Questão de Biologia — Aquicultura e Pesca — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406393
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: o monitoramento em intervalos regulares, com alternância dos horários de medição, é prática recomendada na aquicultura porque capta a variação diária (ciclo nictemeral) de variáveis como oxigênio dissolvido e temperatura, que flutuam ao longo do dia. Essa recomendação decorre de boas práticas de manejo em piscicultura, não de um dispositivo legal específico.
O controle da qualidade da água é um dos pilares da piscicultura intensiva, especialmente em tanques-rede, onde a densidade de peixes é alta e a renovação de água depende da circulação natural do corpo d'água. As variáveis físicas e químicas — temperatura, oxigênio dissolvido, pH, amônia, nitrito, transparência — não são constantes: sofrem flutuações ao longo do dia (ciclo nictemeral) e entre dias, influenciadas pela radiação solar, fotossíntese, respiração dos organismos e pela própria atividade dos peixes.
O oxigênio dissolvido, por exemplo, atinge seus menores valores nas primeiras horas da manhã (antes do amanhecer), quando a respiração noturna consumiu o O₂ sem reposição pela fotossíntese, e os maiores valores no final da tarde, após um dia de produção primária. A temperatura, por sua vez, acompanha a radiação solar, com pico no início da tarde. Se o produtor medir sempre no mesmo horário, ele terá uma visão distorcida da realidade — verá apenas o "melhor" ou o "pior" momento, sem conhecer a amplitude da variação.
A alternância de horários é, portanto, uma estratégia de amostragem que visa captar a variabilidade temporal. Ela permite estimar a média diária e identificar os momentos críticos (como a madrugada, quando o oxigênio pode cair a níveis letais). Essa prática é recomendada por manuais de boas práticas de manejo em aquicultura, como os do Ministério da Pesca e Aquicultura e da FAO, e é essencial para a tomada de decisão: se o produtor só mede às 14h, pode não perceber que às 5h o oxigênio está abaixo do mínimo para a espécie cultivada.
A banca explora aqui a noção de que o monitoramento deve ser representativo da realidade, e não apenas rotineiro. O erro que o candidato pode cometer é achar que medir sempre no mesmo horário é suficiente, ou que a alternância é desnecessária. Mas a afirmativa está em total conformidade com o que se ensina em aquicultura: a variação nictemeral é um fenômeno conhecido e o manejo deve considerá-la.
A banca pode tentar confundir o candidato com a ideia de que "monitorar em intervalos regulares" significa sempre no mesmo horário. Mas a regularidade se refere à frequência (diária, semanal), não ao horário fixo. A alternância de horários é justamente o que permite captar a amplitude da variação — sem ela, o monitoramento seria tendencioso.
Para questões de aquicultura, lembre-se do ciclo nictemeral: o oxigênio dissolvido é mínimo ao amanhecer e máximo no fim da tarde. Se a questão falar em "alternar horários", associe imediatamente a essa variação. Essa é uma pegadinha recorrente em provas de engenharia de pesca e biologia.
A afirmativa está correta. O monitoramento em intervalos regulares, com alternância de horários, é recomendado porque as variáveis de qualidade da água, como oxigênio dissolvido e temperatura, apresentam variação nictemeral (ao longo do dia). Medir sempre no mesmo horário forneceria uma amostra tendenciosa, não representativa da realidade do tanque-rede. A prática de alternar horários é uma boa prática de manejo, amplamente difundida em manuais de aquicultura, e visa justamente captar as flutuações ambientais mais amplas, como mencionado no enunciado.
Gabarito: CERTO
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