Questão de Biologia — Enzimas — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406602
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Pesq ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
✅ CERTO. A cinética de Michaelis-Menten é, de fato, aplicável à modelagem da atividade enzimática em reatores industriais, e seu pressuposto central é exatamente a formação de um complexo transitório entre a enzima e o substrato (ES). Esse modelo descreve a velocidade da reação em função da concentração do substrato, sendo amplamente utilizado no dimensionamento e na otimização de bioprocessos.
A cinética enzimática estuda a velocidade das reações catalisadas por enzimas. As enzimas são proteínas que atuam como catalisadores biológicos, acelerando reações químicas sem se desgastarem ou se alterarem permanentemente. O modelo de Michaelis-Menten, proposto por Leonor Michaelis e Maud Menten em 1913, é a base teórica para descrever essa velocidade. A equação clássica é:
onde é a velocidade inicial da reação, é a velocidade máxima, é a concentração do substrato e é a constante de Michaelis-Menten, que representa a concentração de substrato na qual a velocidade é metade da máxima. O modelo parte de duas premissas fundamentais: (1) a formação de um complexo enzima-substrato (ES) reversível e transitório, e (2) a etapa de conversão do complexo em produto como limitante da velocidade.
Na prática, a reação ocorre em duas etapas: primeiro, a enzima (E) se liga ao substrato (S) formando o complexo ES; depois, esse complexo se decompõe em produto (P) e enzima livre, que pode ser reutilizada. Esse mecanismo é representado por:
O complexo ES é transitório porque existe apenas durante a catálise, sendo consumido na etapa seguinte. Essa é a essência do modelo: a velocidade da reação depende da concentração do complexo ES, que por sua vez depende da concentração do substrato e da afinidade da enzima por ele.
Em reatores industriais, como os biorreatores utilizados na produção de antibióticos, enzimas industriais, biocombustíveis e alimentos, a cinética de Michaelis-Menten é aplicada para prever a taxa de conversão do substrato em produto, otimizar a concentração de substrato e o tempo de residência, e dimensionar o reator. Embora o modelo clássico assuma condições ideais (sistema homogêneo, sem inibição, substrato em excesso), ele serve como ponto de partida para modelos mais complexos que incorporam inibição, desativação enzimática e transferência de massa. A aplicação prática exige ajustes, mas o pressuposto do complexo transitório permanece válido.
A banca explora aqui um conceito central da bioquímica: a formação do complexo enzima-substrato. O candidato pode confundir com outros modelos, como o de Lineweaver-Burk (que é apenas uma linearização da equação de Michaelis-Menten) ou com a cinética de ordem zero/primeira ordem, mas a essência é a mesma: a catálise enzimática passa por um estado intermediário de ligação. A afirmação está correta porque une dois elementos: a aplicabilidade do modelo em escala industrial e o pressuposto do complexo transitório.
Para questões sobre cinética enzimática, lembre-se sempre do mecanismo em duas etapas: formação do complexo ES e sua decomposição em produto. A equação de Michaelis-Menten é a ferramenta para relacionar velocidade e concentração de substrato, e o indica a afinidade da enzima pelo substrato (menor , maior afinidade).
✅ CERTO.
Link permanente: /questoes/ce406602