Questão de Biologia — Biotecnologia Verde — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406481
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque estudos genéticos de comunidades microbianas do solo permitem identificar microrganismos com potencial antagonista a fitopatógenos, o que fundamenta o desenvolvimento de agentes de biocontrole — uma aplicação direta da biotecnologia agrícola. A genética microbiana fornece as ferramentas para caracterizar, selecionar e até modificar esses organismos, tornando viável o uso de biocontroladores na agricultura.
A biotecnologia, em sentido amplo, corresponde a técnicas que permitem ao ser humano utilizar organismos para obter produtos de interesse. No contexto agrícola, isso inclui o melhoramento genético clássico — como os cruzamentos seletivos que geraram milhares de variedades de soja — e as técnicas modernas de engenharia genética, como a tecnologia do DNA recombinante e a edição gênica por CRISPR/Cas9. Quando aplicada ao manejo de doenças de plantas, a biotecnologia permite explorar a biodiversidade microbiana do solo para encontrar organismos que combatam naturalmente patógenos, reduzindo a dependência de agrotóxicos.
O solo abriga uma comunidade microbiana extremamente diversa, incluindo bactérias, fungos e actinomicetos. Muitos desses microrganismos produzem substâncias antimicrobianas, competem por nutrientes e espaço, ou parasitam diretamente os fitopatógenos — mecanismos que caracterizam o antagonismo microbiano. Os estudos genéticos, como o sequenciamento de DNA ambiental (metagenômica) e a análise de genes biossintéticos, permitem identificar quais espécies possuem esse potencial antagonista sem a necessidade de cultivá-las em laboratório, o que é uma grande vantagem, pois a maioria dos microrganismos do solo não é cultivável pelos métodos tradicionais.
Um exemplo concreto: pesquisadores podem coletar amostras de solo, extrair o DNA total da comunidade e sequenciá-lo para identificar genes envolvidos na síntese de antibióticos ou enzimas líticas. Essa informação genética aponta quais microrganismos são candidatos promissores para o desenvolvimento de um biocontrolador. Após a identificação, o microrganismo pode ser isolado, testado em condições controladas e, eventualmente, formulado como um produto comercial — um biofungicida ou biobactericida — que será aplicado nas lavouras para proteger as plantas contra doenças.
A distinção importante aqui é entre o controle biológico e o controle químico. Enquanto o controle químico utiliza pesticidas sintéticos, o controle biológico utiliza organismos vivos ou seus produtos metabólicos para suprimir populações de pragas e patógenos. O biocontrole é uma estratégia mais sustentável, pois tende a ser mais específico, menos tóxico ao ambiente e pode reduzir a seleção de patógenos resistentes. A genética microbiana é a ponte que conecta a descoberta de um microrganismo promissor à sua aplicação prática como biocontrolador.
A pegadinha que a banca poderia explorar seria inverter a lógica: afirmar que os estudos genéticos servem para identificar patógenos e não antagonistas, ou que o objetivo é o desenvolvimento de agrotóxicos químicos. Nesta questão, porém, a afirmação está alinhada com o conhecimento científico consolidado: a genética de microrganismos do solo é uma ferramenta essencial para a descoberta e o desenvolvimento de biocontroladores.
Guarde o critério decisivo: a genética microbiana permite identificar microrganismos com potencial antagonista, e esse potencial é a base para o desenvolvimento de biocontroladores. A afirmação conecta corretamente essas duas etapas do processo biotecnológico.
A afirmação está correta. Estudos genéticos de comunidades microbianas do solo, como a metagenômica e a análise de genes biossintéticos, permitem identificar espécies com potencial antagonista a patógenos de plantas. Esse potencial antagonista — que pode envolver produção de antibióticos, competição por recursos ou parasitismo — é exatamente o que se busca em um agente de biocontrole. Portanto, a genética microbiana contribui diretamente para o desenvolvimento de biocontroladores, uma aplicação prática da biotecnologia agrícola.
Gabarito: CERTO
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