra, sem que o vírus se replique nele. Já um hospedeiro é um organismo no qual o vírus se replica ativamente. Quando um vírus se replica no vetor, o inseto deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser parte integrante do ciclo de vida do vírus, atuando como um reservatório e amplificador do patógeno. É exatamente essa distinção que o enunciado explora, e é por isso que a afirmação está correta.

A pegadinha desta questão está em confundir a simples transmissão mecânica com a replicação no vetor. O candidato que não conhece a classificação dos vírus quanto à sua relação com o vetor pode achar que a afirmação é exagerada ou incorreta, por não saber que existem vírus que se replicam no inseto. A banca testa o conhecimento específico sobre a biologia dos Tospovirus e a interpretação evolutiva desse fenômeno.

  1. 1Não persistente (estiletar)Sem replicação
  2. 2CirculanteSem replicação
  3. 3PropagativoCom replicação
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ CERTO

A afirmação está correta por dois motivos fundamentais:

  1. Fato biológico: Os Tospovirus são vírus propagativos, ou seja, replicam-se no interior do vetor (Frankliniella spp.). Isso faz do tripes um hospedeiro verdadeiro, e não apenas um vetor mecânico. O vírus se multiplica nas células do inseto, podendo ser transmitido por toda a vida do vetor e, em alguns casos, até mesmo para a prole (transmissão transovariana).

  2. Hipótese evolutiva: A capacidade de replicação no inseto é uma característica ancestral compartilhada com outros vírus da família Bunyaviridae, que infectam apenas animais. A capacidade de infectar plantas é uma aquisição evolutiva exclusiva dos Tospovirus dentro dessa família. Portanto, a hipótese de que eles evoluíram de parasitas de insetos para patógenos de plantas é consistente com os dados filogenéticos e biológicos.

A afirmação, portanto, descreve corretamente tanto o fenômeno biológico (replicação no vetor) quanto a interpretação evolutiva mais aceita para esse fenômeno.

Gabarito: CERTO

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