Questão de Biologia — Fitopatologia e Fitossanidade — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406371
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação está incorreta porque a introdução de novos agentes microbianos entomopatogênicos exige considerações sobre a coevolução entre patógenos e hospedeiros, uma vez que esses agentes, mesmo sendo específicos, exercem pressão seletiva sobre as populações de pragas, alterando sua diversidade genética e podendo levar ao desenvolvimento de resistência. A premissa de que a especificidade elimina o impacto genético é falsa.
A coevolução é um processo dinâmico em que duas espécies evoluem em resposta mútua, como ocorre entre patógenos e seus hospedeiros. No contexto do controle biológico, ao introduzir um agente microbiano para controlar uma praga, estabelece-se uma relação de pressão seletiva: os indivíduos da população de pragas que possuem alguma resistência natural ao patógeno tendem a sobreviver e se reproduzir, transmitindo essa característica às gerações seguintes. Isso reduz a diversidade genética da população, pois os alelos de suscetibilidade são eliminados, e favorece o surgimento de linhagens resistentes. Portanto, a especificidade do agente não impede a seleção; pelo contrário, é justamente essa interação íntima que impulsiona a coevolução.
Um exemplo clássico é o uso da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) no controle de lagartas. Embora a toxina Bt seja altamente específica para determinados insetos, o uso contínuo de culturas geneticamente modificadas que expressam essa toxina seleciona populações de pragas resistentes, como já documentado em diversos países. Isso demonstra que a introdução de agentes microbianos, mesmo específicos, tem impacto direto na genética das populações-alvo, contrariando a ideia de que não afetam a diversidade genética.
A banca explora a confusão entre especificidade e ausência de impacto evolutivo. O candidato pode pensar que, por ser específico, o agente não afeta a população como um todo, mas a especificidade apenas direciona a pressão seletiva para um grupo restrito, não a elimina. Além disso, a coevolução é um conceito central em ecologia e controle biológico, e ignorá-la pode levar a estratégias de manejo ineficazes, como o rápido surgimento de resistência.
Portanto, a afirmação está errada ao afirmar que a introdução de novos agentes microbianos dispensa considerações sobre coevolução e que não impactam a diversidade genética das populações de pragas. A realidade é exatamente oposta: a coevolução é um fator crucial a ser considerado, e o impacto genético é uma consequência inevitável da pressão seletiva exercida pelo agente de controle.
A assertiva está incorreta por dois motivos principais. Primeiro, a coevolução entre patógenos e hospedeiros é um aspecto fundamental a ser considerado na introdução de agentes microbianos, pois a interação evolutiva entre eles é contínua e influencia a eficácia do controle a longo prazo. Segundo, a especificidade do agente não impede o impacto na diversidade genética das populações de pragas; ao contrário, a pressão seletiva exercida pelo patógeno favorece a seleção de indivíduos resistentes, reduzindo a variabilidade genética da população. Assim, a premissa de que a especificidade elimina o impacto genético é falsa, tornando a afirmação errada.
Gabarito: ERRADO (letra E).
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