Questão de Biologia — Organismos Geneticamente Modificados — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406610
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, embora o CRISPR/Cas9 seja amplamente adotado no melhoramento genético animal para introduzir características como resistência a doenças, essa adoção não ocorre sem levantar preocupações sobre bem-estar animal e impactos ambientais — pelo contrário, tais preocupações são centrais no debate científico e regulatório sobre organismos geneticamente modificados.
A edição genética por CRISPR/Cas9 é uma técnica de engenharia de genoma que permite fazer modificações precisas no DNA de um organismo. O sistema utiliza uma proteína (Cas9) guiada por um RNA (sgRNA) para cortar o DNA em um local específico, gerando uma quebra de fita dupla (DSB). A partir daí, a célula repara a quebra por dois caminhos principais: a junção de extremidades não homólogas (NHEJ), que geralmente inativa o gene, ou a recombinação homóloga (HR), que permite introduzir mutações específicas usando um DNA doador. Essa capacidade de editar genes com precisão abriu enormes possibilidades para o melhoramento genético animal, como a introdução de resistência a doenças, melhoria da produtividade e até mesmo a produção de proteínas de interesse farmacêutico.
No entanto, a aplicação dessa tecnologia em animais de produção levanta questões éticas e ambientais que não podem ser ignoradas. O bem-estar animal é uma preocupação central: a edição genética pode causar efeitos fora do alvo (off-target), ou seja, mutações não intencionais em outras partes do genoma, que podem gerar problemas de saúde ou sofrimento nos animais. Além disso, há a questão do impacto ambiental: animais geneticamente modificados, se liberados no ambiente, podem cruzar com populações selvagens, alterando ecossistemas e a biodiversidade. Esses riscos são amplamente discutidos na literatura científica e nas legislações de biossegurança, como a Lei de Biossegurança brasileira (Lei nº 11.105/2005), que estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização para atividades que envolvam OGM e seus derivados.
A banca explora aqui uma pegadinha clássica: apresentar a edição genética como uma solução "sem preocupações", quando na verdade a ciência e a regulação reconhecem riscos e exigem avaliações rigorosas. O candidato que conhece o debate sobre OGM sabe que a afirmação é exagerada e, portanto, incorreta.
A banca usa a expressão "sem levantar preocupações" para induzir o candidato a marcar "Certo". Mas a edição genética em animais levanta sim preocupações — de bem-estar (efeitos off-target, sofrimento) e ambientais (fluxo gênico, impacto na biodiversidade). A palavra-chave é "sem": se a frase dissesse "apesar de levantar preocupações", estaria correta.
A afirmação está errada porque o uso de CRISPR/Cas9 no melhoramento animal não é isento de preocupações. A técnica, embora poderosa, envolve riscos de efeitos fora do alvo (mutações não intencionais), questões éticas sobre a manipulação genética de animais e potenciais impactos ambientais caso esses animais escapem e interajam com populações selvagens. A comunidade científica e os órgãos reguladores (como a CTNBio no Brasil) exigem avaliações de risco antes da liberação de OGM, o que demonstra que as preocupações existem e são levadas a sério.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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