Questão de Biologia — Organismos Geneticamente Modificados — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406418
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). O cruzamento de raças zebuínas com bovinos pantaneiros não é uma opção para a manutenção da raça crioula, pois a introdução de material genético exógeno descaracteriza a raça local, promovendo a perda de sua identidade genética e de suas adaptações específicas ao ambiente do Pantanal. A conservação de raças localmente adaptadas, como o bovino pantaneiro, exige a manutenção da pureza genética e a preservação do conhecimento tradicional associado, conforme os princípios da etnobiologia e da legislação de acesso ao patrimônio genético.
A etnobiologia é o estudo das relações entre os seres humanos e o ambiente, incluindo o conhecimento tradicional sobre os recursos genéticos. No contexto da pecuária, raças localmente adaptadas, como o bovino pantaneiro, são resultado de séculos de seleção natural e manejo tradicional, desenvolvendo características únicas de resistência a doenças, tolerância ao calor e aproveitamento de pastagens nativas. A conservação dessas raças é fundamental para a manutenção da agrobiodiversidade e para a segurança alimentar, pois elas representam um reservatório genético valioso para o melhoramento futuro.
O cruzamento com raças exóticas, como as zebuínas, pode trazer ganhos imediatos de produtividade, mas a longo prazo compromete a conservação da raça local. A introdução de genes exógenos dilui a composição genética original, podendo levar à perda de características adaptativas e à extinção da raça como entidade genética distinta. Além disso, o cruzamento indiscriminado pode resultar em perda de variabilidade genética, contrariando o objetivo de conservação. A manutenção da raça crioula, portanto, requer estratégias de conservação in situ e ex situ, com controle rigoroso dos acasalamentos para preservar a pureza genética.
A legislação brasileira, por meio da Lei nº 13.123/2015, que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado, reconhece a importância da conservação da diversidade biológica e do conhecimento tradicional. A lei estabelece que o acesso ao patrimônio genético de raças localmente adaptadas deve ser realizado de forma a garantir a conservação e o uso sustentável, com repartição justa e equitativa dos benefícios. Nesse sentido, o cruzamento com raças exóticas, sem o devido manejo de conservação, pode ser considerado uma prática contrária aos objetivos da legislação.
A pegadinha da questão está em associar o cruzamento com raças exóticas à "manutenção" da raça local. Na prática, o cruzamento é uma estratégia de melhoramento genético para aumentar a produtividade, mas não de conservação. A conservação de uma raça localmente adaptada exige a manutenção de sua identidade genética, o que é incompatível com a introdução de genes de outras raças. O candidato que conhece os princípios da etnobiologia e da conservação de recursos genéticos identifica imediatamente o erro.
A afirmação está errada porque o cruzamento de raças zebuínas com bovinos pantaneiros não é uma opção para a manutenção da raça crioula. A manutenção de uma raça localmente adaptada, como o bovino pantaneiro, requer a preservação de sua pureza genética e de suas características adaptativas. O cruzamento com raças exóticas, como as zebuínas, introduz genes que podem diluir a composição genética original, comprometendo a identidade da raça e suas adaptações ao ambiente do Pantanal. A conservação da raça crioula, portanto, não se dá por meio de cruzamentos com raças exóticas, mas sim por estratégias de conservação in situ e ex situ, com manejo adequado dos acasalamentos para preservar a variabilidade genética e as características únicas da raça.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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