Questão de Biologia — Fotossíntese e Respiração — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406288
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: alguns herbicidas de amplo espectro, como os derivados de bipiridílios (paraquat e diquat), interceptam o fluxo de elétrons da fotossíntese, desviando-os para o oxigênio molecular e gerando espécies reativas de oxigênio (EROs), como o radical superóxido (O₂•⁻), que causam danos oxidativos letais às plantas. Esse é um mecanismo de ação herbicida bem documentado na fisiologia vegetal e na ciência das plantas daninhas.
A fotossíntese, na fase fotoquímica (reações de claro), ocorre nos tilacoides dos cloroplastos, onde a energia luminosa é capturada pelos fotossistemas II e I (FSII e FSI) e convertida em poder redutor (NADPH) e ATP. Nesse processo, a água é oxidada no FSII, liberando elétrons que são transportados por uma cadeia de transportadores (plastoquinona, complexo citocromo b6f, plastocianina) até o FSI, que os utiliza para reduzir o NADP⁺ a NADPH. Esse fluxo linear de elétrons é essencial para a produção de equivalentes redutores que alimentam o ciclo de Calvin (fase química), onde o CO₂ é fixado em carboidratos.
Os herbicidas que interferem nesse fluxo atuam de maneiras distintas. Os bipiridílios (paraquat, diquat) são herbicidas de contato, não seletivos, que aceitam elétrons do FSI (no nível da ferredoxina) e os transferem para o O₂, formando o radical superóxido (O₂•⁻). Esse radical é altamente reativo e, por meio da reação de Haber-Weiss e da dismutação pela superóxido dismutase (SOD), gera peróxido de hidrogênio (H₂O₂) e o radical hidroxila (OH•), que atacam lipídios de membrana, proteínas e DNA, causando peroxidação lipídica e morte celular rápida. Outros herbicidas, como as triazinas (atrazina) e as ureias substituídas (diuron), inibem o FSII, bloqueando a transferência de elétrons da plastoquinona, o que também interrompe o fluxo e pode levar à formação de EROs por acúmulo de energia de excitação na clorofila.
A letalidade desses herbicidas está diretamente ligada à formação de EROs. Em plantas sensíveis, a capacidade antioxidante (enzimas como SOD, catalase, peroxidases e moléculas como ascorbato e glutationa) é insuficiente para neutralizar o excesso de radicais, resultando em danos oxidativos generalizados. Por isso, a afirmação do enunciado é fiel ao mecanismo de ação desses produtos: eles interferem no fluxo fotossintético de elétrons e formam radicais superóxido que podem ser letais. A banca explora o conhecimento sobre a fase fotoquímica da fotossíntese e a ação de herbicidas, um tema que integra fisiologia vegetal e ciência das plantas daninhas.
A pegadinha aqui é sutil: o candidato pode achar que a afirmação é exagerada ou que herbicidas de amplo espectro atuam apenas inibindo enzimas do ciclo de Calvin (como o glifosato, que inibe a EPSPS). No entanto, a questão descreve precisamente o mecanismo dos herbicidas bipiridílicos, que são de amplo espectro e agem justamente na fase fotoquímica, gerando EROs. A distinção entre os modos de ação é o critério decisivo: enquanto o glifosato inibe a síntese de aminoácidos aromáticos, os bipiridílios interceptam o fluxo de elétrons e geram radicais superóxido. A afirmação está correta porque descreve um mecanismo real e letal.
A assertiva está correta. Herbicidas de amplo espectro, como o paraquat e o diquat (bipiridílios), são conhecidos por interceptar o fluxo de elétrons na fotossíntese. Eles atuam no fotossistema I, aceitando elétrons da ferredoxina e transferindo-os para o oxigênio molecular, formando o radical superóxido (O₂•⁻). Esse radical, e as EROs derivadas, causam peroxidação lipídica e danos celulares, levando à morte da planta. O mecanismo é letal para plantas sensíveis, pois o sistema antioxidante não consegue neutralizar a produção massiva de radicais. Portanto, a descrição do enunciado corresponde exatamente ao modo de ação desses herbicidas.
Gabarito: CERTO
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