Questão de Biologia — Poluição Ambiental — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406154
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: poluentes orgânicos persistentes (POPs) são substâncias tóxicas que se acumulam no ambiente e nos organismos vivos, um fenômeno conhecido como bioacumulação e biomagnificação. Essa definição é amplamente aceita na ecologia e na química ambiental, e o próprio material de apoio confirma que os POPs são "solúveis em gordura [e] bioacumulados por muitos organismos e biomagnificados nas cadeias alimentares".
Os poluentes orgânicos persistentes (POPs) formam uma classe de substâncias químicas que apresentam três características centrais: persistência (resistem à degradação no ambiente), bioacumulação (acumulam-se nos tecidos dos organismos) e toxicidade (causam efeitos adversos à saúde). O termo "orgânicos" refere-se à sua composição química, baseada em carbono, e não à origem biológica. Exemplos clássicos são os bifenilos policlorados (PCBs), usados em equipamentos elétricos e plastificantes, e o DDT, um pesticida amplamente utilizado no passado.
A razão pela qual esses poluentes se acumulam é sua lipossolubilidade: eles se dissolvem em gorduras e, por isso, ficam retidos nos tecidos adiposos dos organismos, em vez de serem excretados. Quando um organismo consome outro, os POPs são transferidos e concentrados ao longo da cadeia alimentar — processo chamado biomagnificação. Assim, um predador de topo, como uma ave de rapina ou um mamífero marinho, pode acumular concentrações muito maiores do que as encontradas no ambiente ou nos organismos da base da cadeia.
Um exemplo concreto: imagine uma cadeia alimentar aquática com fitoplâncton, zooplâncton, pequenos peixes e um peixe predador. Se o ambiente estiver contaminado com DDT, o fitoplâncton absorve uma pequena quantidade; o zooplâncton, ao se alimentar de muitos fitoplânctons, acumula mais; e assim sucessivamente. No topo da cadeia, o peixe predador pode apresentar concentrações de DDT milhares de vezes maiores que as da água. Esse é o mesmo princípio que explica por que aves aquáticas carnívoras apresentam os maiores níveis de inseticida em uma cadeia alimentar contaminada.
A distinção importante aqui é entre bioacumulação (acúmulo dentro de um único organismo ao longo de sua vida) e biomagnificação (aumento da concentração ao longo dos níveis tróficos). Embora relacionadas, são processos diferentes, e a banca pode explorar essa diferença. A persistência, por sua vez, é o que torna o problema de longo prazo: mesmo que a emissão cesse, os POPs permanecem no ambiente por décadas, continuando a circular nas cadeias alimentares.
A pegadinha que a banca poderia explorar seria inverter o conceito, afirmando que os POPs se acumulam apenas no ambiente, sem afetar os organismos, ou que são facilmente degradáveis. Nesta questão, porém, a afirmação está alinhada com a definição correta, sem armadilhas.
Guarde o tripé persistência + bioacumulação + toxicidade: é exatamente essa combinação que define um POP e que a questão cobra.
A afirmação está correta. Os poluentes orgânicos persistentes são, por definição, substâncias tóxicas que se acumulam no ambiente e nos organismos vivos. O material de apoio confirma que os POPs são "solúveis em gordura [e] bioacumulados por muitos organismos e biomagnificados nas cadeias alimentares, produzindo efeitos toxicológicos em predadores de topo". A persistência (resistência à degradação) é o que garante o acúmulo ambiental, e a lipossolubilidade é o que garante o acúmulo nos organismos. Não há qualquer erro na assertiva.
Para fixar o conceito de POP, lembre-se do tripé: Persistência, Bioacumulação e Toxicidade. Na prova, se a alternativa mencionar que o poluente se acumula nos organismos e no ambiente, está correta; se disser que é facilmente degradável ou que não afeta os seres vivos, está errada.
Gabarito: CERTO.
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