Questão de Biologia — Aspectos Gerais da Proteômica — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406577
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma (RNA-seq) permite identificar e quantificar os transcritos (RNAs mensageiros) expressos em uma planta, revelando quais genes estão diferencialmente expressos entre plantas resistentes e suscetíveis a um patógeno — e é exatamente essa expressão diferencial que associa genes à resistência ou suscetibilidade. A técnica é uma ferramenta central da genômica funcional, que estuda a função dos genes a partir de seus produtos.
O transcritoma é o conjunto completo de moléculas de RNA transcritas a partir do genoma em um dado momento e condição. Diferentemente do genoma, que é estático, o transcritoma é dinâmico: ele reflete quais genes estão ativos em cada tecido, estágio de desenvolvimento ou situação ambiental. Quando uma planta é infectada por um patógeno, centenas de genes têm sua expressão alterada — alguns são induzidos (genes de defesa, relacionados à resistência) e outros podem ser reprimidos (o que pode favorecer a suscetibilidade). O sequenciamento de alta profundidade do transcritoma, também chamado de RNA-seq, captura esse panorama: ele sequencia milhões de fragmentos de cDNA (DNA complementar sintetizado a partir do RNA mensageiro), permitindo identificar quais transcritos estão presentes e em que quantidade.
A lógica da identificação de genes por essa via é comparativa. Imagine duas variedades de uma mesma planta: uma resistente e outra suscetível a um fungo. Ao sequenciar o transcritoma de ambas após a infecção, o pesquisador compara os níveis de expressão de todos os genes. Genes com expressão muito maior na variedade resistente são candidatos naturais a genes de resistência; genes mais expressos na suscetível podem estar associados à suscetibilidade. Essa abordagem é um exemplo clássico de genética reversa: parte-se do fenótipo (resistência ou suscetibilidade) e da expressão gênica para identificar os genes envolvidos, sem depender de mutações espontâneas ou de estudos genéticos clássicos prévios. É uma estratégia poderosa justamente porque não exige que o gene já seja conhecido — a técnica "varre" todo o transcritoma de uma vez.
A distinção que importa aqui é entre genoma e transcritoma. O genoma é o DNA completo da célula — a informação potencial, presente em todas as células. O transcritoma é o subconjunto de genes que está sendo expresso — a informação em uso. Sequenciar o genoma diz quais genes a planta pode ter; sequenciar o transcritoma diz quais genes a planta está usando naquela condição. Para associar genes a uma resposta fisiológica como resistência a patógeno, o transcritoma é a ferramenta adequada, pois a resistência é uma resposta ativa que envolve mudança na expressão gênica. O RNA-seq de alta profundidade é particularmente valioso porque consegue detectar até transcritos pouco abundantes, aumentando a sensibilidade para captar genes de defesa que podem ser expressos em baixos níveis.
A pegadinha que a banca poderia explorar neste tema é confundir sequenciamento de genoma com sequenciamento de transcritoma. Se a afirmação dissesse "sequenciamento do genoma da planta", ainda seria possível identificar genes de resistência, mas por uma via diferente (comparação de sequências, presença/ausência de genes). O que torna a afirmação correta é o uso específico do transcritoma: a análise de expressão gênica em escala, que é exatamente o que o RNA-seq proporciona. Guarde essa fronteira: genoma = informação potencial (o que pode ser expresso); transcritoma = informação em uso (o que está sendo expresso). É nessa distinção que a questão se resolve.
A afirmação está correta. O sequenciamento de alta profundidade do transcritoma (RNA-seq) é uma técnica de análise de expressão gênica em escala que permite identificar genes diferencialmente expressos entre plantas resistentes e suscetíveis a um patógeno. Ao comparar os perfis de expressão, genes induzidos na planta resistente são candidatos a genes de resistência, enquanto genes mais expressos na suscetível podem estar associados à suscetibilidade. A técnica é um pilar da genômica funcional, que estuda a função dos genes a partir de seus produtos (os transcritos), e não exige conhecimento prévio dos genes envolvidos — ela "varre" todo o transcritoma de uma vez, revelando o panorama da expressão gênica na condição estudada.
A identificação de genes por essa via é um exemplo de genética reversa: parte-se do fenótipo (resistência/suscetibilidade) e da expressão gênica para chegar aos genes subjacentes. O RNA-seq de alta profundidade aumenta a sensibilidade para detectar transcritos pouco abundantes, o que é crucial para capturar genes de defesa que podem ser expressos em baixos níveis. Portanto, a técnica é plenamente adequada ao objetivo descrito no enunciado.
Gabarito: CERTO.
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