Questão de Biologia — Cultura de Células — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Cultura de Células
Código
ce406497
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Pesq ( )
O gráfico acima apresenta os dados de crescimento bacteriano em sistema fechado (batelada) de diferentes isolados e linhagens. Os cinco cultivos foram realizados simultaneamente, em frascos separados e nas mesmas condições de espaço, volume, temperatura, agitação e meio de cultivo. A aferição do crescimento foi realizada a cada hora, no período total de 24 h, pela medição da turbidez do meio de cultivo líquido no comprimento de ondas de 600 nm. Os isolados selvagens A, B e C são da mesma espécie, mas foram obtidos de solos de diferentes regiões do Brasil. Após o sequenciamento e a comparação dos genomas dos 3 isolados, foi identificada uma deleção de 3 aminoácidos no sítio ativo da enzima X do isolado A e a inserção de um transposon na região 3` do gene codificante de uma bomba de H+ (prótons) da membrana citoplasmática do isolado B. O isolado C foi modificado por engenharia genética com a deleção dos mesmos 3 aminoácidos que são ausentes no sítio ativo da enzima X do isolado A, gerando a linhagem mutante D. O isolado C também foi modificado com a inserção do transposon observado no isolado B, no mesmo locus, gerando a linhagem mutante E.
Considerando as informações contidas no gráfico e no texto anteriormente apresentados, julgue o item a seguir.
A caracterização do elemento genético móvel do isolado B pode restringir sua aplicação como bioinsumo, caso aquele elemento seja classificado como integrativo e conjugativo.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Elementos genéticos móveis e bioinsumos: o risco do transposon conjugativo
Gabarito: CERTO (letra C). A afirmação está correta porque um elemento genético móvel classificado como integrativo e conjugativo (um transposon conjugativo) tem a capacidade de se integrar ao cromossomo bacteriano e de se transferir horizontalmente entre bactérias, o que pode disseminar genes de resistência ou virulência e, portanto, restringir o uso do isolado como bioinsumo. A lógica é de biossegurança: um bioinsumo deve ser geneticamente estável e não deve carregar elementos que promovam a dispersão de características indesejáveis.
O enunciado descreve um cenário de biotecnologia microbiana aplicada ao desenvolvimento de bioinsumos. O isolado B, um selvagem da espécie, apresenta a inserção de um transposon na região 3' do gene que codifica uma bomba de H+ da membrana citoplasmática. Um transposon é um elemento genético móvel (EGM) — um segmento de DNA que pode se mover de uma posição para outra no genoma. A questão pede que se avalie se a caracterização desse EGM como "integrativo e conjugativo" poderia restringir a aplicação do isolado B como bioinsumo.
Para responder, é preciso entender o que significam esses dois adjetivos. Um elemento genético móvel integrativo é aquele que se insere (integra) no cromossomo da célula hospedeira, tornando-se parte estável do genoma. Um elemento conjugativo é aquele que codifica as proteínas necessárias para sua própria transferência de uma bactéria doadora para uma receptora por meio de um pilus de conjugação — um mecanismo de transferência horizontal de genes. Quando um EGM é simultaneamente integrativo e conjugativo, ele é chamado de elemento integrativo e conjugativo (ICE, do inglês Integrative and Conjugative Element).
A preocupação com a aplicação como bioinsumo reside exatamente nessa combinação. Um bioinsumo é um produto biológico usado na agricultura (como biofertilizantes, biopesticidas ou inoculantes) que deve ser seguro e previsível. Se o isolado B carrega um ICE, ele pode:
Integrar-se ao cromossomo e, assim, permanecer no genoma, mas também pode excisar-se e se tornar um plasmídeo circular autônomo.
Transferir-se horizontalmente para outras bactérias do ambiente, espalhando os genes que carrega.
Se o ICE carrega genes de resistência a antibióticos, fatores de virulência ou outros genes que conferem vantagem seletiva, sua disseminação pode gerar linhagens bacterianas indesejáveis no ambiente agrícola. Isso representa um risco de biossegurança e pode comprometer a aceitação regulatória do bioinsumo. Portanto, a caracterização do EGM como integrativo e conjugativo é um sinal de alerta que pode, de fato, restringir a aplicação do isolado B.
A pegadinha da questão está em associar corretamente os termos "integrativo" e "conjugativo" às suas consequências. O candidato pode confundir "integrativo" com "inofensivo" ou pensar que a integração ao cromossomo torna o elemento estável e, portanto, seguro. No entanto, a estabilidade genética não elimina o risco de transferência horizontal — pelo contrário, a capacidade conjugativa é o que amplifica o risco. A banca explora exatamente essa confusão entre estabilidade e segurança.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "integrativo" (que se integra ao cromossomo) e "seguro" (que não se espalha). Um elemento integrativo e conjugativo é justamente o oposto de seguro: ele se integra, mas também se transfere horizontalmente, disseminando genes. O candidato que pensa que "integrativo" significa "estável e inofensivo" erra a questão.
Elemento integrativo e conjugativo (ICE): Integrativo (Insere-se no cromossomo, Torna-se parte estável do genoma); Conjugativo (Transfere-se entre bactérias, Via pilus de conjugação); Risco para bioinsumo (Dissemina genes (resistência/virulência), Compromete biossegurança, Restringe aplicação)
Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmação está correta. Um elemento genético móvel classificado como integrativo e conjugativo (um ICE) tem a capacidade de se integrar ao cromossomo bacteriano e de se transferir horizontalmente entre bactérias. Essa transferência horizontal pode disseminar genes de resistência, virulência ou outros genes que conferem vantagem seletiva, representando um risco de biossegurança. Portanto, a caracterização do EGM do isolado B como integrativo e conjugativo pode, de fato, restringir sua aplicação como bioinsumo, pois a disseminação de material genético indesejável comprometeria a segurança e a previsibilidade do produto.
A lógica é a seguinte: um bioinsumo deve ser geneticamente estável e não deve carregar elementos que promovam a dispersão de características indesejáveis. A capacidade conjugativa é o fator crítico — sem ela, o elemento integrativo permaneceria restrito à linhagem, mas com ela, o risco de disseminação ambiental é real. A banca cobra exatamente essa distinção.