Questão de Biologia — Aquicultura e Pesca — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406337
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmativa está incorreta porque as diretrizes de biosseguridade em carcinicultura não permitem o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento nem para a prevenção de infecções virais — tais usos são expressamente vedados, pois antimicrobianos são destinados exclusivamente ao tratamento de infecções bacterianas, e seu uso profilático ou como aditivo zootécnico é proibido por normas sanitárias e pela legislação de resíduos em alimentos. A banca explora a confusão entre uso terapêutico (permitido, com prescrição e respeito a dosagens, tempos e carência) e uso profilático/promotor de crescimento (proibido).
A biosseguridade na aquicultura, e especificamente na carcinicultura (cultivo de camarões), é um conjunto de medidas sanitárias, de manejo e de controle que visa prevenir a introdução e a disseminação de agentes patogênicos nos sistemas de produção. Entre essas medidas, o uso racional de antimicrobianos ocupa lugar central, mas com regras rígidas: eles só podem ser empregados para tratamento de doenças bacterianas diagnosticadas, sob orientação de profissional habilitado, respeitando-se dosagem, tempo de uso e período de carência para o abate. O que a afirmativa erra é justamente ao ampliar esse uso para duas finalidades expressamente vedadas: promotor de crescimento e prevenção de infecções virais.
O uso de antimicrobianos como promotores de crescimento é proibido em todo o mundo por diversas razões: contribui para a seleção de bactérias resistentes, compromete a eficácia dos antibióticos na medicina humana e veterinária, e gera resíduos nos produtos aquícolas. Da mesma forma, a prevenção de infecções virais com antibióticos é tecnicamente inválida, pois antibióticos agem sobre bactérias, não sobre vírus — usar antibióticos para prevenir viroses é ineficaz e ainda favorece a resistência bacteriana. As boas práticas sanitárias, portanto, vedam essas práticas e orientam o uso terapêutico apenas quando necessário.
Na prática, um produtor de camarões que identifica um surto bacteriano (por exemplo, vibriose) pode, com prescrição e seguindo as normas, tratar os animais com antibiótico, respeitando o período de carência antes da despesca e do abate. Mas ele não pode adicionar antibiótico à ração de rotina para "engordar" os camarões nem para "prevenir" uma virose — isso é exatamente o que a afirmativa permite, e por isso ela está errada.
A distinção que importa é entre uso terapêutico (permitido, com critérios) e uso profilático/promotor de crescimento (proibido). A banca mistura os dois, criando a pegadinha: o candidato que sabe que antimicrobianos são usados na carcinicultura pode achar que a afirmativa está certa, mas ela extrapola ao incluir finalidades vedadas. Guarde essa fronteira: é ela que separa o certo do errado nesta questão.
A afirmativa está errada porque, embora o uso terapêutico de antimicrobianos seja permitido com as ressalvas citadas (dosagem, tempo e carência), as diretrizes de biosseguridade proíbem expressamente o uso como promotor de crescimento e para prevenção de infecções virais. O erro específico está na expressão "permitem o uso ... como promotores de crescimento e para a prevenção de infecções virais": isso contraria as boas práticas sanitárias e a legislação de resíduos, que restringem antimicrobianos ao tratamento de doenças bacterianas. Além disso, a prevenção de viroses com antibióticos é tecnicamente impossível, pois antibióticos não têm ação antiviral.
A banca troca o uso terapêutico (permitido, com prescrição e carência) pelo uso profilático/promotor de crescimento (proibido). O candidato que conhece a regra do uso terapêutico pode achar que a afirmativa está certa, mas ela amplia indevidamente as finalidades. Fique atento: antimicrobiano não é aditivo zootécnico nem antiviral.
Para questões de biosseguridade aquícola, decore a tríade do uso correto de antimicrobianos: prescrição profissional, tratamento de doença bacteriana, respeito à carência. Qualquer alternativa que mencione "promotor de crescimento" ou "prevenção de viroses" está errada — esses usos são vedados.
Gabarito: ERRADO (letra E).
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