Questão de Biologia — Aquicultura e Pesca — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Aquicultura e Pesca
Código
ce406469
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Ana ( )
O controle sexual na aquicultura é fundamental devido à influência do sexo no crescimento e na reprodução das espécies de peixes; em muitas, as taxas de crescimento variam entre machos e fêmeas, o que pode impactar diretamente seu valor econômico. Em relação a essa temática, julgue o item a seguir.
O cruzamento de fêmeas de tambaqui com machos de pacu (Piaractus mesopotamicus) tem como objetivo a produção de populações monossexo macho no cultivo de peixes redondos.
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Controle sexual na aquicultura: hibridação e produção de populações monossexo
Gabarito: ERRADO (letra E). O cruzamento de fêmeas de tambaqui (Colossoma macropomum) com machos de pacu (Piaractus mesopotamicus) é um caso de hibridação interespecífica, cujo objetivo principal é a produção de híbridos com características zootécnicas superiores (como maior taxa de crescimento e rusticidade), e não a produção de populações monossexo macho. A produção de populações monossexo é uma técnica distinta, baseada em manipulação genética ou hormonal, e não em cruzamentos interespecíficos.
A aquicultura moderna busca, entre outros objetivos, o controle do sexo das populações cultivadas. Isso se deve ao fato de que, em muitas espécies, machos e fêmeas apresentam taxas de crescimento distintas, o que influencia diretamente o valor econômico da produção. Por exemplo, em algumas espécies de tilápia, os machos crescem mais rápido que as fêmeas, tornando a produção de populações monossexo macho uma estratégia comercialmente vantajosa. Já em outras espécies, como o pirarucu, as fêmeas podem atingir maior tamanho, sendo a produção de populações monossexo fêmea a mais interessante.
A hibridação, por sua vez, é uma técnica que envolve o cruzamento de indivíduos de espécies diferentes, com o objetivo de combinar características desejáveis de ambas. No caso do tambaqui e do pacu, ambos peixes redondos nativos da Bacia Amazônica, o cruzamento gera o híbrido conhecido como "tambacu" (tambaqui × pacu) ou "pactamba" (pacu × tambaqui). Esses híbridos são valorizados por apresentarem crescimento mais rápido que o pacu e maior rusticidade que o tambaqui, além de melhor adaptação a diferentes sistemas de cultivo. O objetivo, portanto, é a produção de um animal com melhor desempenho zootécnico, e não o controle do sexo da prole.
A confusão entre hibridação e produção de populações monossexo é um erro conceitual comum. Enquanto a hibridação busca combinar genomas de espécies diferentes, a produção de populações monossexo busca controlar o sexo dos descendentes de uma mesma espécie, por meio de técnicas como a reversão sexual hormonal, a utilização de peixes geneticamente modificados (supermachos) ou a triagem cromossômica. São ferramentas distintas, com objetivos e mecanismos diferentes, e a banca explora exatamente essa distinção.
A pegadinha desta questão está em associar um cruzamento interespecífico (tambaqui × pacu) a um objetivo de controle sexual (população monossexo macho). O candidato que conhece a técnica de hibridação e seus objetivos percebe imediatamente o erro, pois a hibridação não é uma ferramenta de controle sexual, mas sim de melhoramento genético por combinação de genomas.
Controle sexual na aquicultura
1Objetivo
Sexo influencia crescimento
Impacto no valor econômico
2Técnicas
Reversão hormonal
Supermachos (genética)
Triagem cromossômica
3Exemplos
Tilápia: monossexo macho
Pirarucu: monossexo fêmea
4Hibridação interespecífica
Cruzamento de espécies diferentes
Objetivo: combinar características
Tambacu (tambaqui × pacu)
Crescimento mais rápido que o pacu
Mais rústico que o tambaqui
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Alternativa E — ❌ Incorreta (Gabarito)
A afirmação está errada porque o cruzamento de fêmeas de tambaqui com machos de pacu tem como objetivo a produção de híbridos (como o tambacu) com características zootécnicas superiores, como maior taxa de crescimento e rusticidade. A produção de populações monossexo macho é uma técnica de controle sexual que não se baseia em cruzamentos interespecíficos, mas sim em manipulações genéticas ou hormonais dentro de uma mesma espécie. A banca troca o conceito de hibridação pelo de controle sexual, induzindo o candidato ao erro.