Questão de Biologia — Aquicultura e Pesca — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406453
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque os ajustes no arraçoamento na piscicultura não são definidos apenas pela temperatura da água e pela biomassa presente nos viveiros — fatores como a qualidade da água (oxigênio dissolvido, amônia, pH), a espécie cultivada, a fase de vida, o tamanho dos peixes, a conversão alimentar e as condições climáticas também influenciam diretamente a quantidade e a frequência da alimentação. O manejo alimentar é uma prática integrada que considera múltiplos parâmetros, não apenas dois.
O arraçoamento é uma das práticas mais importantes na piscicultura, pois a ração representa a maior parte dos custos de produção. Ajustar corretamente a quantidade e a frequência da alimentação é essencial para otimizar o crescimento, reduzir desperdícios e evitar a deterioração da qualidade da água. A temperatura da água é um fator crítico porque influencia o metabolismo dos peixes: em temperaturas mais baixas, o metabolismo diminui e os peixes consomem menos; em temperaturas mais altas, o consumo aumenta até um limite ótimo, a partir do qual o estresse térmico reduz o apetite. A biomassa presente nos viveiros também é fundamental, pois determina a demanda total de alimento — quanto maior a biomassa, maior a quantidade de ração necessária. No entanto, esses dois fatores não são suficientes para definir o arraçoamento de forma adequada.
A qualidade da água é um fator igualmente decisivo. O oxigênio dissolvido, por exemplo, é essencial para o metabolismo e a digestão; em níveis baixos, os peixes reduzem a ingestão de alimento e a eficiência alimentar cai. A amônia e o nitrito, subprodutos da excreção e da decomposição da ração não consumida, são tóxicos e podem comprometer a saúde dos peixes, exigindo ajustes na alimentação. O pH e a turbidez também influenciam o comportamento alimentar. Além disso, a espécie cultivada tem exigências nutricionais e hábitos alimentares distintos — peixes carnívoros, onívoros e herbívoros respondem de maneiras diferentes ao manejo alimentar. A fase de vida (larva, alevino, juvenil ou adulto) e o tamanho dos peixes determinam a granulometria da ração e a frequência das refeições. A conversão alimentar, que mede a eficiência com que o alimento é transformado em biomassa, é um indicador que deve ser monitorado para ajustar as taxas de arraçoamento. Por fim, fatores climáticos, como ventos e chuvas, podem alterar a temperatura e a qualidade da água, exigindo ajustes dinâmicos.
Na prática, o manejo alimentar é feito com base em tabelas de alimentação que consideram a espécie, o peso médio dos peixes, a temperatura da água e a biomassa, mas esses valores são ajustados diariamente conforme a observação do comportamento alimentar e o monitoramento da qualidade da água. Por exemplo, em um viveiro de tilápias com biomassa de 500 kg e temperatura de 28°C, a tabela pode indicar uma taxa de arraçoamento de 3% da biomassa ao dia, mas se o oxigênio dissolvido estiver baixo pela manhã, o produtor deve reduzir a quantidade ou adiar a alimentação. Da mesma forma, se os peixes não consumirem toda a ração em 15 minutos, a quantidade deve ser reduzida na próxima refeição. Esse ajuste fino é o que diferencia uma produção eficiente de uma produção com desperdício e problemas sanitários.
A pegadinha da banca está em reduzir um processo complexo e multifatorial a apenas dois fatores. O candidato que conhece apenas a influência da temperatura e da biomassa pode ser induzido a marcar "certo", mas o manejo alimentar exige uma visão sistêmica. A palavra "apenas" é o termo decisivo: ela torna a afirmação categórica e, portanto, falsa, pois exclui todos os outros fatores relevantes. Guarde essa fronteira: arraçoamento não é uma fórmula simples de dois parâmetros, mas uma decisão integrada que considera qualidade da água, espécie, fase de vida, comportamento alimentar e eficiência de conversão.
A afirmação é incorreta porque o arraçoamento na piscicultura é influenciado por múltiplos fatores, não apenas pela temperatura da água e pela biomassa. A qualidade da água (oxigênio dissolvido, amônia, pH), a espécie cultivada, a fase de vida, o tamanho dos peixes, a conversão alimentar e as condições climáticas são igualmente determinantes. A palavra "apenas" torna a afirmação restritiva demais e, portanto, falsa. O manejo alimentar é uma prática integrada que exige monitoramento constante e ajustes dinâmicos.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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